As melhores coisas para fazer no Pico

Berço de escritores e baleeiros, o Pico é talvez a ilha dos Açores que se tem desenvolvido de um modo mais sustentável. E esta é a melhor forma de o descobrir

Fotografia: Rui Soares

Todas as ilhas são, na verdade, montanhas no meio do Oceano. Mas esta parece representar esse facto da forma mais dramática possível – “estão a ver? É assim que se faz uma ilha.” Para além das lições de geologia, o Pico ensina-nos muita coisa sobre vinhos e baleias.

Ilha do vinho

Museu do Vinho

Aprenda a história das vinhas e do vinho do Pico neste museu situado na Casa Conventual dos Carmelitas. O edifício parece pertencer a uma versão mediterrânica de um cenário de filme de Wes Anderson e o jardim tem das maiores e mais belas colecções de dragoeiros da Macaronésia – alguns com mais de 1000 anos. Para além de contar a história do vinho, o museu organiza visitas às vinhas e provas de vinhos. Vá até ao miradouro admirar os currais de vinha.

Ler mais
Vinhas da Criação Velha

Vinhas da Criação Velha

À primeira vista parece que os picarotos andaram durante séculos a preparar um tabuleiro gigante de batalha naval, recorrendo a pedras de basalto negro. Mas não, estamos perante as quadrículas imperfeitas das vinhas do pico, construídas à mão para proteger as uvas da fúria dos elementos. Chamam-se currais, são Património da Humanidade da UNESCO e, depois de as contemplar, o vinho vai saber melhor de certeza. Siga as indicações à saída da Madalena em direcção às Lajes.

Publicidade

DICA

Há um trilho obrigatório, entre as vinhas e o mar, chamado trilho das Vinhas de Criação Velha. Começa no porto Calhau, na Candelária, e termina numa casa senhorial chamada solar das salemas. São 8km que se completam em duashoras.

Ilha da Baleia

Espaço Talassa

Foi aqui que tudo começou. Em 1989, Serge Viallelle, um navegador francês que estava no Pico de passagem, conheceu um antigo vigia de baleias e juntos começaram a fazer as primeiras viagens de observação de cetáceos. Passaram-se quase três décadas mas o Espaço Talassa continua a ser uma das referências nas ilhas. Tem uma taxa de sucesso de 98% e um pequeno império nas Lajes do Pico: uma loja, um restaurante e um pequeno hotel. Se vai no Verão convém reservar uma saída de observação de cetáceos com antecedência: 29 2672 010. 

Ler mais

Museu da Indústria Baleeira

Se tem muito amor às baleias e se comove com os olhinhos meigos dos cachalotes, então evite o Museu da Indústria Baleeira. Trata-se de uma espécie industrial de matadouro onde os animais eram desfeitos e transformados em farinhas ou óleos. Uma unidade fabril antiga, fascinante para quem se interessa pela engenharia de outros tempos (há caldeiras, depósitos de óleo, fornalhas, geradores e moinhos), angustiante para quem ainda tem uma cópia de Libertem Willy em VHS.

Ler mais
Publicidade

Museu dos Baleeiros

Numa das salas do museu há uma galeria de fotos com antigos baleeiros, arpoadores e outros homens corajosos que todos os dias se lançavam ao mar em pequenas cascas de noz. Olhamos para aquelas caras enrugadas (óptimos bigodes) e em seguida para as nossas mãos, com o calo da caneta e uma ou outra tendinite provocada pelo teclado. Pensamos, “nunca seremos como eles”. E ainda bem que não temos de ser. O Museu dos Baleeiros é o testemunho de uma vida duríssima, da paixão e do engenho de gente que caçou baleias porque teve de ser. E o que tem de ser tem muita força – força de braços, sobretudo, a julgar pelo tamanho dos arpões. Vale a pena ver o documentário de 20 minutos, filmado nos anos 70, sobre a caça à baleia no Pico.

Ler mais

Ilha da Montanha

Longitudinal, a estrada mais bonita de Portugal

Longitudinal, a estrada mais bonita de Portugal

Quem o diz somos nós, que chegámos a esta conclusão depois de umas quantas viagens para trás e para a frente neste pedaço de alcatrão à sombra da montanha. A longitudinal (nome verdadeiro EN3) é a estrada que liga a Madalena a São Roque (ou Lajes) uma recta enorme, com a montanha sempre à vista e várias lagoas, como a do Capitão, pelo caminho. Pé levezinho na tábua, que isto não é para testar os limites do seu Rent-a-Car.

Quer subir à montanha? Eis o que precisa de saber

Quer subir à montanha? Eis o que precisa de saber

O Pico é a montanha mais alta de Portugal, 2351 metros de altura que podem ser conquistados por qualquer pessoa.

Condições essenciais: 

Todas as pessoas fisicamente aptas podem subir a montanha.

Deve ter equipamento apropriado: bom calçado e uns agasalhos – no topo, em Abril deste ano, estiveram 13 graus negativos.

Preços:

Antes de subir tem de se registar na Casa da Montanha, no fim da estrada.

Paga-se 10€ para subir à montanha, mais 2€ se quiser escalar o Piquinho.

Este valor não inclui guia.

Se na Casa da Montanha lhe desaconselharem a subida, pode fazê-lo na mesma. Mas se precisar de ser resgatado paga 1400€.

Subida: 

Antes da subida é feito um briefing. 

Cada pessoa recebe um equipamento GPS que funciona também como telefone. 

É obrigatório seguir o trilho. • Quem se desviar do trilho é contactado pelos funcionários da Casa da Montanha. 

A subida demora em média três horas.

No topo:

A permanência máxima no topo é de 24 horas.

Há um máximo de 15 pessoas por grupo/ guia.

30 é o número máximo de pessoas no topo num dado momento. 

No Piquinho há fumarolas que libertam calor e vapor de água.

Descida:

A descida é a parte mais perigosa e aquela em que há mais acidentes.

Descer demora mais do que subir: quatro horas.

Publicidade

DICA

Renato Goulart. Este é o nome que está na ponta da língua de toda a gente quando o tema é subir ao Pico. O guia de montanha já esteve no topo em todas as alturas do ano, com todas as condições meteorológicas possíveis. Contacte-o por email: rgpico2351@gmail.com ou telefone: 91 929 3471.

Comentários

0 comments