Os melhores croquetes de Lisboa
Rita Chantre
Rita Chantre

Os 10 melhores croquetes de Lisboa

É o rei dos salgadinhos. Numa prova cega, a equipa da Time Out escolheu e classificou os melhores croquetes de Lisboa. Saiba onde os comer.

Hugo Torres
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Metemos-nos em cada uma... A primeira coisa que os leitores vão fazer ao ver esta lista é discordar. A segunda? Levar as mãos à cabeça. A terceira? Provavelmente vai envolver calão. Um croquete não é só um salgadinho, é o rei de todos eles – e o povo adora o seu macio, bem recheado e rechonchudo soberano. O problema é que Lisboa está dividida em vários reinos e cada um tem a sua corte e o seu exército. Mesmo assim, decidimos pôr-nos a jeito e levar a cabo uma prova cega. Convocámos toda a nossa acumulada sabedoria de comilões, pedimos consultoria externa para furar a bolha social e escolhemos os finalistas. Depois reunimos todos e pusemos seis experientes bocas a prová-los sem saber de onde era cada um, para evitar assomos de consciência. As condições eram duras: não se podia beber cerveja nem usar mostarda e, para garantir anonimato aos candidatos, todos foram degustados frios (mas fritos no dia). E houve surpresas. Prontos? Vamos lá: eis os melhores croquetes de Lisboa.

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Os melhores croquetes de Lisboa

  • Cais do Sodré

Isto não é o que parece. Podemos explicar. Sim, a Croqueteria está no Time Out Market, mas não, não houve qualquer favorecimento. É verdade que o seu formato peculiar, oval, o denunciava na prova cega. Acontece que três dos seis provadores nunca o haviam experimentado, nem visto, e a escolha foi unâmime. A contra-prova está numa pequena história de bastidores: tínhamos uma dúzia de croquetes de cada finalista; os únicos de que não restou uma singela migalha foram os da Croqueteria. "Lindos por fora, lindos por dentro", disse-se às tantas. Arregalou vários pares de olhos e provocou muitos "hum" espontâneos. Mais houvesse.

  • Português
  • Alvalade

É o caçula da lista – e não é que o raio do miúdo quase levava a coroa? Enfezadinho, feiinho, engelhado e, surpresa!, muito bem frito, muito bem ligado, recheio muito bem arejado, suave, cheio de fiapos de carne… “É isto que eu espero de um croquete. Amo muito”, é com esta avaliação que ficará para a história desta prova cega. Quem vê caras não vê corações, não se julga um livro pela capa, etc., etc. O que se vê com os dois primeiros lugares da lista é que espaços de monoproduto, focados em fazer bem uma só coisa, se destacam substancialmente de tudo o resto. O resto é muito bom, mas não está à altura nem da Croqueteria nem Casa dos Croquetes, ambas ilustres casas de Alvalade.

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  • Alvalade

Alvalade é o sítio para comer os melhores croquetes. Fica dito e ninguém nos vai convencer do contrário. É também desse bairro novo feito de clássicos que nos chega o terceiro elemento do pódio. O croquete do Tico Tico distingue-se pelo seu intenso sabor a cominhos, o que pode causar estranheza nas gentes mouriscas da cidade, mas transporta nortenhos deslocados directamente para o Minho, terra natal dos proprietários. Às tantas estamos a comer um croquete e a sonhar com umas espessas e quentinhas papas de sarrabulho. Não há melhor reentrância da memória para visitar. O sabor dá-lhe personalidade, faz com que este croquete seja único entre todos os finalistas e sobrepõe-se mesmo ao recheio demasiado pastoso. Foi o defeito que lhe encontrámos. Não se pode ter tudo.

  • Português
  • Chiado
  • Recomendado

Arranjar mesa no Das Flores é uma tarefa difícil. Requer antecipação e sorte. Mas ir lá buscar uns croquetes é uma óptima alternativa. São fritos na hora e têm aquele formato modelo, de dedo polegar de homem habituado a trabalho braçal. E este croquete puxa carroça. Estamos perante um clássico, na melhor acepção da palavra. Bónus: é estaladiço e divertido de comer. Se vos apanhássemos distraídos, poderíamos contar uma história sobre como este croquete se comia em casa da avó, com um arroz de tomate a esparramar-se no prato e o tempo a passar devagarinho. Como estão atentos, vamos enveredar por um hot take: se querem aprender a ser avós, vão ao Das Flores ver como se faz um croquete.

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  • Cafés
  • Avenidas Novas

No confronto de titãs da Avenida da República, a Versailles leva a melhor ao Galeto – pelo menos no que diz respeito aos croquetes. A antiguidade é um posto. A histórica pastelaria pode ter sido entretanto transformada em cadeia, mas continua a saber misturar com conta, peso e medida carne, bechamel e pão ralado, nuns rolinhos generosos de fritura limpa. O recheio é mais claro do que a concorrência, o que o torna um bom croquete para quem prefere sabores mais suaves. Numa primeira ronda de prova, recebeu os seis votos em disputa.

  • Cais do Sodré

É uma das melhores steakhouses do mundo. O que seria se não tivesse um grande croquete? Uma farsa! Felizmente, não é o caso. Luís Gaspar sabe fazer croquetes e sabe como os tornar viciantes e memoráveis: acrescentando à mistura uma porção de enchidos e gordura. Por nós, está perfeitamente à vontade. Pode continuar. O croquete é robusto, maciço, com aquele tom de castanho mais escuro que ainda conserva o brilho dourado, resultado de uma fritura imaculada, na temperatura e no tempo certos. O seu sabor intenso deixou-o à mercê de parte dos jurados da prova cega. O autor destas linhas considera essas micro-relutâncias uma escandaleira.

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  • Português
  • Santa Maria Maior
  • preço 3 de 4
  • Recomendado

Ficámos muito aflitos com este resultado. O Gambrinus? Em sétimo?! Verificam-se as notas. Está certo. Oh, diabo. Dedos em riste, logo: quem teve esta brilhante ideia de provar croquetes frios não percebe nada de croquetes! Fomos nós? Ah. Vêm as justificações: falta aquela mostarda amarelinha para molhar e dar aroma; falta a tulipa fresquinha; falta a certeza de que o prego já está a andar na cozinha; falta o serviço impecável. É claro que continua a ser um bom croquete (está nesta lista), mas despido de tudo à sua volta, de tudo o que faz do croquete do Gambrinus um arrebatamento, o entusiasmo é mais comedido. O que tem uma, e uma só, leitura: o melhor é ir lá, sentar-se ao balcão e prová-lo em todo o seu esplendor.

  • Avenidas Novas

À noite todos os gatos são pardos e a probabilidade de irem parar ao Galeto é bastante alta. A mistura de senhores doutores e engenheiros, assalariados, provocadores, arrivistas e debutantes perdidos é bem-vinda e reflecte-se no enérgico ambiente do histórico snack-bar. Não há outro sítio assim na cidade. Ora, se há coisa que toda essa gente tem em comum, é que já teve à sua frente um exemplar idêntico ao desta fotografia. Nessa altura, olhou para ele e disse: vou-te comer. E comeu. Prova cabal de que a condição humana é única e indivisível. As circunstâncias é que mudam. Como neste caso: longe daquele balcão serpenteante, à luz do dia, quando estamos armados de todos os preconceitos, este croquete perde boa parte da sua graça.

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  • Pastelarias
  • Sete Rios/Praça de Espanha

Bolo-rei, pastéis de alfarroba, garibaldis e croquetes. O Califa tem uma oferta muito maior, incluindo menus de almoço, mas estes são os quatro motivos para ser há décadas destino de romaria para quem não mora nas imediações. São quatro bons motivos, embora os croquetes não ganhem em comparação com todos os que estão acima nesta lista. São esguios, do tamanho de um dedo, o que faz com que o recheio esteja mais compacto. Talvez o termo seja até oprimido, uma vez que essa é a principal característica a puxá-lo para o fundo da classificação. Se está com pressa, não é deste salgadinho que anda à procura. Se anda a precisar de exercitar o maxilar, não vá mais longe.

  • Português
  • São Sebastião

Ora aqui está um exemplar capaz de alimentar quatro famílias numerosas durante todo o Inverno. Estamos a exagerar? Um croquete do tamanho de um úmero e nós é que somos exagerados?! Esta bisarma deu fama a um discreto restaurante, deixando para segundo plano a especialidade da casa, posta de vitela transmontana, e vale a expedição até às imediações da Praça de Espanha, como aventura de descoberta e como prova de que os portugueses ainda são capazes de grandes feitos. Gastronomicamente, não está à altura dos demais nesta lista, mas a história também é feita de intrépidas (e incautas) excentricidades.

Comer bem e barato

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