Global icon-chevron-right Portugal icon-chevron-right Lisboa icon-chevron-right Idris Elba: “O realizador tem de responder a um milhão de perguntas”

Idris Elba: “O realizador tem de responder a um milhão de perguntas”

O actor britânico estreia-se atrás das câmaras em "Yardie", que chega agora aos cinemas. Falámos com ele

Idris Elba, The Parrot
Andy Parsons
Por Jimi Famurewa |
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A maior parte das pessoas tentaria não dar muito nas vistas se se visse no centro de um acalorado debate global sobre a sua elegibilidade para interpretar James Bond. Mas Idris Elba parece não querer saber. Numa tarde de sol, a estrela britânica de 45 anos sai do interior resguardado do pub de Dalston onde combinámos encontrar-nos e senta-se na esplanada, à plena vista dos fãs que vão gritando e acenando.

Enquanto falamos, ele parece nem dar por eles. Talvez porque só consegue pensar no seu primeiro filme como realizador, prestes a estrear-se. Adaptado do livro de culto escrito por Victor Headley em 1992, Yardie conta a história de D (Aml Ameen), um melómano e traficante de droga jamaicano que encontra o assassino do seu irmão na zona oriental de Londres, nos anos 80.

Por um lado, é uma grande mudança para o homem que se deu a conhecer à frente das câmaras depois de interpretar Stringer Bell na série The Wire, da HBO, e em anos recentes, entre outros papéis, encarnou o deus nórdico Heimdall nos filmes da Marvel. Por outro, esta exploração da cultura musical (e não só) de Hackey acaba por ser um tanto ou quanto familiar para o também ocasional DJ londrino.

A poucos metros da casa onde cresceu, Elba fala sobre como foi filmar no meio dos gangues jamaicanos, sobre o salto para trás das câmaras e, claro, sobre um certo agente secreto que passa a vida a beber martinis.

 

Qual foi o maior desafio que encontraste durante a rodagem de Yardie?

Filmámos em Kingston (Jamaica), num lugar chamado Rose Town, e tinha medo que os chefões locais não achassem muita graça à coisa. Por isso fui muito respeitador, e contratei pessoas de lá. Nem sequer podíamos contratar figurantes de outra zona. Tinham de ser de Rose Town, caso contrário íamos estar no meio de uma guerra de gangues.

Correu tudo bem?

Sim. Quando os chefões souberam que eu estava a rodar um filme ali combinaram fazer um cessar-fogo durante três dias. E assim foi. A polícia disse-me que um minuto depois de eu me ir embora começaram a ouvir-se disparos. Os gangues estavam em guerra outra vez. Um miúdo tinha faltado ao respeito a alguém no dia em que chegámos. Mal nos fomos embora deram-lhe um tiro.

E como é que foi saltar para trás da câmara?

Diferente. Quando és o realizador tens de responder a um milhão de perguntas. E quando és um actor só respondes por ti. Comecei a dar outro valor à colaboração.

Os teus pais eram da Serra Leoa e do Gana, mas este filme explora a cultura jamaicana. Tiveste algum receio?

Senti uma certa pressão. Mas não acho que um realizador tenha de estar particularmente próximo ou ligado a uma determinada cultura [para fazer um filme].

Actualmente discute-se quem é que pode fazer certos papéis. A Disney, por exemplo, foi muito criticada por convidar o Jack Whitehall para interpretar um personagem gay.

Se um actor tem os atributos necessários para fazer um certo papel, deve poder fazê-lo. Até porque é apenas uma interpretação. Não tens de ser gay para interpretar um personagem gay. Se bem que tens de ser negro para interpretar um personagem negro.

Existem sensibilidades específicas?

É como o debate em torno [da cor da pele] do James Bond. É uma estupidez. É um personagem fictício. Tenho todo o respeito do mundo pela maneira como o Ian Fleming o descreveu. Ele disse que era um gajo branco, assim e assado. Foi assim que ele foi escrito. Mas depois há algum espaço para a interpretação. Se estivéssemos preocupados em garantir que as coisas eram sempre feitas da mesma maneira, nunca teríamos tido algumas das ideias mais brilhantes e disruptivas da história.

Vais ser o produtor, protagonista e realizador da adaptação do Corcunda de Notre Dame. O que é que te cativou nessa história?

É sobre alguém que está encurralado por causa da sua aparência, da sua deficiência. Posso partir daí e construir algo mais heróico. É isso que me atrai no personagem. E é um desafio, mano. É um clássico.

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