Prémios Sophia 2018: E os vencedores são…

Bom, na verdade, o vencedor é São Jorge. Todos os outros, nesta lógica competitiva, foram apenas ilustres concorrentes, eventualmente com prémio de consolação. O que era previsível. De qualquer maneira foi uma festa. Um bocado chocha, mas uma festa.

"São Jorge" foi o grande vencedor na categoria de cinema

Era para ser Ana Bola, mas foi Manuel Marques quem surgiu no palco do Casino do Estoril, na noite de domingo, para apresentar uma cerimónia que, embora servida por um guião (como dizer isto educadamente?) indigente, foi uma celebração do cinema, principalmente quando fazê-lo, em Portugal, é uma aventura.

Prémios Sophia 2018: E os vencedores são…

São Jorge, o exterminador

Menos de uma semana depois de limpar a categoria de cinema no Prémio Autores, foi a vez do filme de Marco Martins arrecadar sete. E não quaisquer sete, mas os sete mais apetecíveis Prémios Sophia. O que, não sendo inesperado (afinal estava nomeado em 14 categorias) nem inédito, é admirável quanto se concorre contra películas valorosas como A Fábrica de Nada, de Pedro Pinho, ou Fátima, de João Canijo, que ficaram ainda a ver menos navios que Peregrinação ausente da categoria principal.

Martins fez um filme sólido, com a coragem de falar de frente sobre os efeitos de uma crise que, sim, já esteve pior, mas continua má, e o talento de contar uma história dura de maneira comovente, porém sem condescendência. Pelo que não é contestável que a produtora Filmes do Tejo tenha recebido o prémio para Melhor Filme, nem que Marco Martins tenha sido votado Melhor Realizador. Menos ainda Nuno Lopes (que aproveitou para dizer ao secretário de Estado da Cultura, Miguel Honrado, como mau é o tratamento do Estado ao cinema, como aliás já fizera na cerimónia promovida pela Sociedade Portuguesa de Autores juntando-se ao coro de indignação vindo do sector teatral, concluindo desta vez que “um país sem cultura não é um país. É uma área mal ocupada”) ser considerado o Melhor Actor Principal, ou José Raposo Melhor Actor Secundário.

Mas São Jorge não ficou por aqui, juntando à colecção os prémios Melhor Argumento Original pelo trabalho de Ricardo Adolfo e Marco Martins, Melhor Direcção Artística para Wayne dos Santos e, atribuído a Carlos Lopes, Melhor Direcção de Fotografia.

Peregrinação, a pequena surpresa

Na lógica competitiva destas coisas, o último filme de João Botelho não estava propriamente bem colocado. Afastado do mais importante galardão, apesar de ter o seu realizador e os actores Cláudio Lopes e Catarina Wallenstein nomeados nas respectivas categorias, a todos saiu a fava. No entanto, a aventura de Fernão Mendes Pinto não se fez rogada em importantes, embora menosprezadas, categorias como Melhor Guarda-Roupa, Melhor Maquilhagem e Cabelos e Melhores Efeitos Especiais/Caracterização, atribuídos respectivamente a Sílvia Grabowski (também nomeada pelo seu trabalho em Zeus), Rita Castro e Felipe Muiron, e Nuno Esteves “Blue”.

Obra que também não saiu nada mal na lista de premiados foi A Fábrica de Nada.

Pedro Pinho, Luísa Homem, Leonor Noivo e Tiago Hespanha, baseando-se na peça The Nothing Factory, de Judith Herzberg, e na adaptação teatral de Jorge Silva Melo, receberam o troféu Melhor Argumento Adaptado, e Cláudia Oliveira, Edgar Feldman e Luísa Homem o Prémio Sophia de Melhor Montagem.

Mais ou menos inevitável, depois da sua grande interpretação em Fátima, de João Canijo, era Rita Blanco ser considerada a Melhor Actriz Principal.

Venceu a sua companheira de rodagem, Anabela Moreira, e ainda Carla Galvão (A Fábrica de Nada) e Mariana Nunes (São Jorge).

Por muito que o importante seja concorrer, o sabor amargo da derrota coube a Al Berto.

Candidato a Melhor Filme (Ukbar Filmes), Melhor Actor e Melhor Actriz principais (José Pimentão e Raquel Rocha Vieira), Melhor Secundário (Duarte Grilo), e ainda a Melhor Argumento Original (Vicente Alves do Ó), Melhor Direcção Artística (Joana Cardoso), Melhor Maquilhagem e Cabelos (Abigail Machado e Mário Leal) e Melhor Guarda-Roupa (Joana Cardoso), acabou por contentar-se com a vitória de Pedro Melo, Elsa Ferreira e Branko Neskov na categoria Melhor Som.

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Outros prémios

 

Prémios Sophia Carreira 2018: Ana Lorena, Artur Correia, Lauro António

Melhor Série/Telefilme: Madre Paula, RTP.

Melhor Documentário em Longa-Metragem: Nos Interstícios da Realidade ou o Cinema de António de Macedo, de João Monteiro.

Melhor Documentário em Curta-Metragem: O Homem Eterno, de Luís Costa.

Melhor Curta-Metragem de Animação: A Gruta De Darwin, de Joana Toste.

Melhor Curta-Metragem de Ficção: Coelho Mau, de Carlos Conceição.

Melhor Banda Sonora Original: Rita Redshoes & The Legendary Tigerman – Ornamento e Crime.

Melhor Canção Original: Fim, interpretação e composição de Lúcia Moniz – Uma Vida à Espera.

Prémio Sophia Estudante: Snooze, de Dinis Leal Machado.

Mais cinema português

Os melhores filmes portugueses de 2017

O ano de 2017 assistiu à estreia de vários filmes portugueses com muita qualidade. Na ficção, como Fátima, de João Canijo, São Jorge, de Marco Martins, ou Fábrica de Nada, de Pedro Pinho. E no campo do documentário, onde se destacaram Ama-San, de Cláudia Varejão, e Nos Interstícios da Realidade ou o Cinema de António de Macedo, de João Monteiro.

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