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Os 15 melhores filmes sobre jornalismo

Escolhemos os melhores filmes sobre jornais e jornalistas, que mostram como redacções de diferentes épocas chegam a grandes histórias.

Sebastião Almeida
Escrito por
Eurico de Barros
e
Sebastião Almeida
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Passadas em redacções de jornais de várias épocas, estes filmes destacam o papel fulcral de uma imprensa livre na vida das sociedades, e alguns deles lançam mesmo um olhar crítico sobre os perigos do mau jornalismo. Encobrimento de segredos por parte do Governo de um dos países com maior poder geopolítico, abusos sexuais da Igreja que durante décadas foram silenciados ou a história de um jornalista de uma conceituada revista que ficciona os seus artigos são alguns dos temas aqui abordados. Do The Post a Spotlight ou a Capote, estes são alguns dos filmes que lhe mostram o melhor e o pior da vida nas redacções.

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Grandes filmes sobre jornalismo

1. ‘O Grande Escândalo’, de Howard Hawks (1940)

Adaptado da peça The Front Page, de Ben Hecht e Charles MacArthur, este é um dos melhores filmes de jornalismo já feitos, uma comédia acelerada que se passa na redacção de um grande diário de Nova Iorque. Walter Burns (Cary Grant), o editor, recorre a todos os meios para que Hildy Johnson (Rosalind Russell), a melhor jornalista da casa e sua ex-mulher, não abandone o jornal para casar de novo. Ainda por cima, há um caso sensacional para cobrir e Hildy é a pessoa ideal para o fazer. Hilariante, brilhante, inexcedível e com um conjunto de actores em estado de graça.

2. ‘O Grande Carnaval’, de Billy Wilder (1951)

O tradicional idealismo dos filmes sobre jornais e jornalistas é aqui substituído por um cinismo sem ilusões bem típico do realizador Billy Wilder. Kirk Douglas é Chuck Tatum, um jornalista caído em tempos difíceis que trabalha num pequeno título do Novo México. Um dia, um homem fica preso numa gruta e Chuck decide explorar ao máximo a situação, com a conivência do acidentado. É deste filme a célebre frase, proferida por Chuck: “As más notícias vendem mais. Porque as boas notícias não são notícias”. O Grande Carnaval não perdeu actualidade, tudo pelo contrário.

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3. ‘A Última Ameaça’, de Richard Brooks (1952)

Humphrey Bogart interpreta aqui Ed Hutcheson, o editor veterano de um diário de Nova Iorque que vai ser vendido a um jornal rival. Hutcheson está numa corrida contra o tempo, procurando expôr um gangster que mandou espancar um repórter do jornal que investigava as suas actividades criminosas. E tem apenas três dias, e três números do jornal para o conseguir fazer, antes que este seja absorvido pelo título comprador. O realizador Richard Brooks foi jornalista antes de se dedicar ao cinema, e isso vê-se pela maneira com filma uma redacção e o dia-a-dia jornalístico.

4. ‘Park Row’, de Samuel Fuller (1952)

Na Nova Iorque de finais do século XIX, dois jornais competem entre si. Um é o já estabelecido The Star, o outro o recém-lançado The Globe, um ambicioso projecto de um editor que foi despedido daquele, Phineas Mitchell (Gene Evans). Um projecto que a proprietária do The Star, Charity Hackett (Mary Evans) não quer ver singrar, apesar de ter um fraquinho (correspondido) pelo seu rival. Samuel Fuller também trabalhou em jornais na sua juventude, nomeadamente como repórter de crimes, e assina aqui um filme cheio de energia, de garra e de nostalgia por uma era heróica (para o melhor e para o pior) do jornalismo americano.

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5. ‘Mentira Maldita’, de Alexander Mackendrick (1957)

J.J. Hunsecker (Burt Lancaster), o mais poderoso e implacável cronista de mexericos de Nova Iorque, tem uma irmã que namora com um músico de jazz. E põe um inescrupuloso e ambicioso agente de imprensa, Sidney Falco (Tony Curtis) no terreno para arruinar a relação entre a irmã e o futuro marido. Escrito por Ernest Lehman e Clifford Odets com base no livro do primeiro, Mentira Maldita é um dos filmes mais negros, mais pessimistas e mais cruéis já feitos sobre o poder de quem trabalha com a palavra impressa e a manipula em seu proveito. Lancaster também produziu e a sua personagem é baseada no jornalista Walter Winchell.

6. ‘Primeira Página’, de Billy Wilder (1974)

Esta é a terceira adaptação ao cinema da peça The Front Page, de Ben Hecht e Charles MacArthur, após a de 1940, por Howard Hawks, já acima referida, e a de 1931, de Lewis Milestone. Wilder e o seu argumentista A.I. L. Diamond voltaram a fazer da personagem de Hildy Johnson o homem que ele era originalmente na peça, e na fita de 1931, agora interpretado por Jack Lemmon, com Walter Matthau na figura do editor do jornal, Walter Burns. Wilder consegue que este remake seja quase tão bom como a versão de Hawks dos anos 40, em boa parte graças à genial dupla Lemmon/Matthau.

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7. ‘Os Homens do Presidente’, de Alan J. Pakula (1976)

Como os jornalistas do The Washington Post Bob Woodward (Robert Redford) e Carl Bernstein (Dustin Hoffman) investigaram a história do arrombamento da sede do Partido Democrata em Washington, em 1972, que acabaria por conduzir à destituição do presidente Richard Nixon. Um marco do cinema sobre jornalismo, que Alan J. Pakula filma como se fosse um thriller. Redford disse que Os Homens do Presidente era menos um filme político ou sobre Nixon, do que sobre os meandros e as dificuldades da labuta jornalística exigida pela investigação de uma notícia. Jason Robards interpreta Ben Bradlee, o histórico editor do Post.

+ Robert Redford em 10 filmes

8. ‘A Calúnia’, de Sydney Pollack (1981)

Megan Carter, uma repórter de um jornal de Miami, investiga Mike Gallagher (Paul Newman), um negociante de bebidas cujo pai era um mafioso local, e que o FBI também está a pressionar por causa de um crime. Gallagher não tem nada a ver com o submundo de Miami e é um cidadão sem mácula, mas quando Megan publica uma notícia mal fundamentada que prejudica gravemente uma amiga sua, ele decide ensinar uma dura lição à jornalista e ao próprio FBI. Um excelente filme de Sydney Pollack, que ilustra com grande eficácia dramática os perigos e as consequências do jornalismo mal feito e da ânsia de se querer ter uma “cacha”, custe o que custar.
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9. ‘Primeira Página’, de Ron Howard (1994)

Michael Keaton personifica Henry Hackett, o editor de um tablóide de Nova Iorque que enfrenta cortes no orçamento do jornal e está a ponderar uma oferta de emprego do The New York Times, que lhe oferece mais dinheiro, um horário mais desafogado e mais respeitabilidade. Ao mesmo tempo, o seu jornal deu uma notícia sobre os suspeitos de um crime que poderá estar errada, e há que a investigar e eventualmente corrigir, antes da hora do fecho. Ron Howard assina aqui uma comédia dramática saborosamente realista, rodada a um ritmo que reproduz o de um dia de trabalho num grande jornal diário. (O título original do filme é, aliás, The Paper).

10. 'Shattered Glass: Verdade ou Mentira', de Billy Ray (2003)

Shattered Glass fala de um dos momentos mais baixos do jornalismo norte-americano, quando Stephen Glass (Hayden Christensen), repórter da The New Republic é desmascarado pelo seu editor (Peter Sarsgaard), depois ter escrito dezenas de reportagens falsas. Um filme biográfico que explora a relação de confiança entre os jornalistas e os leitores, continuando extremamente actual.

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11. 'Capote', de Bennett Miller (2005)

Em 1959, Truman Capote lê um artigo no New York Times sobre o assassinato de uma família no Kansas e a história capta-lhe a atenção. Decide-se então a contar o que aconteceu, entrevistando os moradores da pequena povoação, familiares das vítimas, dos assassinos e acompanhando a investigação policial. O escritor chega a entrevistar os assassinos do massacre e torna-se muito próximo de um deles, Perry Smith, levantando suspeitas sobre o teor do seu relacionamento. Capote escreveu a que é considerada a primeira obra do jornalismo literário. Primeiro foi publicado em fascículos na revista New Yorker e, mais tarde, lançado em livro. Philip Seymour Hoffman interpretou Capote no filme que lhe valeu um Óscar de melhor actor, sendo elogiado pela crítica.

12. 'Boa Noite e Boa Sorte', de George Clooney (2005)

Nos anos 1950, o pivôt de televisão Edward Morrow (David Strathairn) e o produtor do seu programa "See it Now", Fred Friendly (George Clooney), enfrentam o senador republicano Joseph McCarthy num caso em que o político acusa milhares de americanos comunistas de serem espiões ao serviço da União Soviética. O jornalista televisivo contestou as alegações do senador, que destruiram a vida a muitos dos cidadãos americanos acusados, e acabou por conseguir desmenti-las.

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13. ‘O Caso Spotlight’, de Tom McCarthy (2015)

No início deste século, em 2001, a equipa de grande reportagem do diário Boston Globe, deu a conhecer um escândalo de pedofilia e de encobrimento dos sacerdotes nele envolvidos, que comprometia a hierarquia católica da cidade. Tom McCarthy recria, com enorme minúcia, sem sensacionalismos nem demagogia, e com muita atenção aos detalhes mais comezinhos do labor jornalístico, toda a investigação dos profissionais que compunham aquela equipa, a Spotlight, interpretados por nomes como Liev Schreiber, Michael Keaton, Rachel McAdams ou Mark Ruffalo.

14. 'The Post', de Steven Spielberg (2017)

Spielberg transporta-nos até 1971, quando Katharine Graham (Meryl Streep), a primeira mulher editora de um grande diário norte-americano, e Ben Bradlee (Tom Hanks), editor executivo, decidem publicar documentos confidenciais sobre o envolvimento das tropas norte-americanas na guerra do Vietname. Baseado em eventos reais, o filme mostra a luta dos jornalistas do Washington Post e a pressão a que foram sujeitos pela Casa Branca de Nixon, que tentou evitar a sua publicação a todo o custo.

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15. 'Uma Guerra Pessoal', de Matthew Heineman (2018)

Marie Colvin, jornalista do Sunday Times, fez carreira a cobrir diversos conflitos ao longo de mais de 20 anos. Morreu em 2012, na Síria, às mãos das forças do regime sírio. O filme de Matthew Heineman mostra como a jornalista norte-americana (interpretada por Rosamund Pike) contou ao mundo o que viu e ouviu nos vários conflitos que testemunhou. Jamie Dornan contracena com Rosamund Pike, no papel de Paul Conroy, o fotojornalista que estava com a jornalista no momento em que a redacção improvisada onde estavam foi bombardeada – e que sobreviveu. 

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