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Miles Davis
©Oliver Nurock Miles Davis

Dez versões clássicas de “Someday My Prince Will Come”

Quem diria que a canção que a Branca de Neve canta aos Sete Anões se iria converter numa favorita dos músicos de jazz?

Por José Carlos Fernandes
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Houve muitas canções que se converteram em standards tocados por músicos de jazz em todo o mundo, quando, à partida, não pareciam estar fadadas para tal, mas a candidata mais improvável é “Someday My Prince Will Come”, que foi composta para a banda sonora do filme de animação da Walt Disney Branca de Neve e os Sete Anões (Snowy White and the Seven Dwarfs), estreado em 1937.

“Someday My Prince Will Come” tem música de Frank Churchill e letra de Larry Morey e é cantada pela Branca de Neve como canção para embalar os sete anões, reaparecendo no final do filme, quando ela encontra o seu Príncipe Encantado.

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Dez versões clássicas de “Someday My Prince Will Come”

1. Dave Brubeck

Ano: 1957
Álbum: Dave Digs Disney (Columbia)

Foram precisas duas décadas para que os jazzmen se aventurassem a gravar a cançoneta. Aconteceu no segundo álbum do pianista Dave Brubeck para a Columbia, consagrado à música de três filmes de animação da Disney: Alice no País das Maravilhas, Pinóquio e Branca de Neve e os Sete Anões. Nas mãos de um músico mais convencional, o conceito poderia ter resultado açucarado e sentimentalão, mas Brubeck descobre ângulos inesperados na canções e dá-lhes a volta – e se o solo de saxofone alto de Paul Desmond se pauta pela elegância, já o solo de piano é assaz arrevesado. O quarteto tem na bateria Joe Morello e no contrabaixo Norman Bates, que, no ano seguinte, daria lugar a Eugene Wright, fixando a formação clássica do Dave Brubeck Quartet.

2. Bill Evans

Ano: 1959
Álbum: Portrait in Jazz (Riverside)

Portrait in Jazz foi o quinto disco de Evans como líder e o primeiro com Scott LaFaro (contrabaixo) e Paul Motian (bateria), trio que, apesar de ter tido vida breve, marcou o jazz de forma indelével. “Someday My Prince Will Come”, que aqui é transformada numa valsa elegante e sofisticada, não voltaria a sair do repertório de Evans e pode ser ouvida, entre outros discos, em Paris Concert e On a Monday Evening.

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3. Miles Davis

Ano: 1961
Álbum: Someday My Prince Will Come (Columbia)

Apesar da sensação causada pela versão de Evans para “Someday My Prince Will Come”, a mais famosa leitura jazz da canção é, talvez, a que foi gravada dois anos depois pelo quinteto de Miles Davis.

O trompetista, que obtivera aclamação generalizada com Kind of Blue (1958), apresenta-se aqui com uma formação com várias mudanças: mantêm-se Wynton Kelly (piano), Paul Chambers (contrabaixo) e Jimmy Cobb (bateria), mas, com a saída de Julian “Cannonball” Adderley e John Coltrane para carreiras em nome próprio, o saxofone passa a estar confiado a Hank Mobley, o que não impediu que Coltrane ainda desse o seu contributo em “Someday My Prince Will Come” e “Teo”, em que o quinteto é expandido a sexteto. Na primeira, após os solos de Davis, Mobley e Kelly e da reexposição, dir-se-ia que a peça se aproxima do término, quando, do nada, irrompe o extraordinário solo Coltrane, de uma acutilância e veemência ao arrepio da atmosfera geral e que ajuda a perceber, se tal fosse necessário, a decisão de Coltrane de trilhar o seu próprio caminho.

4. Wynton Kelly

Ano: 1961
Álbum: Someday My Prince Will Come (Vee-Jay)

O álbum de Miles Davis foi registado em Março de 1961 e, cinco meses depois, a secção rítmica dessa sessão – Wynton Kelly, Paul Chambers e Jimmy Cobb – voltava a gravar “Someday My Prince Will Come”, escolha que não decorreu certamente do acaso. Porém, esta sessão em trio de Agosto de 1961 acabou por ficar na prateleira e só foi editada em 1977, suplementada por faixas em trio de 1960 e uma faixa em quinteto de 1959, sob um título propiciador de equívocos.

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5. Helen Humes

Ano: 1961
Álbum: Swingin’ with Humes (Contemporary)

Helen Humes (1913-1981) fora cantora na orquestra de Count Basie em 1940-42 e estreara-se, tardiamente, em nome próprio em 1959, com ‘Tain’t Nobody’s Bizness if I Do, um título desafiador que foi substituído nas reedições por um anódino Helen Humes. No seu terceiro álbum, Swingin’ with Humes, a cantora conta com um pequeno combo com Joe Gordon (trompete), Teddy Edwards (saxofone), Al Viola (guitarra), Wynton Kelly (piano), Leroy Vinnegar (contrabaixo) e Frank Butler (bateria).

6. Grant Green

Ano: 1962
Álbum: Born To Be Blue (Blue Note)

Born To Be Blue faz parte dos muitos discos que o guitarrista Grant Green gravou no início da década de 1960 para a Blue Note e só viram a luz do dia anos mais tarde – neste caso em 1985. A sessão contou com Ike Quebec (saxofone), Sonny Clark (piano), Sam Jones (contrabaixo) e Louis Hayes (bateria) e a sua leitura de “Someday My Prince Will Come” é ligeira, fluida e transparente.

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7. The Three Sounds

Ano: 1963
Álbum: Anita O’Day & The Three Sounds (Verve)

Embora O’Day seja o nome mais sonante, o álbum é mais de The Three Sounds – trio formado por Gene Harris (piano), Andrew Simpkins (contrabaixo) e Bill Dowdy (bateria) e que esteve activo entre 1956 e 1973 – do que da cantora, que está ausente em cinco das dez faixas – é o caso de “Someday My Prince Will Come”.

8. Helen Merrill

Ano: 1963
Álbum: Helen Merrill in Tokyo (King Records)

Helen Merrill (n. 1930, Nova Iorque) teve um percurso incaracterístico, quando comparado com a maioria das cantoras de jazz suas compatriotas e contemporâneas: tendo obtido acolhimento mais favorável na Europa do que nos EUA, acabou por passar a maior parte do tempo no Velho Continente, associando-se a músicos como Piero Umiliani e Ennio Morricone (com quem gravou um disco de canções italianas). A estima de que Merrill gozava no Japão explica a gravação deste In Tokyo, que apenas teve edição japonesa e contou com o baterista Takeshi Inomata e os seus West Liners, formados por Akira Nakano (trompete), Shigeo Suzuki, Tadayuki Harada e Jiro Inagaki (saxofones), Norio Maeda (piano) e Tatsuro Takimoto (contrabaixo). O sucesso de Merrill no Japão acabou por levar a que vivesse neste país entre 1966 e 1972.

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9. Don Patterson

Ano: 1965
Álbum: The Boss Men (Prestige)

Don Patterson foi um dos pianistas que trocou o seu instrumento pelo órgão Hammond B-3 depois de ouvir Jimmy Smith. Estreou-se a gravar em nome próprio em 1963 e The Boss Men foi o seu sétimo álbum, que tal como a maioria dos anteriores, adopta o consagrado formato órgão + saxofone (Sonny Stitt, seu parceiro recorrente) e Billy James (bateria).

10. Ethel Ennis

Ano: 1964
Álbum: My Kind of Waltztime (RCA Victor)

A cantora Ethel Ennis estreou-se a gravar em nome próprio em 1955 (tinha então 23 anos), mas a sua carreira é cortada por longos hiatos, decorrentes do pouco empenho das editoras na promoção da sua música e do declínio da popularidade do jazz após a explosão da pop-rock no início da década de 60. My Kind of Waltztime, com a orquestra de Dick Hyman, foi o seu sétimo álbum (o quarto para a RCA/Victor) e seria seguido por um período de oito anos sem discos. A versão de Ennis para “Someday My Prince Will Come” atesta quão injustos são as dificuldades que enfrentou e o olvido em que caiu.

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