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Nos Anjos, há uma nova casa para o café de especialidade. Chama-se Lugar Nenhum

À paixão pelo café, Ricardo juntou umas quantas receitas testadas em casa. A mesa é só uma, com lugar para 18 pessoas. Neste Lugar Nenhum, o pequeno-almoço é rei, mas mata-se a fome até às 15.00.

Mauro Gonçalves
Escrito por
Mauro Gonçalves
Editor Executivo, Time Out Lisboa
Lugar Nenhum
RITA CHANTRE
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A rua é das menos concorridas que o bairro tem. Estamos no Regueirão dos Anjos, sítio de não passagem, em contraste com a outra banda da Almirante Reis, onde os novos negócios proliferam como cogumelos. Não é por acaso que este foi considerado o bairro mais cool da cidade pela Time Out – uma escolha inspirada pelos cruzamentos a fervilhar de vida, mas também pelas ruas que conservam a pacatês de outros tempos. Esta volta agora a piscar o olho a quem ruma a estas bandas. O novo espaço chama-se Lugar Nenhum, abriu em Novembro e é obra de um velho conhecido.

"Vi este espaço e pensei: isto é espectacular. A localização não é óbvia, mas isso atraiu-me, gosto de coisas assim desafiantes, do facto de ser uma rua onde, em princípio, ninguém viria a abrir", começa por explicar Ricardo Galésio, o empreendedor lisboeta que, em 2016, abriu o Hello, Kristof, na Rua do Poço dos Negros. O currículo não fica por aqui. Em 2022, abriu o Dramático, no Príncipe Real. O que é que todos estes espaços têm em comum? Além do fundador, o café de especialidade, embora o primeiro impulso tenha sido fugir do produto que o trouxe até aqui e explorar outros saberes, como os vinhos.

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"O meu conhecimento do café é muito mais vasto do que o dos vinhos, não me sentia preparado. Aluguei o espaço sem saber muito bem o que ia fazer aqui. Estava tudo assim raw e eu gosto deste ar. Depois, desenhei-o de maneira a que pudesse ser flexível, de maneira a que pudesse ser muitas coisas", continua.

O minimalismo não é novo, muito menos em lugares dedicados ao café, mas aqui os detalhes convocam conforto. O espaço pode ser industrial, mas os candeeiros, as revistas e a grande mesa de madeira aquecem-no. "Está muito fiel ao que desenhei – os três balcões, com três áreas separadas, o foco central na mesa. Queria realmente que o foco central fosse esta mesa, portanto não pus mais lugares, não pus mais cadeiras", descreve Ricardo, que é designer gráfico de formação e se orgulha de sempre ter projectado os espaços que abriu. Hoje, Dramático e Hello, Kristof permanecem de porta aberta, mas estão noutras mãos.

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Quando entramos, encontramos Ricardo na cozinha, o balcão ao fundo da sala. Compenetrado na preparação dos pratos e em testes vários, delegou o trabalho de barista. Os cafés, bem como as pastelarias da Padaria 110, servem-se logo à entrada no primeiro balcão. Sob a sua jurisdição está uma pequena lista de pratos rápidos. Receitas de conforto, com ingredientes da época e previamente testadas em casa. Todas elas foram pensadas para a primeira refeição do dia, por mais tardia que possa ser. "Não trago nada que nunca tenha sido servido. Acho é que os sítios agora complicam muito e eu não gosto nada da palavra brunch. Aqui estamos num sítio de pequeno-almoço, com coisas de pequeno-almoço, portanto não há coisas com trufas. O centro desta cozinha são os ingredientes e a simplicidade. Não quero fazer coisas assim muito complicadas, até porque não sou chef", afirma.

O menu é apenas um, das nove da manhã às três da tarde, o que significa que alguns dos pratos propostos para a dejejua podem também resultar em belas e leves refeições para a hora de almoço. Para o Lugar Nenhum, Ricardo trouxe receitas de casa. Uma, em particular, tem feito especial sucesso. Vista de longe, parece mais uma tosta de abacate com um ovo cozido a baixa temperatura. Só que não. A estrela da ementa é, na verdade, uma esmagada de ervilha que leva também parmesão e malagueta (8,90€). O outro prato de maior substância é abóbora hokkaido assada, fornecida pela dona Luísa do Mercado de Arroios, com coração de burrata e sementes (9,50€).

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Quem sentir falta de um bom clássico de pequeno-almoço, tem sempre a taça de iogurte grego (o único laticínio que não é fornecido pelos queijeiros da Ortodoxo), com granola caseira, pêra escalfada, pólen e mel (7,50€), ou então o banana bread da casa, servido com manteiga e sal (3,90€).

Com uma carta modesta e em constante mudança, de cozinha aberta e mesa comunitária sempre posta, a atmosfera chega a ser familiar. O conforto sobe de tom no bar, até porque é esse o propósito das bebidas quentes. O café é La Cabra, uma torrefacção de Copenhaga e a proveniência vai mudando de lote para lote, e ao longo do ano. Está disponível também em grão, embalado, para quem quiser levar para casa. Pode ser de filtro (3,50€-6,50€) ou de máquina. O expresso, a unidade mais básica de qualquer cafetaria, custa 2,70€. Serve-se ainda cappuccino (4,20€), latte (4,50€), mocha (5,70€) e espresso tónico (6,20€), uma versão moderna do tradicional mazagran. A matcha é da Kettl e pode ser servida no seu estado puro (4€) ou num fotogénico matcha latte (5,80€).

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O futuro está em aberto, porque o espaço assim permite e porque Ricardo assim vai engendrando. "[O Lugar Nenhum] está desenhado para que possa ser outras coisas no futuro. Pode abrir mais à noite para vender vinho, para eventos, pop-ups. A ideia é fazer aqui jantares ou almoços com chefs convidados. Quero que o espaço seja mais do que um café, que seja palco para muita coisa", remata. Novidades que, à partida, vão começar a pingar em Janeiro, altura em que quer começar a servir um almoço de domingo, todos os meses. Na cozinha estará sempre um chef convidado, que pode ser também um cozinheiro, ou simplesmente "alguém que cozinha". A mesa, com 18 lugares, dá sentar a família toda e ainda sobra.

Regueirão dos Anjos, 43 (Anjos). Ter-Sáb 09.00-15.00

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