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A partir da Graça, Cristal Jung quer conquistar a cidade com o seu kimbap

A cozinheira autodidacta sul-coreana abriu o Kimbap de Belém, na Rua da Graça. Destaca-se o prato que lhe dá nome, seguido do ramyeon, bibimbap e tteokbokki. O plano é expandir para outras zonas de Lisboa.

Beatriz Magalhães
Escrito por
Beatriz Magalhães
Jornalista
Kimbap de Belém
Rita Chantre | Cristal Jung, proprietária do Kimbap de Belém
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Há um novo restaurante na Graça que se chama Kimbap de Belém. Pode parecer confuso quando um restaurante que tem “Belém” no nome fica, na realidade, na ponta oposta da cidade, mas há uma explicação muito simples. Há cerca de um ano e meio, Cristal Jung mudou-se com a família de Seul para Lisboa. Sempre gostou de cozinhar e, movida por essa mesma paixão, decidiu que queria abrir um sítio de kimbap, comida típica coreana. Começou a procurar espaços em Belém – porque é uma zona turística e também um dos seus locais preferidos – e encontrou um. Estava tudo pronto: nome, logótipo, t-shirts. Foi então que surgiram problemas com o contrato e Cristal Jung teve de esquecer Belém. Acabou por abrir na Rua da Graça, no final do passado Novembro. A vontade agora é de expandir para o resto da cidade.

Cristal Jung foi professora de música durante 20 anos e trabalhou dez anos como maestrina assistente de uma orquestra de sopros antes de vir para Portugal. Nunca trabalhou na área da restauração, mas em casa não havia quem a tirasse da cozinha. “Eu gosto muito de comida caseira. Quando morava na Coreia, trabalhava e estava sempre ocupada, mas mesmo assim cozinhava todos os dias para a minha família – tenho três filhos”, começa por contar a proprietária e cozinheira. “A comida caseira é importante para mim: é a forma de uma mãe dar amor e carinho. É ao cozinhar que posso expressar esses sentimentos e partilhá-los com quem eu mais gosto.”

Kimbap é uma das suas especialidades. É o que dizem os seus amigos, coreanos e portugueses, que, aliás, foram quem a incentivou a abrir um restaurante. “Eles estavam sempre a dizer-me que o meu kimbap era delicioso e que devia abrir um espaço. Naquela altura era uma brincadeira – só depois é que comecei a pensar mais nisso. Lisboa tem muitos restaurantes asiáticos, mas o kimbap, que comemos regularmente no dia-a-dia, ainda não era muito conhecido”, diz, explicando que este prato coreano, semelhante a um rolo de sushi, costuma ser uma refeição rápida e leve para dias mais atarefados.

Kimbap de Belém
Rita Chantre
Kimbap de Belém
Rita Chantre

Ainda assim, não deixa de ser complexa. “Para recriar a textura do arroz coreano – leve, consistente e ligeiramente elástico – tive de ajustar o tipo de arroz, a quantidade de água e o método de cozedura, de forma a atingir o sabor e textura que conhecemos na Coreia”, continua. Há seis variedades de kimbap (10€-12€). Todas levam cenoura, pepino, pickle de rabanete e arroz envolvidos em alga, mudam apenas os ingredientes principais, entre eles ovo, atum, tofu e cogumelos, ou bulgogi.

Para comer com o kimbap, à boa maneira coreana, o restaurante serve também ramyeon. No fundo, é uma espécie de ramen japonês – ao qual vai precisamente buscar inspiração –, no entanto, ao contrário deste, é feito com um caldo mais picante e leva noodles instantâneos. Há cinco opções e o que difere entre elas são os noodles utilizados: Jin, Shin, Buldak, Chapagetti ou Veggie (10€-11€). Cristal Jung está já a desenvolver novas receitas, pensadas para a clientela portuguesa, com marisco, cogumelos, carne ou legumes.

Kimbap de Belém
Rita ChantreKimbap de atum e maionese
Kimbap de Belém
Rita ChantreTteokbokki de queijo

Percorrendo o resto do menu, encontramos tteokbokki – original (10€) e de queijo (12€) –; kimchi (1€); bibimbap (12€), prato de arroz com legumes salteados, óleo de sésamo, pasta gochujang, ovo e carne ou tofu; dumplings (7€); e tofu frito (5€). Nas bebidas, há cerveja, sangria, leite (simples, de amêndoa ou com chocolate), sumo de laranja natural, chá, cocktails de soju, e “limonada” de ameixa verde e marmelo e água com gás.    

“O meu objectivo é preservar a profundidade dos sabores autênticos coreanos e, ao mesmo tempo, torná-los acessíveis e agradáveis, tanto para locais como para turistas”, afirma a cozinheira, acrescentando que, desde início, a ideia era ter um espaço descontraído, em que a comida transmitisse o mesmo conforto e intimidade que sentiríamos ao entrar na casa de uma família coreana.

Kimbap de Belém
Rita ChantreBibimbap
Kimbap de Belém
Rita ChantreRamyeon

O restaurante tem uma decoração simples: predominam os tons claros, que contrastam com os detalhes em laranja, que foi a cor escolhida para o logótipo; há duas mesas redondas de madeira; e, atrás do balcão, há uma pequena cozinha. O piso inferior, que senta 24 pessoas, está equipado com uma cozinha de apoio e mesas. Para quem não quiser pedir ao balcão, há logo à entrada uma máquina, igual àquelas que vemos nos restaurantes de fast-food, onde pode fazer o seu pedido.

Se já não o soubéssemos, esta seria uma boa pista para prever o futuro do Kimbap de Belém. Cristal Jung quer levar o kimbap a toda a cidade e explica-nos que quer replicar o modelo de cadeias sul-coreanas, como a Jongro Kimbap. “Quero abrir mais: Kimbap do Oriente, Kimbap das Amoreiras, Kimbap de Belém (desta vez, em Belém)...”, antecipa. Até lá, é na Graça que vai encontrar Cristal.

Rua da Graça, 67A (Graça). Seg-Sex 11.30-22.00, Sáb-Dom 10.30-22.00

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