Pousada de Lisboa: a bolsa ou a (rica) vida? As duas

Talvez dê por si a ponderar se confia mais no sistema bancário ou no cofre do seu quarto de hotel. É o que dá instalar-se com vista para o Banco de Portugal.

Fotografia:Diana Tinoco

Uma mente intranquila acusa dificuldade em desligar da corrente, mesmo quando deposita o seu corpo nas mãos do mais competente dos massagistas. “Tem dificuldades em descontrair?” Verdade, David. Desde sempre, para sermos mais exactos, muito antes da derrocada da banca.

Pousada de Lisboa

“Serenity” é a mensagem espalhada no Magic Spa depois de um dia de trabalho. Um serviço exclusivo que alivia tensões musculares, para uma viagem revigorante à base de hortelã-pimenta, eucalipto, rosmaninho e amêndoas doces. Durante uma hora de indulgência afaste cogitações de toda a espécie sobre políticas monetárias, supervisões comportamentais e regulação de mercados cambiais.

Lembre-se que do outro lado se espraia o Terreiro do Paço e o rio, esse Tejo que em 1775 galgou quase tudo o que havia para galgar num primeiro de Dezembro que foi o último para milhares de lisboetas. Ok, isso não ajuda a relaxar, mas é nesta mesma Praça do Comércio, nobre sala de visitas alfacinha e destacado elemento no plano de reconstrução do Marquês, que se ergue a Pousada de Lisboa, o seu refúgio perfeito. Só podia respirar-se pombalino nesta unidade Pestana, onde os corredores se enchem de estátuas cedidas pelo Museu da Cidade, de autores como Leopoldo de Almeida. Por aqui convivem Infante D. Henrique, a Culpa, o Anjo da Vitória e outros gessos patinados, ou a evocação dos míticos Painéis de São Vicente no ameno Pátio Amália, onde se serve o pequeno-almoço; e não há arte maior do que a da gula.

No Terreiro do Paço

No quarto, a decoração de linhas simples em tons neutros, faria Sebastião de Carvalho e Melo rejubilar de orgulho. O mestre do urbanismo diria ainda “What else?” quando desse uso à máquina Nespresso disponível nos seus aposentos e passaria o resto da jornada no hotel a esclarecer a sua nacionalidade. Não estranhe se for abordado quase sempre em inglês quando se movimentar por aqui. A fauna é esmagadoramente forasteira e o idioma standard prevalece. É para estes hóspedes oriundos da Europa dos bancos (ainda) mais ou menos robustos que certos detalhes se impõem, e certamente merecerão vigoroso aplauso. Em cada quarto encontra um smartphone à sua disposição, que pode transportar cidade fora, com acesso ilimitado a internet e ainda 30 minutos à borla de chamadas internacionais. Pela nossa parte, ficamos satisfeitos com o índice de conforto do colchão, o superavit de almofadas, e as sempre maravilhosas amenities Castelbel. Só não percebemos como é que as movimentações do vizinho do lado nos chegam de forma tão audível. Se quiséssemos roubar um banco éramos logo apanhados.

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