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O chef Carlos Robalo atravessou a estrada e mudou-se para este claustro em pleno Chiado. O Santis goza de muita luz natural e da iconografia rica do Museu de São Roque. A comida é puro conforto.

São as grandes maravilhas de entrar num claustro ou pátio interior lisboeta: de repente, o reboliço fica para trás e esquecemo-nos, por alguns instantes, de que há uma cidade em ebulição lá fora. O Santis é um desses espaços. Aberto desde Abril, é o mais recente projecto do chef Carlos Robalo – que não veio de longe, apenas saiu do Brotéria Café (já depois de passar por cozinhas como a Bica do Sapato e Varanda do Ritz), do outro lado da estrada, para se instalar no Museu de São Roque. "Não podia recusar o convite do provedor", admite logo à cabeça.
Mudou-se de armas e bagagens e apetrechou o espaço a gosto – ao seu e ao de um museu que encerra alguns dos maiores tesouros de arte sacra do país. Há, por isso, peças do acervo a decorar o restaurante, como espelhos dourados e um banco corrido, num projecto assinado pelo Openbook Studio. Apesar da riqueza patrimonial, continua a ser difícil desviar o olhar da esplanada, instalada no velho claustro do século XVII. Coberto por um gradeamento, a luz chega praticamente intacta. Com chapéus de pano e bambus colossais, torna-se um refúgio apetecível mesmo em dias mais quentes.
Propriedade da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, o espaço do restaurante fica entre o Museu de São Roque e a histórica Sala das Extracções da Lotaria Nacional, onde todas as terças-feiras ainda é cumprida a tradição do sorteio num evento aberto ao público. Da rua, pode não ser o mais notável dos estabelecimentos (não se dá por ele, praticamente), mas, além dos encantos do espaço, o chef sabe como agarrar os seus comensais.
"Eu sei aquilo de que os clientes gostam, então mantive a mesma linha. Introduzi uma coisa ou outra nova, mas a linha é a mesma. Foi um sucesso ali na Brotéria, não fazia sentido fazer diferente", resume o chef. A carta não é extensa e inclui clássicos como o bacalhau à Brás, o caril de gambas (ou de frango), o hambúrguer São Roque e a empada de pato. Como só serve almoços, o Santis funciona com menu executivo – 18€ o prato principal, 22€ se quiser juntar entrada ou sobremesa, 25€ se optar por ambos. Da lista de entradas constam propostas igualmente clássicas como ovos rotos, croquetes de novilho, pastéis de massa tenra e peixinhos da horta.
Não há dúvidas de que, aqui, o almoço é sinónimo de hora de ponta. Mas há outros momentos em que o Santis pode revelar-se uma escolha acertada. O lanche tem o seu público, razão pela qual foi criado o Chá dos Jesuítas – custa 9€ e inclui chá, dois scones com manteiga e comporta caseira e um jesuíta. No rol de ovos, encontra opções como os Benedict (13,50€), os Royal (14€), com salmão fumado e alcaparras e os São Roque (13€), com lagosta.
À noite, o restaurante fica disponível para eventos privados – jantares para grupos sob reserva que, segundo o chef, têm sido uma das grandes alavancas do projecto. Também é possível levar as iguarias do chef Carlos Robalo para casa. Entre entradas, pratos principais e sobremesas, os preços do take-away vão dos 12,50€ aos 38€, em doses para quatro pessoas.
Com a chegada dos dias mais frios, planeiam-se algumas mexidas na carta. Em breve, abrirá uma nova sala, que vai permitir aumentar a capacidade do espaço (à volta de 42 lugares, actualmente). Um espaço fechado, pensado para colmatar a falta de uma cobertura para a tão cobiçada esplanada. Já se pensa numa solução bem mais eficaz para tornar o espaço mais abrigado, mas ainda não será para este primeiro Inverno do Santis.
Largo Trindade Coelho (Chiado). 93 775 8153. Ter-Sáb 10.00-18.00
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