Sete livros infantis curtinhos que valem a pena

Animais imaginados, muito "what if" e até um Nobel. Procure estes livros infantis da colheita de 2017.

Se as Maçãs Tivessem Dentes

Todos são curtinhos, mas para tomar o seu tempo a maravilhar-se com as páginas ilustradas e até – indispensável – a multiplicar as histórias que saltam delas e não estão no texto. Estes livros infantis juntam prosa curta, verso ou dispensam mesmo o texto, mas nunca a ilustração aprimorada e cheia de bons esconderijos. Permita-se abrir a boca de espanto com estas sete histórias em mundos alternativos. 

Sete livros infantis

Aqui há Gato!
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Aqui há Gato!

É curioso que esta breve história sobre um rei, a lei e a capacidade de quebrar a rotina seja ilustrada em todas as páginas com códigos de barras. Não vale a pena porém querer fazer análises à sociedade capitalista de consumo através de Aqui há Gato! El-Rei Dom Chato vivia na rotina de fazer tudo igual todos os dias e à mesma hora, até que Dona Cristina cortou essa lei ao dizer “basta” e fez-se uma revolução com burros a uivar, pássaros a miar e árvores a irem ao cabeleireiro. O primeiro livro da ilustradora brasileira Renata Bueno em Portugal foi escrito por Rui Lopes, tradutor de alguns outros títulos da colecção Orfeu Mini. O formato é também ele mini, a preto, branco e um vermelho alaranjado que fica a ressoar tanto na cabeça como o sorriso do gato Silvestre.

Rui Lopes (texto) e Renata Bueno (ilustração), Orfeu Negro, 9,90€

Se as Maçãs Tivessem Dentes
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Se as Maçãs Tivessem Dentes

Um exercício de "e se", ou se quiser uma perspectiva pedagógica, um exercício para aprender a usar o conjuntivo. Se as Maçãs Tivessem Dentes lança-se numa especulação que nunca deixa de fazer sentido – afinal, se esta fruta tivesse dentes aquela história do pecado original estava embargada e o logotipo da Apple tinha de ser redesenhado. O texto de Shirley Glaser com frases curtas e às vezes rimantes como “se um jacaré se disfarçasse de mala, emalava quem fosse comprá-la” completa-se com as ilustrações coloridas de Milton.

Shirley Glaser (texto) e Milton (ilustração), Bruaá Editora, 14€

O Piolho Sabe Que
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O Piolho Sabe Que

O conhecimento de um piolho não deve ser negligenciado: são especialistas no pêlo de girafas, de ovelhas, de ursos. Por muito variados que sejam os habitats de um piolho, o que ele nunca viu foi a vida num quintal, a comer um gelado. Ou então anda enganado e em não anda nada a correr no pelo de girafas, ovelhas e ursos – a dúvida está lançada nas ilustrações de O Piolho Sabe Que. É afinal aquilo a que Boaventura Sousa Santos chama um "ignorante especializado". Mathis e Aurore Petit lembram que por muitas pilosidades que conheçam, os piolhos não sabem muito sobre o que se passa fora da pele da bicharada.

Mathis (texto) e Aurore Petit (ilustração), Orfeu Negro, 9,90€

Animais e Animenos e outros bichos mais pequenos
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Animais e Animenos e outros bichos mais pequenos

Não são bem animais, são “animenos,/ Bichos tal qual os demais/ Mas tendo bastante menos”. Os versos de Rita Taborda Duarte apostam em unir opostos e com isso criar jogos de palavras para que é preciso ter olho aberto e boca treinada em trava-línguas – “são então mais que pequenos,/ Só podem ser pequemenos” – e falam de um rebanho de animais, mais pequenos do que “a migalha da migalha” mas que não se vêem em microscópios – só com os olhos bem fechados. Os desenhos de Pedro Proença criam figuras entre os insectos, os micróbios e um animalário surrealista. Ou talvez tudo isto ao mesmo tempo.

Rita Taborda Duarte (Texto) e Pedro Proença (ilustrações), Caminho, 12,90€

Aquário
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Aquário

Para ler Aquário é preciso olho vivo e atenção redobrada porque não há aqui a bengala das palavras. O texto são as ilustrações da argentina Cynthia Alonso e assim a história se torna tendencialmente mais universal sem necessidade de grandes traduções. A garota que gosta de ir para junto de um lago estar com os peixes cede à tentação de construir um intricado aquário em casa, cheio de mangueiras e ligações entre vasos. A sua saga conta-se num formato horizontal, excepcional como este conto divertido e ternurento.

Cynthia Alonso (texto e ilustrações), Orfeu Negro, 12,90€

Crac!
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Crac!

Não sabemos se Carmen Chica e Martina Manyà se inspiraram no hit dos Rádio Macau, O Anzol, para criar Crac!, a história de uma comunidade que se une para pintar o céu... de tons de azul? Não, de várias outras cores, do amarelo ao cor-de-rosa, com todas as hipóteses que isso abre: afinal, o amarelo é a cor dos desertos do Egipto onde há múmias, e o cor-de-rosa é a cor do algodão doce peganhento. O estalar das camadas sucessivas de cor é uma oportunidade para restabelecer a ordem das coisas (e talvez usar um primário).

Carmen Chica (Texto) e Martina Manyà (ilustrações), Orfeu Negro, 14€

Sara e o Mago
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Sara e o Mago

A homenagem ao Nobel da literatura português é declarada logo no título que, com as duas letrinhas ao meio de um tamanho pequenino, pode quase ler-se Saramago. Lá dentro, as referências continuam e vão adensando-se, primeiro com a pedra cortada em diamante da Casa dos Bicos do início do livro, despois com uma Península Ibérica que é uma jangada (de pedra, claro) e finalmente com um Mago que tem a cara de José Saramago. O texto do norte-americano John Wolf em Sara e o Mago mete títulos de Saramago pelo meio e às vezes parece encaminhar-se só para que esses títulos possam aparecer. As ilustrações de Manel Cruz ajudam a contar a história deste Mago que sai da sua ilha (a um ano de distância do continente) para se abastecer de papel.

John Wolf (texto) e Manel Cruz (ilustrações), Livros Horizonte, 10,10€

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