Luís Sequeira, um luso-descendente no caminho do Óscar

Mesmo que a nacionalidade não interesse à qualidade do cinema, é sempre bom saber que um dos nossos pode ganhar o Óscar de Melhor Guarda-Roupa. Luís Sequeira é filho de mãe portuguesa. E lá porque nasceu no Canadá…
costume designer forma d'água
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Por Rui Monteiro |
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Ao princípio, entre as 13 nomeações de A Forma da Água, passou despercebido. Tão
despercebido como vem passando ao longo da carreira. A ligação a Portugal, porém,
não tardou. O que ele andou para aqui chegar desde que largou o regaço da mãe,
criadora de vestidos de noiva, segue já a seguir.

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Luís Sequeira, um lusodescendente no caminho do Óscar

Camera

The Charnel Pit (1990)

Desde que resolveu trocar a criação de moda pela criação de guarda-roupa e o Canadá por Hollywood, Luís Sequeira fez todo um caminho profissional. Ganhou tarimba, como se costuma dizer, trabalhando ora no cinema ora na televisão, ocasionalmente ainda no teatro. A sua estreia, como modesto assistente de guarda-roupa, foi na série televisiva de terror Sexta-Feira 13, que durou entre 1987 e 1990, altura em que a televisão ainda era parente pobre do cinema e os valores de produção o mais baratinho possível – como se vê nesta promoção do último episódio.

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Conquista da Justiça (1994)

Durante quatro anos, Sequeira assistiu outros, fez o trabalho duro, aprendeu em mais séries e, especialmente, em mais filmes para televisão que não deixaram marca. Grande marca também não deixou, apesar das suas virtudes, Conquista da Justiça, dirigido também para televisão por James Keach, com Jane Seymour no papel de uma editora de jornal lutando pela integração racial nos anos de 1950. Foi a sua primeira entrada na ficha técnica como responsável de guarda-roupa. E logo aí se nota uma atenção ao pormenor e ao rigor histórico na representação da época.

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Rápidos e Mortais (2004)

Onze filmes e três séries para TV depois, Luís Sequeira chega finalmente ao cinema pela mão do realizador Robert Harmon. Película de luto, perseguição e vingança em forma de filme de estrada, onde Jim Caviezel procura ajustar contas com o assassino da mulher a alta velocidade com seu carro hiper-armadilhado. O papel do guarda-roupa não é propriamente significativo para o enredo, mas na sua versatilidade permitiu a Sequeira, mais uma vez, mostrar o seu cuidado com os pormenores.

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Rasgo de Génio (2008)

O filme que pôs este descendente de portugueses definitivamente na rota do Óscar foi esta película de Marc Abraham, que valeu um prémio de interpretação a Greg Kinnear. Situada na década de 1960, relatando a verdadeira história de um professor e inventor, tão brilhante como idealista e ingénuo, que a indústria automóvel norte-americana, a bem dizer, esmagou, permitiu a Luís Sequeira um trabalho mais elaborado e um melhor conhecimento dos meandros dos grandes estúdios nos anos seguintes.

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Mama (2013)

O ano de 2013 foi bom, ou melhor, foi excelente, tendo em conta o resultado futuro para Sequeira. Foi na rodagem do filme de Andy Muschietti que conheceu Guillermo del Toro, produtor executivo desta obra que, com o seu enredo habitado pelo sobrenatural, ironicamente devolvia Sequeira à sua origem. Gostando do seu trabalho, o argumentista, realizador e produtor mexicano, no ano seguinte, não parece ter hesitado em convidar o luso-descendente para garantir um guarda-roupa à maneira para outra série de televisão, The Strain. Três temporadas passadas e del Toro faz o convite para o guarda-roupa de Forma da Água ter a sua assinatura. O resto é história. História de que não pode ser esquecido mais um importante episódio.

 

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Carrie (2013)

Antes do filme que o nomeou para o Óscar, o trabalho de Luís Sequeira ganhou fôlego e mais atenção na sua criação de figurinos para a versão de Carrie, dirigido por Kimberly Peirce (autora do excelente Os Rapazes Não Choram, que deu o primeiro Óscar de Melhor Actriz a Hilary Swank, e ainda teve Chloë Sevigny nomeada para Melhor Actriz Secundária), cinco anos antes. A realizadora (que depois se dedicou em exclusivo à televisão), com Chloë Grace Moretz, Julianne Moore e Gabriella Wilde, segue caminho suficiente distinto do original de Brian de Palma, em 1976. E acrescenta ao conteúdo sobrenatural um ambiente escolar onde a protagonista é vítima de toda a rufiagem da escola e ainda da sua aterrorizada mãe, no entanto permanece menos ingénua, porém incapaz de evitar a humilhação final. Mais do que a história e a maneira airosa como a cineasta se saiu, importa aqui o trabalho de Sequeira. Em todos os aspectos rigoroso e adequado à evolução dramática da película, apesar da dificuldade em representar coerentemente diferentes idades, estados e situações sociais.

 

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