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O Sol da Caparica é de todos

O Sol da Caparica é um festival e uma celebração da lusofonia. Com um cartaz onde Portugal, Brasil e África confluem

Luís Filipe Rodrigues
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O Sol da Caparica é um festival e uma celebração da lusofonia. Desde a primeira edição, em 2014, que a música e língua portuguesas são as que mais se ouvem no Parque Urbano da Costa da Caparica. Este ano, mais uma vez, a maior parte dos artistas que vão passar pelo recinto entre os dias 15 e 18 de Agosto continuam a ser portugueses. A grande diferença é que agora há mais estrangeiros (do Brasil e da África lusófona) do que nunca no cartaz, e em posições de destaque.

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O Sol de África

Os artistas africanos encontram-se em destaque no primeiro dia do festival. O cabeça de cartaz é o cantor romântico Matias Damásio, recordista angolano na modalidade de venda de discos, com 75 mil cópias despachadas num só dia. Continua a apresentar o álbum Augusta, do ano passado. Segue-se Anselmo Ralph, que apesar de ter nascido em Angola é há vários anos um dos mais mediáticos artistas em Portugal, popularizando a kizomba no país e levando o género mais longe do que ninguém, aproximando-o do r&b contemporâneo. Vai levar convidados à Costa da Caparica. O terceiro maior nome do dia é Mayra Andrade, cantora cabo-verdiana que viveu e cresceu à volta do mundo. Continua a dar voz às canções de Manga, disco do ano passado onde combina os sons da música africana contemporânea com as suas raízes cabo-verdianas. 

Estes três são os maiores nomes, porém não são os únicos. Na quinta actuam ainda os kizombeiros Kyaku Kyadaff, Rui Orlando, Leo Príncipe, Halison Paixão e Twenty Fingers. O músico cantor e compositor cabo-verdiano Dany Silva toca na sexta-feira. Por fim, no sábado, actua o colectivo de hip-hop Força Suprema, cujos membros NGA, Don G. e Prodígio vivem há muito em Portugal, mas nasceram em Angola e são objecto de um culto fervoroso no seu país natal.

O Sol do Brasil

O brasileiro Seu Jorge é um dos nomes mais sonantes que se vão ouvir ao longo destes dias na margem sul. Nascido do Brasil, foi e continua a ser o protagonista de uma rara história de sucesso, que começou na favela, teve capítulos em Hollywood (com destaque para a participação no filme Um Peixe Fora de Água, de Wes Anderson, que mostrou a sua música a um público global) e continua a desenvolver-se nos palcos e nos discos que toca. O samba é uma das suas grandes paixões, se bem que nas suas canções também se ouvem ecos da mpb, do funk, da folk e da pop-rock. Toca na sexta-feira, que também é dia de festa I Love Baile Funk na Costa.

No sábado, os cabeças de cartaz também são brasileiros. No encerramento do palco principal, vai ouvir-se o funk-pop carioca da cantora e compositora Ludmilla. Antes actua Gabriel O Pensador, que apesar de ser brasileiro foi uma figura-chave nos primórdios do hip-hop nacional, ajudando à aceitação do português como uma língua para o rap.

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O Sol de Portugal

O cantor de pop/r&b português David Carreira está entre os cabeças de cartaz. O grupo de pop rapado D.A.M.A. também se destaca no mesmo dia, no entanto os nomes mais interessantes são três: a banda de indie rock Linda Martini, o cantor e compositor folk Benjamim e Flak, o guitarrista e fundador dos Rádio Macau e Micro Audio Waves, que continua a apresentar o álbum a solo Cidade Fantástica.

A comitiva nacional surge reforçada na sexta-feira, mesmo que o cabeça de cartaz seja um brasileiro (já lá vamos). Vão ouvir-se os fados de Mariza, uma das mais populares e internacionais cantoras portuguesas dos últimos anos; o hip-hop de Carlão, que apesar da já anunciada reunião dos Da Weasel continua a cantar as canções que vem escrevendo a solo; o jazz vocal (ou será folk? Ou apenas pop?) de Luísa Sobral; a pop portuguesa do veterano Luís Represas, que editou Boa Hora em 2018; e a pop-rock dos Jamufega, históricos da da pop-rock portuense dos anos 80 que se reuniram há meia dúzia de anos. Fred e The Happy Mess são outros nomes confirmados.

No sábado, o hip-hop é o que mais se vai ouvir na Costa da Caparica. Estão representados rappers de várias gerações e nacionalidades, do pioneiro Boss AC ao popular Plutónio e o luso-americano Mishlawi, passando por Truekey. Para quem prefere outras músicas, há o rock psicadélico dos Capitão Fausto, que continuam a apresentar o álbum A Invenção do Dia Claro. Há ainda o reggae de Richie Campbell, o dancehall dos Supa Squad ou a electrónica de RIOT (ex-Buraka Som Sistema) e Karetus.

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