A Time Out na sua caixa de entrada

Procurar
Festival Iminente 2020
Gabriell Vieira

A arte urbana está bem de saúde no Panorâmico de Monsanto

Depois do Festival Iminente, não se arruma a casa. Deixa-se a arte urbana para todos verem

Escrito por
Francisca Dias Real
Publicidade

A Oficina Iminente assumiu-se como o novo modelo do festival Iminente, mas adaptado às novas circunstâncias. O festival mudou e aconteceu de 9 a 19 de Setembro no Panorâmico de Monsanto num formato híbrido, dividido entre transmissões online de concertos e conversas, e workshops e intervenções de arte urbana. Ao longo dos dias de festival, nasceram novas obras de arte que ficarão no Panorâmico para apreciação de todos, assim que este abrir enquanto miradouro – coisa que se prevê para Outubro. Add Fuel, AkaCorleone, Francisco Vidal, Tamara Alves e Wasted Rita foram os culpados das novas intervenções com a curadoria e direcção artística da Galeria Underdogs.

Recomendado: Exposições para ver este fim-de-semana em Lisboa

As novas peças de arte urbana do Panorâmico de Monsanto

A que talvez dê mais nas vistas é assinada por Akacorleone, que tomou conta do enorme janelão junto as escadas em espiral do edifício. A obra Equality faz lembrar um vitral, quer comunicar com “o espaço de forma a criar um diálogo entre a monumentalidade e decadência características do Panorâmico”. A peça quer transformar o ambiente consoante a luz que incide na instalação.

Diogo Machado, mais conhecido por Add Fuel, gosta de brincar e reinterpretar a linguagem tradicional do azulejo e transformá-la em intervenções actuais. Nesta peça feita para o Festival Iminente, o artista explora o espaço negativo – In Depth trabalha a técnica de stencil multicamadas numa estrutura de metal. A quem observa gera-se um jogo tridimensional que pode ser visto de várias perspectivas, criando “uma ilusão de profundidade de sombras e volumetrias, que joga com a exposição ao ângulo solar”

Publicidade

Da pintura ao desenho e até à instalação, Francisco Vidal explora vários suportes artísticos para mostrar na expressão plástica a relação com as sociedades e actualidades portuguesa e angolana. Na obra que deixou no Panorâmico, o artista criou uma estrutura motivada pelo assassinato do actor Bruno Candé, de forma a ser percepcionado o seu trabalho e a sua presença, e como a sua morte é uma enorme perda para todos. “O racismo existe e não podemos continuar a discutir se este foi um acto racista. MAKA Lisboa é afro-futurista e trabalha no território da construção positiva”, refere o comunicado. A peça quer dar impulso ao que se pode construir a seguir, de forma a dar visibilidade ao legado de Candé.

O universo de Tamara Alves ganhou formas além do papel ou das paredes que pinta e das histórias que acompanham as suas obras, passou a ter dimensões bem reais. Um carro velho, de onde brota natureza, e um lobo no cimo do automóvel – como a cereja no topo de qualquer bolo. A peça “Until You and I die and die and die again…” representa um “universo que evoca e invoca a visceralidade primordial contida no uivo inconformado enquanto metáfora para a coragem que nos falta para capturarmos, para nos agarrarmos àquilo que nos falta”, lê-se no comunicado.

Publicidade

Esta é, como diz a artista, uma escultura em betão sobre o início do fim do mundo. O nome? Passamos a enunciar: “Sleeping beauty but make it awake, not beauty, wearing the same sweatpants for 2 months, not waiting for a kiss from a prince, but avoiding zoom calls, eating vegan, reading Samantha Irby, watching Survivor and trying to deal with all the tragedy going on in the world”. É difícil de decorar, mas isso pouco importa porque a peça é perceptível a todos. Uma grande cama de betão ocupa um dos varandins do Panorâmico onde qualquer se pode sentar ou deitar para ver as vistas ou olhar para o tecto. É a representação do quão duro este ano está a ser. 

Mais arte urbana

  • Coisas para fazer

Vhils, Bordalo II, Aka Corleone, Smile, ±MaisMenos±, Tamara Alves ou Mário Belém são alguns dos nomes mais sonantes neste roteiro de arte urbana em Lisboa. A eles juntam-se artistas de todo o mundo, que escolhem Lisboa para servir de tela aos mais variados estilos e mensagens. Embarque connosco num passeio alternativo pela cidade.

  • Coisas para fazer

“A Cidade da BD”, como se tem afirmado em Portugal e como confirma a parede de um túnel a caminho do Fórum Luís de Camões, é uma referência da expressão artística no espaço público e na cultura urbana da Grande Lisboa. Entre as diferentes propostas visuais, encontramos obras de artistas como Odeith, Akacorleone, Vile e Smile. Pode vê-las num acervo virtual ou aproveitar para programar um passeio em família com este roteiro de arte urbana na Amadora.

Publicidade
Recomendado
    Também poderá gostar
      Publicidade