Santiago Hotel Cooking & Nature: Cozinhar uma escapadinha

Este hotel, a pouco mais de uma hora de Lisboa, é um dois por um: descansa e ainda aprende a cozinhar.

©DR

Uma escapadinha de avental. No Santiago Hotel Cooking&Nature põe-se as mãos na massa: dá para não mexer uma palha ou ir aprender a fazer pizzas em forno de lenha, por exemplo.

Santiago Hotel Cooking & Nature

Santiago Hotel Cooking & Nature

Um longo balcão preto com bebidas, tábuas de madeira e peneiras penduradas na parede de um lado, um expositor com artigos de cozinha, loiças e panelas de ferro (tudo à venda), de outro. Podia ser um bar, um restaurante ou até uma loja. É o lobby do Santiago Hotel Cooking & Nature, em Santiago do Cacém, inaugurado este Verão, com uma forte componente gastronómica.

Não é bem o equivalente a dormir num restaurante, até porque isto é mesmo um hotel, com três dezenas de quartos e uma piscina que pede mergulhos e sestas nas camas à volta até ao pôr-do-sol. 

Assim que se sai da autoestrada (e aqui convém não confiar nas coordenadas GPS e sair antes na saída do Badoca Park, para não entrar em curvas e contra-curvas), e depois de hora e meia de caminho, sente-se a calma. Ao fim-de-semana não há muitas pessoas nas ruas – no Verão, de dia, a romaria é para as praias da costa alentejana, a 15 minutos de carro.

O hotel fica a poucos minutos do centro histórico da cidade, abriu em Julho e tem o restaurante, e o acto de cozinhar propriamente dito, como os dois grandes pontos fortes. Aliás, para ir para os quartos ou para a piscina, tem sempre de passar pela cozinha, grande e espaçosa, com chão e pilares a imitar azulejo preto e branco e mesas altas. 

Faz parte do grupo DHM – Discovery Hotel Management, um fundo de investimento que transforma hotéis em insolvência em unidades de charme. Existia aqui um edifício concebido por Francisco Aires Mateus, com linhas rectangulares, que era todo preto. “Chamavam-lhe o caixão”, conta Gonçalo Raposo de Magalhães, director do hotel. Agora está pintado de branco, tem relva e encaixa bem na paisagem, com vista para o castelo de Santiago do Cacém. No terreno do hotel está ainda uma outra casa, vermelha e com ares senhoriais, ainda sem qualquer intervenção, onde funcionou uma pousada – numa época em que não havia autoestrada até ao Algarve, era ponto de paragem obrigatório, até porque tinha um restaurante muito bem reputado. A tradição e importância gastronómica, portanto, não se perderam.

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Os quartos

Os quartos

Os 31 quartos e uma suíte estão decorados numa linha clean, pensada pela decoradora e designer de interiores Pureza Magalhães, em brancos e azuis claros, a que se junta o tom terra das cestas de verga. E há ainda um kit de cozinha, com avental e utensílios, a desafiar os hóspedes a participar num dos workshops com o chef Diogo Águas, personagem principal deste hotel, a trabalhar com o grupo DHM há alguns anos. 

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A cozinha é totalmente aberta e tem uma televisão a mostrar o que os cozinheiros fazem, qual showcooking ao vivo. A dona Ortense, que se juntou à equipa de Diogo logo de início, começou por não achar grande graça a tanta câmara, agora é-lhe indiferente e até acha piada, tal como os colegas, quando a criançada entra por ali a dentro a pedir para fazer  panquecas.

Os workshops

Há workshops de cozinha express (de 45 minutos, 30€) onde qualquer um pode aprender a fazer massa de pizza, o molho de tomate da base e a manusear a pá que a leva ao forno de lenha, a filetar peixe, cortar carne e fazer hambúrgueres ou pão.  Depois há os personalizados (meio dia ou um dia, dos 60 aos 120€) que envolvem idas ao mercado. “Falamos sobre os temperos, o sabor, eles tratam o peixe e carne e depois, no fim, dou umas luzes de a quanto têm de vender o prato. Depois de o comerem, podem vender. É uma coisa from to guest to guest”, explica o chef, responsável pelas cartas de almoço – à base de wraps, saladas e  pizzas – e de jantar, este já com um menu mais composto e criativo, sempre com os legumes baby do senhor Stefano, que tem uma quinta a uns quantos quilómetros. 

Estes workshops, no restaurante À Terra (o nome é o mesmo dos outros restaurantes do grupo hoteleiro), são a grande aposta do hotel e são abertos a hóspedes e a curiosos que por lá passem. É só escapar para a cozinha – quando não é obrigação sabe sempre melhor.

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Como chegar e preços

A partir do centro de Lisboa, pela A2, são cerca de 145 km, com portagens (entre os 8 e os 10€). Faz-se numa hora e meia.

Quartos entre os 67€ e os 150€

GPS

Para comer

Com tanta coisa para comer e cozinhar no hotel, procurar outros sítios é quase pecado. Mas sabe bem ir apanhar ar e conhecer as especialidades locais. Pegue no carro e siga em direcção a Escatelares. A meio da Estrada Nacional 261encontra a Tasca D’Aldeia (Quinta das Laranjeiras, Santiago do Cacém. 91 159 7359.Qua-Seg 10.00-02.00). Por fora é uma casa pequenina, tipicamente alentejana, por dentro é toda modernaça. Os folhados de marisco ou de caça são a especialidade da casa (12,50€) e vêm bem recheados; há coelho bravo frito no alhinho com migas e batatas (21€ para dois) e a novidade: feijoada de pato do campo (25€ para dois). Na mesma estrada, ao quilómetro 39, está a Ti Lena (EN 261. 26 974 6158. Seg-Sáb 08.00-02.00). Fique na esplanada e peça o bacalhau da casa (12,95€), as enguias da Lagoa de Santo André ou o porco preto. Acompanhe com uma das mais de 100 variedades de gin.

Para fazer

A 350 metros do Santiago Hotel está o Moinho Municipal da Quintinha, recuperado pela Câmara e que volta não volta abre ao público (sem data fixa).  Numa caminhada de 10, 15 minutos estão as Ruínas Romanas de Miróbriga (Ter-Dom 09.00-12.00/14.00-17.00, 3€), uma boa maneira para desmoer tanta comida e cozinhado. Se as camas de piscina do hotel estiverem lotadas, vá até à costa. A praia de São Torpes fica a 20 minutos de carro pela A26 e tem boas ondas. Se for com miúdos, outro bom programa é rumar ao Badoca Safari Park (Seg-Dom 09.30-18.30.17,90€ para adulto, crianças entre os 4 e os 10 pagam menos 2€).

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