Global icon-chevron-right Portugal icon-chevron-right Lisboa icon-chevron-right Dez versões clássicas de “Let's Call the Whole Thing Off”
Música, Compositor, George Gershwin (1937)
©Carl Van Vechten George Gershwin (1937)

Dez versões clássicas de “Let's Call the Whole Thing Off”

Como uma divergência na pronúncia de algumas palavras foi resolvida sem necessidade de um Acordo Fonológico

Por José Carlos Fernandes
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A letra de “Let's Call the Whole Thing Off” dá conta de um romance que está a perder gás, devido a um crescendo de pequenas divergências entre os dois enamorados: “Sabe Deus como irá isto acabar/ Estou completamente desorientado/ Dir-se-ia que nós dois nunca seremos um/ Alguma coisa tem de ser feita”. Mas quando começa a enumeração dos desentendimentos, estes ficam-se pela pronúncia de algumas palavras (uma divergência que, claro, é intraduzível): “You say either and I say either/ You say neither and I say neither/ Either, either neither, neither/ [...] You like potato and I like potahto/ You like tomato and I like tomahto/ Potato, potahto, tomato, tomahto [...]”

A conclusão é que a vida assim é impossível, pelo que “o melhor é acabar com tudo” – mas, se isso acontecer, “teremos de separar-nos/ E se alguma vez nos separarmos, isso partirá o meu coração”. Haverá, pois, que pensar numa forma de reaproximação: “If you like pyjamas and I like pyjahmas,/ I'll wear pyjamas and give up pyjahmas”, pois “sabemos que precisamos um do outro/ E por isso é melhor acabar com isto/ O melhor é acabar com tudo”. E a conciliação estende-se a outras áreas: “You say Havana and I say Havahnah/ You eat banana and I eat banahnah/ Havana, Havahnah, banana, banahnah/ Let's call the whole thing off/ [...] If you say oysters and I say oysters/ I'll eat oysters and give up oysters”.

George & Ira Gershwin compuseram esta canção para o filme Shall We Dance, de 1937. A 9 de Julho de 1937, quando trabalhava nesta banda sonora, George Gershwin, que vinha a queixar-se há algum tempo de dores de cabeça e perda de coordenação motora, sofreu um colapso e foi levado para o hospital, onde lhe foi diagnosticado um tumor cerebral – faleceria dois dias depois.

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Dez versões clássicas de “Let's Call the Whole Thing Off”

1. Fred Astaire & Ginger Rogers

Ano: 1937

A canção foi estreada no grande ecrã por Fred Astaire e Ginger Rogers: o par vai alternando os versos da canção e depois lançam-se numa dança sobre patins que termina numa queda aparatosa.

[Excerto de Shall We Dance]

2. Joe Haymes

Ano: 1937

A primeira gravação foi realizada pela orquestra de Joe Haymes a 11 de Março de 1937, ainda antes da estreia do filme, que teve lugar a 7 de Maio.

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3. Marian McPartland

Ano: 1955
Álbum: Marian McPartland at the Hickory House (Capitol)

Quando, aos 17 anos, Marian McPartland (1918-2013) prestou provas de admissão na prestigiada Guildhall School of Music, em Londres, foi observado que possuía “um perigoso excesso de imaginação”. O sonho dos seus pais em ver Marian tornar-se numa pianista de concerto esfumou-se quando ela começou a mostrar forte inclinação pelo jazz, uma área em que o seu “perigoso excesso de imaginação” veio a revelar-se uma preciosa qualidade. A estreia de McPartland em nome próprio deu-se com Jazz at Storyville (1952) e Marian McPartland at the Hickory House foi o seu 7.º disco, contando com Bill Crow (contrabaixo) e Joe Morello (bateria), reforçados nalgumas faixas por Ruth Negri (harpa) e George Koutzen (violoncelo). O álbum é apresentado como sendo um “live”, mas trata-se na verdade de uma gravação de estúdio com aplausos adicionados, uma “falsificação” usual numa época em que a qualidade sonora dos registos ao vivo costumava deixar muito a desejar.

4. Buddy DeFranco

Ano: 1956
Álbum: Wailers (Norgran)

O clarinete foi um dos instrumentos mais proeminentes na Era do Swing, mas teve poucos cultores entre os beboppers. Um deles foi Buddy DeFranco (1923-2014), que se estreou em 1950 no septeto de Count Basie (que dissolvera temporariamente a sua big band) e gravou em nome próprio pela primeira vez em 1952. Quatro anos depois surgiu Wailers, com Harry “Sweets” Edison (trompete), Barney Kessel (guitarra), Jimmy Rowles (piano), Bob Stone (contrabaixo) e Bobby White (bateria).

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5. Ella Fitzgerald & Louis Armstrong

Ano: 1956
Álbum: Ella & Louis (Verve)

Fitzgerald e Armstrong já se tinham cruzado esporadicamente na década de 1940, mas as suas colaborações mais marcantes são os três discos gravados para a Verve em 1956-59, o primeiro dos quais foi este Ella & Louis.

Ella e Louis têm o apoio do quarteto do pianista Oscar Peterson, com Herb Ellis (guitarra), Ray Brown (contrabaixo) e Buddy Rich (bateria).

6. Billie Holiday

Ano: 1957
Álbum: Body and Soul (Verve)

Há quem ouça nos últimos álbuns de Billie Holiday a sombra de uma grande cantora de jazz debilitada pela toxicodependência e pelas desilusões amorosas. Mas se é verdade que, do ponto de vista estritamente técnico, a voz de Holiday já conhecera melhores dias, a sua expressividade estava mais apurada do que nunca e a superior qualidade das gravações tardias, aliada à excelência dos músicos recrutados para a acompanhar, reequilibram a balança. Em Body and Soul, a equipa contou com Harry Edison (trompete), Ben Webster (saxofone), Jimmy Rowles (piano), Barney Kessel (guitarra), Red Mitchell (contrabaixo) e Larry Bunker (bateria).

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7. Sarah Vaughan

Ano: 1957
Álbum: Sings George Gershwin (Verve)

É possível que a aclamação com que foram recebidos os Song Books de Cole Porter (1956) e Rodgers & Hart (1956) por Ella Fitzgerald tenha motivado Vaughan a fazer algo similar. O Song Book de Gershwin teve arranjos de Hal Mooney.

8. Oscar Peterson

Ano: 1959
Álbum: Oscar Peterson Plays the George Gershwin Song Book (Verve)

Oscar Peterson gravou dois álbuns em trio dedicados às composições de Goerge Gershwin: um em 1951, para a Mercury, com Barney Kessel (guitarra) e Ray Brown (contrabaixo); outro em 1959, para a Verve, com Ray Brown (contrabaixo) e Ed Thigpen (bateria). Este “Let’s Call the Whole Thing Off” faz parte do segundo.

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9. Ella Fitzgerald

Ano: 1959
Álbum: Ella Fitzgerald Sings the George & Ira Gershwin Song Book (Verve)

O Song Book dedicado a Gershwin foi o mais imponente da série gravada por Ella, contendo 59 canções, com arranjos de Nelson Riddle, distribuídas por cinco LPs.

10. George Shearing

Ano: 1960
Álbum: Latin Affair (Capitol)

Em 1960, o pianista George Shearing já tinha atrás de si dez anos a gravar como líder e uma vintena de álbuns. Latin Affair não foi um “caso amoroso” isolado com a música latina (sob a forma do tratamento “tropical” de standards): antes já registara Latin Escapade (1956) e Latin Lace (1958). Ainda que a formação seja identificada na capa do discos como “George Shearing Quintet”, as incursões latinas são feitas em sexteto, pela adição à equipa de Armando Peraza (congas); os outros elementos são o guitarrista Toots Thielemans (que se tornaria famoso como tocador de harmónica), o vibrafonista Warren Chiasson, o contrabaixista Carl Pruitt e o baterista Roy Haynes.

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