Leonor Godinho, Marlene Vieira, Liz Almeida e Louise Bourrat
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As mulheres chefs que tem de conhecer em Lisboa

Em casa, a cozinha sempre foi das mulheres. Nos restaurantes, durante muito tempo pareceu ser uma ocupação só de homens. Mas o paradigma está a mudar. Em Lisboa, são delas alguns dos melhores restaurantes da cidade.

Hugo Torres
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As memórias de infância remetem-nos, muitas vezes, para os cozinhados das nossas mães e avós. São delas os pratos e sabores de que, secreta ou abertamente, andamos sempre à procura. Nos restaurantes, também não faltam mulheres. Então, como é que a gastronomia se transformou num mundo de homens? Durante muito tempo, salvo raras excepções, o reconhecimento público ficou todo para eles (como em quase tudo, aliás). Essa realidade está a mudar. Mais devagar do que deveria, é certo, mas já ninguém estranha – ou se atreve a estranhar – que uma mulher seja a empresária, a chef, a sommelier, o génio criativo. Em Lisboa, são delas alguns dos melhores restaurantes da cidade. Fizemos esta lista para o provar.

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As chefs que tem de conhecer em Lisboa

Alessandra Borsato

Natural de São Paulo, Alessandra Borsato está há anos deste lado do Atlântico. Trabalhou com Alexandre Silva no Loco e no Time Out Market. Depois, foi para o País Basco fazer um mestrado e, no regresso, assumiu a cozinha do Senhor Uva, onde permaneceu cerca de três anos. Em 2025 abriu o Flamma, em Campo de Ourique, o primeiro projecto próprio. Apesar de se centrar no fogo, servir pequenos espetos e ter um ambiente de neo-boteco, não é de um churrasco brasileiro que se trata. Com influências de toda a América Latina, de Portugal e de Espanha, a cozinha de Alessandra não conhece fronteiras, só produto, técnica e sabor.

Alice Conceição

Conhecida como Tia Alice, esta cozinheira natural da ilha de São Vicente não se intitula chef – mas é improvável que isso lhe tire o sono. Começou a cozinhar ainda criança, para os dez irmãos. Aos 30 anos mudou-se para Lisboa, onde trabalhou em vários restaurantes antes de abrir, em 2016, o Cachupa da Tia Alice, nas Laranjeiras (primeiro num espaço mais pequeno, depois no actual). E o prato que lhe dá nome rapidamente se tornou uma referência cabo-verdiana na cidade. Com vários familiares na equipa, incluindo o filho Cláudio Duarte, responsável pelas sobremesas, Alice Conceição é uma força e uma energia que se sente em todo o restaurante, da cozinha à sala (e à ocasional participação televisiva).

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Inga Martin

Com uma década de experiência em cozinhas profissionais, Inga Martin construiu um percurso entre restaurantes e projectos gastronómicos em várias cidades, do Algarve a Lisboa, passando pelo Porto e por Luanda. Chefiou a cozinha do Go A Lisboa, antes de subir (literalmente) ao Mona Verde, nas mesmas funções. Paralelamente, participa em projectos colaborativos, como foi o caso do Hand on Table. A sua cozinha privilegia produto, fogo e contrastes de sabor, o que resulta em pratos que têm frescura, cor e intensidade como principais características.

Joana Paramés

Num mundo escasso em mulheres pizzaiolas, Joana Paramés foi aprender a profissão à fonte, a Itália, mais exactamente ao Istituto Nazionale Pizzaioli. Formada em História da Arte e Museologia, tinha sido lá, em Roma, que tinha feito Erasmus, e foi para lá que regressou quando decidiu mudar de vida e dedicar-se à cozinha. Já em Lisboa, passou por casas como a Casanova, a Pizza a Pezzi e a Valdo Gatti, até fundar a sua própria micro-pizzaria. Na Coccinella, em São Domingos de Benfica, dedica-se à pizza al taglio romana, vendida à fatia, em rectângulos de massa de base crocante e toppings exuberantes.

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Juliana Penteado

Formada em pastelaria clássica e com percurso internacional, Juliana Penteado construiu carreira entre o Brasil e a Europa antes de se fixar em Lisboa. Natural de São Paulo, estudou no Le Cordon Bleu de Londres, trabalhou em Paris e integrou a equipa de pastelaria do 100 Maneiras. Em 2021 criou a sua primeira marca, a Barü. Agora, a marca é o seu próprio nome, com loja e laboratório em São Bento e segunda casa na Gleba da António Augusto Aguiar. As suas sobremesas delicadas e aromáticas combinam fruta, técnica e o uso distintivo de óleos essenciais. Conhecida pela estética cuidada dos seus doces, tem vindo a tornar-se uma figura cada vez mais conhecida do grande público, sendo convidada como co-apresentadora para as versões portuguesas do MasterChef e da gala Michelin.

Leonor Godinho

Forjada para a restauração na exigência do fine dining, Leonor Godinho começou por se dar a conhecer no MasterChef Portugal (ficou em terceiro na edição de 2014). Foi então que se instalou no Altis Belém Hotel & Spa, aprofundando técnica e método ora na Mensagem ora no estrelado Feitoria. No entanto, levantou voo em cozinhas mais informais: na Musa da Bica, onde o seu pastrami ganhou um pequeno culto, no Dr Bernard BoaVida e no Vago. Agora concentra-se em dois espaços seus: a Vida de Tasca, em Alvalade, onde honra exemplarmente a tradição dos restaurantes populares; e a Bibs, casa de sandes artesanais em Santos, baptizada com o nom de plume da chef do tempo dos blogues.

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Liz Almeida

Com uma abordagem aberta e criativa, Liz Almeida cruza influências de várias cozinhas internacionais – do Brasil ao País Basco, da Europa de Leste ao Médio Oriente –, trabalhando sobretudo com fogo e fumo. No Pils, está em casa. Com uma boa disposição quase tangível, a chef brasileira fala sério quando o assunto é carne no ponto, sustentabilidade e bombas de sabor. Óptimos exemplos são o “pastrami da Liz” (de coração de vaca, não diga a ninguém) e o porco saloio (Malhado de Alcobaça, diga a toda a gente). O seu trabalho valeu-lhe uma nomeação a Chef Revelação nos prémios Mesa Marcada de 2025.

Louise Bourrat

Chef luso-francesa com raízes no Norte do país, Louise Bourrat afirmou-se na gastronomia portuguesa à frente do Boubou’s, no Príncipe Real, restaurante que evoluiu de bistrô para fine dining e se tornou um dos mais afamados aspirantes a estrela Michelin de Lisboa. Em 2022 venceu o Top Chef francês, distinção que lhe deu o balanço necessário para se aventurar numa cozinha cada vez mais ambiciosa. Em paralelo com o restaurante gastronómico, tem desenvolvido outros projectos na cidade, como o Gancho, em Alfama, onde explora uma cozinha de conforto, e o Boubou’s Sandwich Club, que à noite se transforma no After Dark.

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Manuela Brandão

É transmontana e há quatro décadas que comanda a cozinha de um dos restaurantes com mais história na cidade. Primeiro no Bairro Alto e agora no Time Out Market, Manuela Brandão fez do Pap’Açorda um lugar de ilustres. Por lá passaram personalidades como Sean Connery e depressa se tornou poiso da classe política. A comida é sempre excepcional – revisitando a gastronomia clássica portuguesa com mestria. De Trás-os-Montes mantém "a humildade e o paladar", dizia ao Expresso, numa entrevista em 2018.

Marta Caldeirão

Marta Caldeirão lidera com André Coelho o Âmago, no Príncipe Real. O projecto aposta num formato intimista de chef’s table para apenas dez pessoas, com menus sazonais centrados em produto português e de influências asiáticas. Antes ainda de abrir o restaurante, em 2020, a dupla apresentou-se à cidade com o The Sandwich Project. O Âmago entraria para o guia Michelin em 2023, como recomendado. Não muito longe, criaram um segundo projecto, o wine bar Âmago A Cave, dedicado a vinhos portugueses de pequenos produtores e petiscos simples.

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Marlene Vieira

É a primeira mulher a conquistar uma estrela Michelin em Lisboa (e apenas a segunda em todo o país). Nascida na Maia, Marlene Vieira lidera três projectos na cidade, o mais ambicioso dos quais é o Marlene, (com vírgula), com o qual venceu a estrela, e vizinho do lado do mais informal Zunzum Gastrobar, ambos no Terminal de Cruzeiros, em Santa Apolónia. No Time Out Market, a sua fusão do receituário tradicional português com as técnicas da cozinha contemporânea são um sucesso sem rival. Em termos mediáticos, tornou-se um rosto familiar do grande público através da participação como jurada no MasterChef Portugal. É, sem favor, uma das figuras mais influentes da cozinha portuguesa actual.

Sandra Ruiz

Natural da Cidade do México, Sandra Ruiz chegou a Lisboa quase por acaso e acabou por fixar-se na cidade, onde começou a cozinhar para amigos e conhecidos. O entusiasmo à volta dos seus tacos e do pozole levou-a a abrir o Potzalia, no esquecido Centro Comercial Entrecampos. O pequeno restaurante rapidamente se tornou referência para quem procura cozinha mexicana autêntica. Mais tarde abriu o RePotzalia, entretanto encerrado. Hoje, o Potzalia funciona num espaço maior dentro da galeria onde nasceu, mantendo uma cozinha fiel às receitas tradicionais, com molhos, tortilhas e preparações feitas de raiz.

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