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Os donos dos cafés Liberty abriram um novo espaço no Cais do Sodré, que funciona em dois modos distintos. De manhã, há omeletes, café e matcha, e à noite há cocktails feitos com ingredientes portugueses e música.

É no rés-do-chão do hotel CAIS Urban Lodge, no Cais do Sodré, que encontramos o Lobby, um café e bar aberto de manhã e à noite. O nome descreve exactamente aquilo que o espaço é: o lobby de um hotel. Neste caso, a primeira coisa que vemos não é a recepção, mas sim uma mesa comprida, onde tanto hóspedes como não-hóspedes podem tomar o pequeno-almoço. Mais adiante fica a zona do bar. Durante o dia, há croque madame, omeletes, café e matcha. À noite, imperam os cocktails de autor e os petiscos e pratos para partilhar, como arancini ou tártaro de novilho.
Anna Aleshkovskaya e Yuriy Gushin são o casal que está por detrás do Lobby, que abriu no final do Verão. “A ideia é ter um espaço diferente e um pouco mais elevado, mas com uma carta simples, pensada para qualquer pessoa”, começa por explicar a co-proprietária russa, que, juntamente com o companheiro, detém também os cafés de brunch Liberty.
“Queremos criar um storytelling em torno de Portugal. O nosso objectivo é encontrar produtos e histórias portuguesas que não sejam as coisas mais turísticas como o pastel de nata. Estamos interessados nisso e, como somos novos cá, também estamos a aprender e a descobrir várias coisas sobre o país”, continua.
Foi através de um amigo, conhecido dos donos do edifício, que Anna e Yuriy souberam do espaço. O seu último residente antes do Lobby foi o bar de cocktails e sushi bar Paraíso, que havia aberto em 2023. Antes disso, em 2021, foi casa do MEL – Museu Erótico de Lisboa, que acabaria por fechar meses depois. Do museu mantêm-se nas paredes as pinturas eróticas de Diogo Muñoz inspiradas em Made in Heaven, série de fotografias e esculturas de Jeff Koon com a actriz porno Cicciolina. Estão agora parcialmente tapadas por “cortinas” de espelhos verticais.
O projecto de design foi concebido pelo atelier NWDS. A pequena sala que fica à esquerda da entrada, por exemplo, ganhou uma mesa e cadeiras, mas ainda não está finalizada. Nas prateleiras dos armários espelhados, Anna pensa em expor peças únicas feitas por artistas ou pessoas locais, que estarão depois à venda. Outras coisas, como o enorme candelabro, já estavam no espaço.
Na cozinha, encontramos o chef Artem Matlaev, que passou pelo Arca, em Lisboa, e pelo Doma Portugal. A carta não é muito extensa e a ideia é priorizar os produtos nacionais. A carne vem do talho A Vaca by L’Vivo, as frutas e legumes são fornecidos pela Pura, e o pão e a pastelaria são da Isco.
No pequeno-almoço, destacam-se o croque madame (15€), cuja única diferença é o facto de ser feito com massa de crepe coberta de pão ralado crocante, em vez de pão; o benedict de salmão, ou rosbife, com hash brown (14€); e o prato de pequeno-almoço Lobby (15€), que inclui cavala em conserva caseira, queijo açoriano, azeitonas, ovo e pão. A salada de tofu crocante, rabanete marinado, edamame, espargos e molho de limão (12€), e a sopa de kimchi, que leva caldo de porco e frango, algas e ovo marinado (12€), são opções de almoço.
Ao croissant, rolo de cardamomo ou canela e palmier, juntam-se sobremesas: pudim de brioche de coco (9€), tarte de maçã (6€), mousse de chocolate com bolacha Maria (7€), e creme de ovos com ruibarbo (8€). As duas últimas estão também disponíveis à noite.
Para beber, temos lattes de matcha (5€-6€); café de filtro (4€); bebidas de café com leite e bebidas de chocolate – incluindo shots de chocolate quente (4,50€) –; e algumas criações da casa, como o Raf laranja (6€), que leva um espresso duplo, leite, natas e xarope de laranja caseiro, ou o Espresso tonic (6€), que leva um espresso duplo com tónico caseiro de toranja e alecrim.
A partir das 19.00, mudam as cartas e não só, assegura a proprietária. Enquanto da parte da manhã há menor movimento e o ambiente é mais calmo, à noite o espaço enche por completo. Todas as semanas – habitualmente à sexta-feira ou ao sábado – há DJ sets.
Ilia Shirokov, dono do Lisbon Kebab Station, é quem toma conta do bar. “Nas limonadas e nos cocktails muitos dos ingredientes que usamos são locais, como o mel. Não vendemos Aperol Spritz, fazemos Per Se Spritz, porque o per se é um aperitivo português, que nasceu em Lisboa. Cada cocktail tem um toque diferente e vem acompanhado do ingrediente que tem presente. O Negroni, por exemplo, vem com uma pequena taça de figos conservados em vinho do Porto”, explica o barman.
São oito os cocktails de autor (11€), entre eles o Per Se Spritz, que leva uma infusão de flor de laranjeira e é servido com laranja; o Grape Collins, que leva um cordial feito na casa à base de vinho verde e vem acompanhado de uvas; o Strawberry Punch, que tem uma infusão de gin com lúcia-lima e é servido com morangos; o Fig Leaf Negroni, em que o gin é infusionado com folhas de figueira e combinado com um tónico de vinho do Porto envelhecido, sendo servido com figos; ou o Bloody Polly, que é mais fumado e salgado, porque leva um molho preparado com aipo tostado, chouriço, molho inglês e piri-piri, e é, claro, acompanhado de rodelas de chouriço.
Conte ainda com bebidas sem álcool e mocktails, aperitivos, digestivos ou vinhos do Porto, e cerveja artesanal portuguesa da marca Sovina. Para petiscar e partilhar, as propostas incluem arancini com tártaro de novilho (12€), tártaro de novilho com batatas-fritas (14€) ou sapateira recheada (32€).
Daqui a uns meses, o plano de Anna é abrir um speakeasy numa divisão mais escondida do espaço, junto ao bar. Segundo a proprietária, o nome, a carta e o género de música serão “totalmente diferentes” do Lobby. Além disso, o piso superior, por cima da área onde será o speakeasy, irá acolher uma cabine de rádio criada pela Fauve, plataforma independente de rádio online, que organizará também emissões em direto.
Rua de São Paulo, 18 (Cais do Sodré). Qui-Seg 08.00-15.00 e 19.00-00.00, Sex-Sáb 19.00-02.00
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