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Este restaurante e mercearia fica na Lapa e serve pratos tradicionais italianos. Federica Baldino não inventa nada, prepara antes as receitas que aprendeu na casa de família, na Sardenha.

Federica Baldino não é chef, nem tem um restaurante. Mas gosta de cozinhar e receber pessoas, por isso é que decidiu abrir uma rosticceria, estabelecimento tradicional italiano com comida pronta para comer no local ou levar para casa. Chama-se Polpetta Cosmica e fica na Lapa. É lá que a cozinheira serve as suas famosas lasanhas e almôndegas, mas também focaccia, burrata ou tiramisù. E vende ainda produtos de mercearia, como queijos ou conservas.
Tudo começou em casa, na pandemia, depois de umas amigas de Federica lhe terem encorajado a começar um negócio de comida caseira por encomenda. Inicialmente, disse que não, mas acabou por ceder e anunciou na página pessoal de Instagram alguns pratos que iria vender, nomeadamente lasanha, arancini e tiramisù.
“A primeira pessoa que fez um pedido foi a Joana Barrios. Foi muito engraçado, estava a falar com a minha amiga quando, de repente, recebi a notificação da sua mensagem a pedir 31 arancinis, sete lasanhas e 12 tiramisùs. Pensei: ‘Como é que vou fazer isto tudo?’. Mas consegui entregar-lhe e expliquei-lhe a minha história. Foi, literalmente, a minha primeira entrega. Acho que era o aniversário da filha”, começa por contar a cozinheira e proprietária do Polpetta Cosmica, que vive em Lisboa há mais de dez anos.
O passa-a-palavra fez o resto. Federica deixou o trabalho corporativo para conseguir fazer entregas por toda a cidade, além de pop-ups, como o Night Stories. “Tinha pop-ups quase todas as semanas, em todo o lado em Lisboa. Ocupava o meu tempo inteiro e, obviamente, não conseguia fazer outra coisa. Mas sempre quis ter uma coisa pequenina. Nunca tive o sonho de ter um restaurante. Queria um sítio onde as pessoas pudessem sentir-se em casa”, explica.
À porta recebe-nos o Ravi-oli, o cão da proprietária, uma espécie de braço-direito, que costuma cirandar pelo espaço. Existe uma mesa comprida de madeira escura, onde uma avó, uma filha e uma neta se sentam por ocasião de um aniversário, e mais umas quantas quadradas, pequenas, com tampo de mármore. O balcão expõe garrafas de iced tea Estathé, cerveja Ichnusa, ou refrigerante Chinò San Pellegrino, bem como enchidos, queijos e conservas.
Tudo é italiano, menos uma coisa: as batatas-fritas Ti-ti. São uma espécie de homenagem ao senhor Zé e ao seu antigo talho, que aqui funcionou durante muitos anos, e a estrela de uma das entradas, a Ti-ti Show (7€), que leva alcaparras, raspas de queijo Pecorino, e fatias finas de coppa, enchido tradicional italiano, semelhante ao presunto. Quem quiser, pode também comprar um pacote de Ti-ti (3€).
Outras entradas incluem focaccia caseira (3,50€), carpaccio de curgete (8€), azeitonas e biscoitos taralli (4,90€), ou a burrata (6,50€), servida aberta e temperada apenas com sal e um fio de azeite. “Quando um produto é bom não precisa de nada. Aquilo é um creme, come-se à colher. Em Puglia, onde a burrata nasceu, come-se à mão, como uma maçã”, refere a cozinheira.
Alguns dos ingredientes ou bebidas, como a cerveja, vêm da Sardenha, terra-natal de Federica. “Tenho uma família enorme e sou filha única, o que é estranhíssimo – a minha avó tem 16 filhos. Tínhamos uma casa que era o maior restaurante do mundo, porque a minha avó estava sempre a cozinhar. Éramos pequeninos, vestíamos os nossos aventaizinhos e fazíamos pasta fresca quase todas as semanas”, recorda.
“A comida esteve sempre presente na minha vida. A minha avó não era uma excelente cozinheira, mas cozinhava por amor. Tinha amor pela sua família. Na época dos tomates, íamos todos fazer a apanha. A comida ligava a nossa família, era um ritual. A minha avó não fazia pratos elaborados, eram pratos de conforto. E eu sempre adorei comer e cozinhar”, continua.
Numa das paredes, está precisamente emoldurada uma fotografia sua, em criança, com a avó. Juntam-se-lhe desenhos, quadros, um cartaz do desenho animado Casper, uma t-shirt da dupla musical italiana Mind Enterprises, e uma fotografia do seu antigo cão, chamado Polpetta, que significa almôndega. O nome da rosticceria vem daí, sendo que “Cosmica” alude ao facto de Federica ser uma apaixonada pela astronomia (não confundir com astrologia, deixa bem claro).
Segundo a cozinheira, quem conhece a sua casa – que, curiosamente, não fica muito longe daqui – diz que este espaço é uma extensão da mesma. O chão axadrezado e as paredes de mármore características do talho do senhor Zé mantiveram-se, o resto é a cara da inquilina actual. “É um bocado kitsch. Muitas das coisas foram encontradas na rua, como a mesa grande e o espelho, e um dos móveis foi-me dado pela vizinha que cá estava. É tudo um bocado random e não é muito perfeito, é parecido comigo.” Na rua, em frente à entrada, há uma esplanada pensada para os dias mais quentes.
No início, a maioria dos clientes vinha só buscar comida, mas, entretanto, começaram a ficar para comer no local. “É importantíssimo estar cá, por isso tento sempre fazê-lo, porque os clientes querem falar, querem uma sugestão, querem saber onde ir de férias em Itália… É um sítio familiar e as pessoas gostam disso. Já tenho clientes fixos, que vêm todas as semanas”, afirma.
Ainda que gostem de conversar com Federica, uma das razões pelas quais voltam é, claro, a comida. Os pratos favoritos são as almôndegas (12€) e a lasanha: clássica (12€), neste caso “cosmica”, ou de pesto (10€). Existe ainda uma de trufa (11€), que vai passar a estar disponível apenas no Recreio, um novo food hall em Miraflores, onde se juntam propostas gastronómicas como o Street, o Amélia, o Patife ou o Soão. É, na verdade, na cozinha deste espaço que Federica prepara os pratos do Polpetta Cosmica, já que na Lapa não é possível. É lá que também pode provar os arancini.
A carta completa-se com tábuas de queijos e carnes curadas (27€) e as sobremesas: tiramisù (8€) e cannoli (4,80€). Nas bebidas, além dos iced teas e refrigerantes (5€), e cerveja (2€), conte com o Ciccione (5,50€), cocktail da casa que leva Campari e Prosecco, Pinot Grigio branco (4,50€ o copo, 19€ a garrafa), Primitivo tinto (4,50€ ou 19€), ou Prosecco (5,50€ ou 24€). Na dúvida, pergunte à anfitriã, que estará pronta a ajudar.
Rua de Buenos Aires, 26B (Lapa). Qua-Sáb 12.00-22.30, Dom 12.00-16.00
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