[category]
[title]
Três amigos de Milão pegaram na paixão por cocktails italianos e abriram um pequeno bar na Bica. Chama-se La Negroneria e já deixa antever qual é a especialidade da casa.

Num belo dia de sol, estavam sentados numa esplanada em Lisboa três amigos milaneses, Raffaele Foschini, Giacomo Colombo e Nicola Laforgia – este último tinha vindo visitar os camaradas que se mudaram para Portugal – quando pensaram: "Nós conseguíamos fazer um negroni melhor, mais rápido e mais barato”. A frase ficou a ecoar e, entre copos e conversas, começou a desenhar-se aquilo que hoje é a La Negroneria, o bar que abriu no final de Janeiro na Bica e que quer introduzir o cocktail italiano na noite do bairro.
Nenhum membro deste trio tem experiência bares ou restaurantes. Raffaele e Giacomo trabalhavam como analistas de dados e Nicola estudou Design — foi ele, aliás, quem liderou o desenho do espaço, procurando um encontro entre modernidade e o interior de uma garagem.
Mas a La Negroneria não nasceu logo com morada fixa. “A ideia surgiu há alguns anos”, recorda Raffaele. Começaram a testar o conceito em eventos pela cidade, primeiro na B Perfect Burgers, na Alameda, e depois em eventos no Cais do Sodré – no quiosque do Jardim Roque Gameiro, mas também no Bom, Mau e o Vilão. “Os eventos estavam a correr muito bem. As pessoas gostavam do conceito. Então, decidimos dar uma volta. Despedimo-nos dos nossos trabalhos e decidimos que nos íamos dedicar a este projecto”.
Em Outubro, conseguiram o espaço. Ainda em soft opening, já é possível provar os cocktails da casa. Neste pequeno bar, que permite pouco mais do que fazer o pedido e trocar umas palavras com os fundadores, sob pena de gerar uma fila, a bebida é para desfrutar na rua, em conversa com amigos ou estranhos e com vista para o rio. Uma oportunidade de ouro para praticar o italiano, dada a diversidade de sotaques regionais concentrados à porta do La Negroneria.
Mas porquê centrar as atenções no negroni? “O facto de nós amarmos negroni é a primeira razão”, explica Raffaele. Mas há também uma missão mais ampla. “Achámos sempre que a bebida italiana não era tão bem representada no estrangeiro como é a comida italiana”, continua.
Na base do cocktail está um autêntico amaro italiano – licor herbal de sabor agridoce, produzido através da infusão de ervas, raízes e cascas de citrinos em álcool, tradicionalmente, consumido como digestivo –, produzido numa fábrica perto de Milão, um “negócio de família”, descreve. Ao importar em grandes quantidades, conseguem manter os preços controlados. "É um pouco difícil encontrar bares com boas bebidas a seis ou sete euros. Mas essa é a nossa filosofia. Nós realmente queremos democratizar as bebidas”.
O menu divide-se em três secções. A primeira é a dos negronis, “que tem a concentração mais alta de álcool”: o Negroni (7€), o Sbagliato (7€), o Americano (7€), o Boulevardier (7€) e o Corretto (7€), além do Gin Tonic (7€). Seguem-se os Spaccati, “que é basicamente um Spritz”, com propostas como o Spaccato (6€) e o Rabarbaro (6€). A terceira é a secção sem álcool, onde entram o Hibiscus (5€) e o gin tónico sem álcool (5€). Há ainda cerveja (3,5€), vinho (4€), amaro (4€) e café (1€), este último a ganhar importância, num altura em que pensam em começar a abrir o bar também durante o dia. “Neste momento, estamos abertos apenas das 18.00 até meia-noite. Mas, em breve, vamos começar a expandir o horário”.
Outra particularidade é o facto de os cocktails serem pré-feitos, simplificando o serviço e abrindo caminho para a venda da receita a outros espaços. “O objectivo é vender o nosso próprio negroni como um produto final que podemos distribuir para restaurantes, bares e outros sítios por toda a cidade, e reforçar este conceito de aperitivo”, defende Raffaele.
Num bairro onde não faltam bares, o La Negroneria quer ser “um lugar onde se pode beber fora, sentar nas ruas e conhecer pessoas”, sem “esvaziar a carteira”, descreve o fundador. Não se trata de uma guerra de preços, acrescenta: “A nossa ideia não é sermos competitivos em termos de preços só para atrair pessoas”. O objectivo é mais simples: “Apenas queremos que as pessoas descubram e apreciem uma boa bebida, sem que tenha necessariamente de ser muito caro”.
Rua da Bica de Duarte Belo, 77 (Bica). Qua-Sáb 18.00-00.00
A Gala Michelin aproxima-se – e nós já sabemos alguns detalhes sobre a cerimónia de 10 de Março. Antes disso, aconteceu o relançamento de Henrique Sá Pessoa fora do grupo Plateform – o chef espera nada menos do que duas estrelas Michelin no novo restaurante e também refrescou a sua proposta no Time Out Market. Leia ainda sobre os novos Polémico, Entropia, Adega Etelvina, Temakiko, Patife e Inception.
Discover Time Out original video