Notícias

Restaurante israelita de Lisboa vai fechar. Proprietários culpam anti-semitismo

O Tantura foi alvo de “militantes anti-sionistas” em 2024, com pichagens e apelos ao boicote. Desde então, “tornou-se numa arena de luta diária”. Sábado é o seu último dia de portas abertas.

Hugo Torres
Escrito por
Hugo Torres
Director-adjunto, Time Out Portugal
Restaurante, Tantura, Cozinha Israelita
©Arlindo Camacho | Tantura
Publicidade

Elad Budenshtiin e Itamar Eliyahu decidiram fechar o Tantura. O restaurante israelita existe desde 2017 e durante vários anos foi um restaurante como tantos outros no Bairro Alto – mas dois acontecimentos viriam a transformar o local numa “arena de luta diária”, nas palavras dos proprietários. Primeiro, um documentário sobre o dito massacre de Tantura, que se estreou em 2022 e entrou no circuito dos festivais de cinema no ano seguinte. Segundo, a partir do final de 2023, a destruição da Faixa de Gaza e o genocídio da sua população entretanto assim identificado pela Nações Unidas. O restaurante passou a ser visado por “militantes anti-sionistas”. Agora, o casal decidiu encerrá-lo de vez.

“Nos últimos três anos, com a guerra e o alarmante aumento do anti-semitismo no mundo, fomos confrontados com uma realidade dura e dolorosa: graffiti nas paredes do restaurante, difamação online, campanhas hostis e um boicote total. O lugar que deveria ser um espaço de ligação e alegria transformou-se numa arena de luta diária”, escrevem num comunicado publicado esta terça-feira nas redes sociais, dando conta de que o último serviço do Tantura acontecerá no sábado, 10 de Janeiro. “A decisão de encerrar a Tantura está entre as mais difíceis que alguma vez tivemos de tomar. Escolhemos recolher-nos. Procurar tranquilidade. E criar um novo lar. Estamos a reconstruir uma antiga quinta cheia de charme”, revelam.

Para o novo projecto, criaram uma página de angariação de fundos, no GoFundMe, para “apoio, donativos e carinho”. “Convidamo-vos a fazer parte da construção deste novo lar. Um lugar de paz e tranquilidade, ligação e esperança. Cada donativo é uma porta aberta para se juntarem a nós nesta nova jornada e fazerem parte de uma história que continua a ser escrita”, lê-se na mesma nota, na qual referem que encerrar o Tantura é um “choque” financeiro. “Tantura está a fechar, mas o espírito, o amor e o sonho continuam. O novo lar já começa a ganhar forma. Estão convidados a fazer parte desta nova viagem. Porque a luz estará sempre acesa, mesmo nos dias em que a escuridão se alonga.”

Tantura
Fotografia: Arlindo Camacho

Há pouco mais de oito anos, quando a Time Out foi conhecer o restaurante, Elad e Itamar explicavam que Tantura era o nome da pequena localidade de onde vinham, a norte de Telavive. No entanto, essa foi uma das questões levantadas em 2024, quando “militantes anti-sionistas” picharam a fachada do espaço (“Tantura é um massacre”). O Diário de Notícias escreveu então que a referida aldeia não se chamava Tantura desde 1948, data da sua ocupação pelas forças israelitas, quando mudou de nome para Dor – os proprietários não responderam ao jornal sobre se os locais continuavam a usar o nome árabe. Ainda assim, e apesar dos crimes de guerra relatados, faltam provas de que tenha ocorrido um massacre.

Voltando ao restaurante, Alfredo Lacerda, antigo crítico da Time Out, também visitou o restaurante logo em 2017 (de forma anónima, como sempre). Deu-lhe quatro estrelas: “Estamos em território mediterrâneo, cozinha de azeite, legumes e saladas, tudo fresco e delicado. Gostava de um pouco menos de contenção nas especiarias; e de mais produtos autóctones israelitas, como vinhos e queijos brancos. Dito isto, pagar 15 euros por uma visita a Telavive, com passagem pelo pitoresco (e ligeiramente nauseabundo) Bairro Alto, vale muito a pena. Faça-se à sétima colina. Dificilmente vai encontrar melhor comida do Médio Oriente em Lisboa.”

As últimas de Comer & Beber na Time Out

Começar o ano a comer fora é difícil, mas não impossível. Para evitar desesperos financeiros, juntámos os melhores restaurantes até dez euros e, vá, até vinte. No campo das novidades, tem recordações da avó no Tantazzi, pizza al taglio na Coccinella, bife no Blade, comida japonesa no After Dark ou a "neo-tasca" de Bernardo Agrela na Casa Capitão, Mesa. Se ainda está a compensar tempo perdido, veja as nossas escolhas para o melhor de Lisboa em 2025.

Últimas notícias
    Publicidade