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Beber vinho natural e sujar as mãos no barro? Neste estúdio não se faz outra coisa

O que começou por ser apenas um atelier de cerâmica utilitária, transformou-se em algo mais. Em Marvila, Jonas e Naomi criaram um espaço com workshops de roda de oleiro e vinhos naturais.

Mauro Gonçalves
Escrito por
Mauro Gonçalves
Editor Executivo, Time Out Lisboa
Marvila Studio
Rita Chantre
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É entre galerias de arte que encontramos o Marvila Studio, um espaço a dois ritmos, com garrafas de vinho de um lado, barro do outro e um encontro a meio caminho, na forma de workshops de cerâmica bem regados. Para Jonas Lucker e Naomi Kerpner, o casal de anfitriões, é como uma extensão da sala de casa. Da necessidade de ter um espaço de trabalho, a ceramista procurou um sítio maior para trabalhar. Ele fazia planos para abrir um bar de vinhos em Lisboa – onde vivem há cinco anos –, mas acabou por perceber que tudo podia ganhar forma debaixo do mesmo tecto.

Marvila Studio
Rita Chantre

"A Naomi disse-me: vamos fazer alguma coisa juntos e ver como corre. E, de facto, passámos de um lugar de produção [de cerâmica] para um espaço que tem vinho e workshops, como se fosse a nossa sala de casa, onde sempre recebemos pessoas, bebemos vinho e fizemos grelhados", começa por explicar Jonas. "Somos um estúdio de cerâmica, durante o dia, que lentamente se vai transformando num bar de vinho", reafirma.

A sala é maioritariamente ocupada pelo barro e pelas ferramentas e equipamentos que permitem trabalhá-lo. Existe uma grande bancada de trabalho, ideal para acabamentos, uma zona de ferramentas e seis rodas de oleiro, onde os workshops acontecem. "Fazemos diferentes tipos de workshops. Muitas pessoas vêm apenas uma vez, trabalham nas peças e nós depois finalizamos. Temos os intensivos e depois temos pessoas que realmente querem aprender mais e voltam para ter várias aulas", apresenta Naomi. A roda é a técnica que mais ensina. Para grupos grandes, a ceramista abre uma excepção e dedica a aula à construção manual.

Marvila Studio
Rita ChantreNaomi Kerpner e Jonas Lucker

O vinho é o elemento extra. Chamam-lhe sip and spin (algo como beber e girar) e começa com a apresentação – e prova – de alguns vinhos propostos por Jonas. O favorito é desfrutado com tempo. "Ajuda as pessoas a relaxarem. Há alguma pressão na hora de mexer na roda pela primeira vez, algumas pessoas ficam um pouco stressadas. Assim, fica só a diversão", adiciona Jonas.

Quem não quiser sujar as mãos no barro e aparecer apenas para explorar a selecção de vinhos naturais e orgânicos do Marvila Studio também é bem-vindo. A partir das 18.00, os copos assumem protagonismo, com especial atenção para as sextas-feiras, que habitualmente trazem petiscos para cima da mesa, entre eles charcutaria variada e ostras. Pelo menos uma vez por mês, o casal desafia um restaurante a tomar conta da ementa. O último foi o Parra e Abril trará um novo convidado para comandar os tachos.

Nas estantes, vinho e cerâmica encontram-se. Ao lado das garrafas escolhidas por Jonas estão expostas as peças utilitárias feitas por Naomi. Muitas destinam-se a restaurantes, como é o caso das cuspideiras desenhadas e produzidas no estúdio para o Terroir, na baixa de Lisboa, outras nasceram para responder a necessidades próprias, como os vasos de fermentação.

Marvila Studio
Rita Chantre

O Marvila Studio junta entre 70 e 80 referências de vinho, provenientes de toda a Europa, mas com especial foco em Portugal. São vinhos naturais, escolhidos com cuidado redobrado no que toca ao impacto das culturais no ambiente que as circunda. "Tendemos a trabalhar com pequenos produtores que pratiquem uma agricultura orgânica, biodinâmica; que tentam regenerar o solo e criar biodiversidade num contexto de monocultura. É este respeito pela terra. Mas também é a vinificação – não compro nada que tenha sulfitos ou qualquer tipo de ajuste", explica Jonas. 

As escolhas "pouco comuns" têm atraído uma clientela local – da vizinhança, mesmo. Resultam de viagens feitas pelo Europa, com o único intuito de conhecer novos vinhos, vinhas e produtores. Por estes dias, são os tintos leves que mais conquistam os palatos que aqui entram. São, muitas vezes, de regiões mais frias, como a Áustria ou a Galiza. No que depender de Jonas e Naomi, entre o barro e o bar, haverá sempre novidades para provar no estúdio.

Rua Capitão Leitão, 64 (Marvila). Qua-Qui 11.00-18.00, Sex-Sáb 11.00-22.00

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