Os filmes essenciais de Willem Dafoe

Uma dezena dos melhores papéis do actor nomeado pela terceira vez ao Óscar de Melhor Secundário por 'The Florida Project'
PLATOON (1986)
PLATOON (1986)
Por Eurico de Barros |
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Frequentador de filmes independentes como de grandes produções de estúdio e de fitas europeias de autor, Willem Dafoe é um actor para todas as estações, que não se deixou estereotipar nos papéis de vilão, como ameaçava suceder no início da sua carreira no cinema. 

Agora está nomeado para o Óscar de Melhor Actor pela sua interpretação em The Florida Project.

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Os filmes essenciais de Willem Dafoe

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‘The Loveless’, de Kathryn Bigelow (1981)

O primeiro filme de Willem Dafoe foi também a estreia de Kathryn Bigelow a realizar longas-metragens. (Antes, o actor havia sido cortado na montagem de As Portas do Céu, de Michael Cimino) É um biker movie muito reminiscente de O Selvagem, de Laslo Benedek, com Marlon Brando (1953), onde Dafoe interpreta o líder de um bando de motociclistas, personagem que vive com uma intensidade ameaçadora mas também sensual, prefigurando várias outras que haveria de fazer neste registo. Nunca estreou em Portugal.
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‘Estrada de Fogo’, de Walter Hill (1984)

Mais um papel de líder de um grupo de motociclistas delinquentes para Dafoe, neste clássico de acção assinado por Walter Hill. O herói é Michael Paré, que tem que salvar a rapariga (Diane Lane) das mãos do refinado vilão personificado por Dafoe, muito melhor actor que o limitado Paré. Resultado: apesar de negativa, a sua personagem deixa no espectador uma impressão muito mais duradoura do que a daquele. E foi a carreira de Dafoe que levantou voo, não a de Paré.
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‘Viver e Morrer em Los Angeles’, de William Friedkin (1985)

Willem Dafoe é Eric Masters, um falsário e assassino, neste fulgurante policial de acção de William Friedkin, e apesar de interpretar mais um vilão, é ele que “queima” a tela à sua volta, mais do que os polícias de William L. Petersen e John Pankow. Foi aqui que Dafoe percebeu que tinha que ter mais cuidado a escolher os papéis que lhe propunham, ou corria o risco de ser estereotipado em “mau da fita” para o resto da sua carreira.
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‘Os Bravos do Pelotão’, de Oliver Stone (1986)

Tinha toda a razão o crítico que escreveu que Williem Dafoe é tão bom actor, que em vez do decente, corajoso e heróico sargento Elias, também poderia ter interpretado o brutal e sádico sargento Barnes de Tom Berenger e sair-se igualmente bem. Oliver Stone decidiu contrariar as expectativas e dar a Dafoe a personagem do miltar “bom”, e a do “mau” a Berenger, permitindo àquele libertar-se do espartilho da vilania e ter a primeira nomeação ao Óscar de Melhor Actor Secundário.

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‘A Última Tentação de Cristo’, de Martin Scorsese (1988)

Este filme, baseado num livro de Nikos Kazantzakis, não é um dos melhores de Martin Scorsese, tal como o Jesus Cristo de Willem Dafoe não é um dos mais conseguidos dos vários que o cinema já nos deu, notando-se alguma insegurança na sua interpretação. Mesmo assim, e fiel á sua reputação de actor que gosta de desafios e de papéis o mais díspares possível, Dafoe dá o seu melhor neste Cristo que (se) sente ser mais humano que divino.
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‘Um Coração Selvagem’, de David Lynch (1990)

O sorriso maléfico e disforme do gangster Bobby Peru, interpretado por Willem Dafoe de forma deliberada e saborosamente exagerada na sua perfídia, é um dos detalhes inesquecíveis desta fita, também ela deliberadamente exagerada em tudo, das interpretações ao tom geral. Peru é, graças a Defoe, um dos mais convincentes e grotescos monstros de rosto humano e interior deformado que povoam os filmes de David Lynch.

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‘Perigo Incerto’, de Paul Schrader (1992)

Sucede aos melhores. Por vezes, um actor arranca uma interpretação notável, mas num filme que mesmo tendo sucesso com a crítica, é um fracasso comercial e acaba por ser mal distribuído e pouco visto em toda a parte. Foi o que aconteceu a Willem Dafoe com a sua composição de um homem que sofre de insónias e entrega drogas para uma mulher que fornece clientes no meio bancário e das finanças em Perigo Incerto (Light Sleeper, no original), de Paul Schrader. Em Portugal, saiu apenas em vídeo.

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‘A Sombra do Vampiro’, de E. Elias Merhige (2000)

Willem Dafoe teve a sua segunda nomeação para o Óscar de Melhor Actor Secundário neste filme de terror que parte do princípio de que Max Schreck, o actor alemão que interpretou o vampiro conde Orlok em Nosferatu, de Murnau (John Malkovich), era mesmo um vampiro; e que aquilo que o filme mostra, aconteceu na realidade. Dafoe é convincente e assustador a fazer um vampiro que parece um actor excêntrico nesta fita que ganhou culto.

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‘Auto Focus’, de Paul Schrader (2002)

Mais um filme de Paul Schrader, mais outra interpretação fora de série de Willem Dafoe, aqui acompanhado por Greg Kinnear. Passado nos anos 80 e 90, é a história dramatizada do actor Bob Crane e da sua obsessão secreta por sexo e pornografia, na qual era ajudado por John Henry Carpenter (Dafoe), especialista em fotografia e em vídeo. Crane seduzia as mulheres e Carpenter via, filmava e fotografava. Os dois actores são sinistramente soberbos na sua perversão partilhada. Também não passou nos cinemas portugueses.
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‘Histórias de Cabaret’, de Abel Ferrara (2007)

Dos filmes que Willem Dafoe fez sob a direcção de Abel Ferrara, este é o melhor, vagamente inspirado em A Morte de um Apostador Chinês, de e com John Cassavetes (1976). Trata-se de uma comédia em que Dafoe personifica Ray Ruby, o castiço dono de um clube de strip falido, que quer evitar que a senhoria o feche e ponha no seu lugar uma loja de artigos de casa de banho. Ray tem um bilhete de lotaria premiado que pode resolver o seu problema, mas não o consegue encontrar. E sim, Willem Dafoe também sabe fazer rir.

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