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Óscares: Oito filmes que não deviam ter ganho

Há filmes que nunca deviam ter ganho o Óscar de Melhor Filme e levaram a estatueta dourada para casa. É uma injustiça

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Como o cinema é uma arte, a sua interpretação é sempre subjectiva. A obra-prima de uns é lixo estético para outros e vice-versa. Não há volta a dar. Mesmo assim, é difícil perceber como é que O Touro Enraivecido, de Martin Scorsese, perde o Óscar de Melhor Filme para Gente Vulgar, de Robert Redford. Ou como o preconceito rouba o prémio a O Segredo de Brokeback Mountain, de Ang Lee, e o entrega a... Colisão, de Paul Haggis. Lembram-se? Há injustiças, há. Lá vão, subjectivamente, oito.

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Óscares: Oito filmes que não deviam ter ganho

Cimarron (1931)

Quem vir por estes dias o Melhor Filme de 1931 verificará como a obra de Wesley Ruggles envelheceu mal e se tornou um drama vulgar e desinteressante. O que, aliás, parece ter sido a marca desse ano cinematográfico norte-americano, característica acrescentada por umas comédias de que ninguém se lembra. Do lado bom do ano está um belo conjunto de cinema de terror, que foi completamente ignorado pela Academia. A história desta aventura dramática durante a colonização dos Estados Unidos é incoerente e, como se isso não bastasse, está cheia de caricaturas racistas – mesmo para a época.

E o vencedor devia ser: Matou, de Fritz Lang (que nem foi nomeado)

O Vale Era Verde (1941)

John Ford foi um grande realizador. Um mestre. Um exemplo. Mas nem todos os seus filmes são obras-primas. Alguns, são apenas bons, como este, com Walter Pidgeon e Maureen O'Hara, película socialmente generosa sobre as dificuldades da vida dos mineiros galeses com romance de premeio, que, porém, no conjunto da sua obra, é filme francamente menor. E a injustiça da vitória é maior porque, no mesmo ano, estava nomeado um dos melhores filmes de sempre, O Mundo a Seus Pés, de Orson Welles.

E o vencedor devia ser: O Mundo a Seus Pés, de Orson Welles

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A Volta ao Mundo em 80 Dias (1956)

Ora aqui está um ano que podia ter corrido melhor ao cinema. A comédia realizada por Michael Anderson e John Farrow começa por ignorar alguns dos aspectos mais estimulantes do romance de Jules Verne. O que podia ser o menos. Mas não é, pois o argumento de James Poe e John Farrow é de uma indigência assustadora. Não fora David Niven, ainda assim representando em piloto automático, e um ou outro gag protagonizado pelo medíocre cómico mexicano Cantinflas, tudo embrulhado em caríssimos cenários, nada sobraria. Porém, a favor do seu Óscar, conta a dificuldade em encontrar filme realmente bom nesse ano aziago.

E o vencedor devia ser: O Rei e Eu, de Walter Lang

Kramer Contra Kramer (1979)

Aqui está um dos mais xaroposos filmes alguma vez realizado, apesar das muito boas e devidamente premiadas interpretações de Dustin Hoffman e Meryl Streep. O enredo já foi mil vezes repetido e, sucintamente, trata de um casal que se separa, uma mãe que se afasta e um pai trabalhólico que, de repente, tem de cuidar do filho e com ele estabelecer relações. E depois de estabelecidas, essas relações podem ir por água abaixo por conta de um processo de custódia daqueles mesmo mauzinhos.

E o vencedor devia ser: Apocalypse Now, de Francis Ford Coppola 

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Gente Vulgar (1981)

Da mesma maneira que toda a gente se lembra de Apocalipse Now e ignora Kramer Contra Kramer, também ninguém tem memória do filme de Robert Redford, mas decerto já ouviu falar de O Touro Enraivecido, a obra-prima mais obra-prima de Martin Scorsese. E há boas razões, pois esta película, com Donald Sutherland, Mary Tyler Moore e Judd Hirsch, sobre uma família a fazer o luto depois da morte do filho mais velho num acidente de barco, decorada com a “culpa de sobrevivente” do outro filho, explora os sentimentos mais básicos sem pudor, mas também sem qualquer consequência artisticamente significativa.

E o vencedor devia ser: O Touro Enraivecido, de Martin Scorsese

Dança com Lobos (1990)

O primeiro filme realizado por Kevin Costner é, porventura, o filme mais chato de sempre. E, sem dúvida, apesar das loas da época, um dos mais condescendentes olhares sobre a cultura dos índios da América do Norte. É verdade que o ano incluiu o mal-amado O Padrinho, Parte III, e o puxa-lágrima Ghost – Espírito do Amor. Mas a alternativa era tão evidente… E quem se lixou, outra vez, foi Martin Scorsese, a quem a Academia acabou, apenas em 2007, por premiar o medíocre Os Infiltrados – assim como que pedindo desculpa por não ter sido antes.

E o vencedor devia ser: Tudo Bons Rapazes, de Martin Scorsese

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A Paixão de Shakespeare (1998)

A Paixão de Shakespeare, de John Madden, não é um mau filme. Esta história fictícia e romântica sobre a criação de Romeu & Julieta por William Shakespeare vê-se bem num domingo à tarde, mas não passa disso, de um filme que se vê quando não há mais que fazer. O seu sucesso na cerimónia de 1999, onde venceu sete Óscares, incluindo o de Melhor Filme, só se percebe no contexto da agressiva campanha promocional montada pelo produtor Harvey Weinstein – sim, esse. Noutro ano qualquer, esta vitória seria difícil de engolir, todavia ainda se torna mais descabida quando pensamos que o filme ultrapassou produções como O Resgate do Soldado Ryan, de Steven Spielberg, que era o grande favorito, ou mesmo A Barreira Invisível, de Terrence Malick.

E o vencedor devia ser: O Resgate do Soldado Ryan, de Steven Spielberg

Colisão (2005)

A vitória do filme de Paul Haggis, em 2005, surpreendeu toda a gente, a começar pelo realizador, que disse em entrevista posterior ter achado inesperada a nomeação. E Colisão ganhou não por conta dos seus próprios méritos, ou da maravilha do seu argumento e excelência das interpretações, mas pelo preconceito então dominante entre os votantes. Em ano sem, por assim dizer, nada de especial, havia um filme capaz de deixar marca, não propriamente artística, mas social e política. Porém, os ventos ainda não estavam de feição.

E o vencedor devia ser: O Segredo de Brokeback Mountain, de Ang Lee

A caminho dos Óscares

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Os filmes que ganharam mais Óscares
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Antes da cerimónia de entrega dos Óscares, que se realiza a 9 de Fevereiro, em Los Angeles, recordamos alguns dos filmes com o maior número de estatuetas no currículo. O clássico Ben-Hur, realizado em 1959 por William Wyler, Titanic (1997), de James Cameron, e a terceira parte da trilogia O Senhor dos Anéis, rodada por Peter Jackson e estreada em 2003, lideram a lista dos recordistas de Óscares na história do cinema, com 11 prémios.

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Foram muitos os actores e actrizes que, desde 1929, ganharam um Óscar. Pouco mais de 40 conseguiram levar para casa duas estatuetas da Academia ao longo da sua carreira. Mas mais do que isso? Quase nenhuns. Estes foram os actores e actrizes que ganharam mais Óscares até hoje.

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Já se sabe que nem sempre os melhores realizadores (e os melhores actores e os melhores filmes) são aqueles que ganham os Óscares, e já por muitas ocasiões as estatuetas de Hollywood foram parar às pessoas erradas, deixando de mãos a abanar quem as merecia. Conheça os grandes realizadores que nunca ganharam o Óscar (de melhor realizador).

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