Exposição "Lugares que se desenham", CAM
Pedro Pina | Exposição "Lugares que se desenham", CAM
Pedro Pina

Exposições em Lisboa a não perder este mês

Pintura, escultura, fotografia. A agenda de Lisboa está cheia de opções para quem procura arte.

Mauro Gonçalves
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Entre grandes museus e pequenas galerias independentes, a cidade está cheia de boas ideias para quem procura traçar um roteiro artístico. Falamos de exposições de pintura, escultura, fotografia e de moda, assinadas tanto por talentos locais que estão a dar que falar como por grandes nomes do panorama internacional. Afinal, Lisboa transformou-se num relevante centro para a arte contemporânea, onde coleccionadores e galeristas andam à caça de novidades. Seleccionámos as sugestões que merecem o seu tempo. Pegue na agenda e tome nota das exposições em Lisboa a visitar nas próximas semanas.

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Exposições em Lisboa este mês

  • Arte
  • Chiado/Cais do Sodré
Nesta retrospectiva da obra de Maria Keil, quase 70 anos da carreira da artista podem ser percorridos em 200 trabalhos, das artes plásticas às decorativas. Entre eles, há dezenas de pinturas inéditas e mais de 150 desenhos, muitos dos quais serviram de base a ilustrações, trabalhos em azulejo, pintura mural ou tapeçaria. Também as suas primeiras telas, que estavam em poder da família, são agora apresentadas pela primeira vez ao público, revela a Galeria Tapeçarias de Portalegre. Pelo meio, há estudos para o Cinema Monumental e para a Cervejaria Trindade ou cartões para as tapeçarias do Hotel Estoril-Sol e para o Casino Estoril. A exposição faz-se em colaboração com a Biblioteca Nacional de Portugal, o Museu Nacional do Azulejo e a Fundação Portuguesa das Comunicações, destacando-se também o arquivo pessoal da artista, com "um importante conjunto de correspondência com a elite cultural da época, muitos manuscritos literários inéditos e contratos de trabalho".
  • Arte
  • Arte contemporânea
  • Lisboa
Por toda a cidade, há 60 espaços a receber 95 iniciativas dedicadas à arte contemporânea na oitava edição do Lisbon Art Weekend, a maior desde que o evento surgiu. O programa inclui exposições, visitas guiadas, conversas com artistas, performances e oficinas para crianças e adultos em museus, galerias, coleçcões privadas e espaços geridos por artistas. Entre os espaços participantes destacam-se o Centro de Arte Moderna Gulbenkian (CAM, com uma visita guiada à exposição “Lugares que se Desenham” e uma oficina), a Fundação Arpad Szenes – Vieira da Silva, o Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT), o Museu de Arte Contemporânea e Centro de Arquitetura do Centro Cultural de Belém (MAC/CCB, com visita à exposição recém-inaugurada de Ângela Ferreira), o Museu de Arte Contemporânea Armando Martins (MACAM), o Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado (MNAC, onde há uma performance com António Poppe) e o Pavilhão Julião Sarmento. O programa completo pode ser consultado aqui.
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  • Arte
  • Arte contemporânea
  • Lisboa
Neste conjunto de vídeos e de fotografias, João Tabarra leva-nos para o seu imaginário, onde múltiplas narrativas poderiam partir de cada cenário. Do buraco na estrada que conduz à praia da Cova do Vapor ou do pavão que, gloriosamente, passa por cima do leão, vamos para a velhice, as árvores, o tempo. Embora a fotografia seja estática, em Tabarra, "a maioria destas imagens fotográficas são dinâmicas e, na sua dynamis, são como fotogramas de um filme perdido", chama atenção o crítico António Guerreiro, num texto sobre a exposição. Em todo o espaço, há ligações à história do cinema e a autores que marcaram o nosso tempo, como Meg Stuart ou Jean Renoir, e também a sensação constante de paragem ou interrupção, como se o artista tivesse conseguido, em cada imagem, capturar um gesto ou momento essencial. 
  • Arte
  • São Vicente 
O Convento da Graça recebe a exposição "Anunciação", com obras de 23 artistas contemporâneos internacionais, num diálogo com a arte e a arquitectura do edifício. A mostra vai ocupar vários espaços do edifício com escultura, pintura, instalação e arte multimédia – obras maioritariamente criadas para este espaço. "Organizada em oito secções, a mostra propõe uma leitura da cidade à escala global, apresentando Lisboa como uma metrópole onde convivem pessoas de diferentes nacionalidades e crenças. Através das obras, os artistas participantes abordam a diversidade e as possibilidades de encontro entre diferentes realidades num universo guiado pela luz", lê-se no comunicado.
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  • Arte
  • São Sebastião
Com curadoria de Sérgio Mah e de Leonor Nazaré, "Lugares que se Desenham" propõe um novo olhar sobre a Colecção do CAM, com cerca de uma centena de obras, datadas desde os anos 50 até à actualidade. A exposição ocupa os espaços da Nave e do Mezanino, onde reúne 50 artistas nacionais e estrangeiros. A mostra inclui obras de Alberto Carneiro, Eduardo Nery, Graça Pereira Coutinho, José de Almada Negreiros, Lourdes Castro, Maria Helena Vieira da Silva, Pedro Barateiro e Pedro Cabrita Reis, entre muitos outros.
  • Arte
  • Chiado/Cais do Sodré
Com curadoria de Sara Antónia Matos, a exposição reúne obras históricas do mestre Júlio Pomar e criações inéditas de Gabriel Abrantes, artista e cineasta. Entre pintura e desenho, são cerca de uma centena de obras reunidas numa exposição que dá continuidade ao programa do museu, focado também em colocar o legado do artista em diálogo com o corpo de trabalho de outros autores. A mostra assume a forma de intervenção específica no espaço, em referência à museografia das Exposições Gerais de Artes Plásticas, na Sociedade Nacional de Belas-Artes, em particular a edição de 1947.
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  • Arte
  • Avenida da Liberdade/Príncipe Real
No primeiro sábado de cada mês, entre as 10.00 e as 13.00, há visitas guiadas à casa onde convivem uma vasta colecção de relógios, porcelana da China, pinturas holandesas e flamengas dos séculos XVI e XVII e tapeçarias flamengas e francesas dos séculos XVI, XVII e XVIII. Nas 27 salas do museu há cerca de 2.000 obras de arte nacionais e internacionais, cobrindo o período entre o século II a.C. e o século XX. Medeiros e Almeida foi um empresário português que se destacou em actividades como a importação de automóveis britânicos, a aviação comercial e as indústrias açorianas de açúcar e de álcool, carreira que o permitiu construir uma enorme colecção de obras de arte, que sempre quis ver integrada numa casa-museu. As visitas fazem-se por ordem de chegada.
  • Arte
  • Arte urbana
  • Marvila
Estamos no reino animal, entre voos, saltos, tensões, harmonias e desequilíbrios. Se formamos todos nós, animais, um território de relações complexas? A resposta pode ser: estamos vivos. E é talvez por aí que se vai dar ao título da exposição de Pantonio, a primeira na Underdogs, composta por trabalhos inéditos do artista (em tela e em papel), cujo centro é o movimento. Confrontando-nos com o nosso lado mais animal, Pantonio conduz o espectador por um percurso entre cortinas e nichos, obrigando-o a mover-se e a esgueirar-se para poder descobrir outras criaturas, como fazemos no mar ou na floresta. E talvez entre nós, humanos, bebendo da força do grupo ou girando para manter um lugar dentro dele.
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  • Arte
  • Arte contemporânea
  • Marvila
O estúdio polaco de tecnologia Ksawery Komputery decidiu partir do que não vemos para pôr tudo à tona. E tudo é código, hardware, câmaras, circuitos, testes, protótipos, falhas e experiências. A ideia é percebermos de que forma uma obra tecnológica é construída, testada e posta em funcionamento. Neste caso, código, ciência e matemática transformam-se em imagem, movimento e sensação, mas de uma forma “aleatoriedade controlada”, ou seja, em que as regras são desenhadas pela equipa, mas o resultado mantém uma certa margem de imprevisibilidade. A exposição abre "uma nova fase" da programação da Eterno, "orientada para experiências imersivas, experimentais e acessíveis a públicos para além do circuito especializado da arte digital".
  • Arte
  • Arquitectura
  • Belém
Um atlas de 700 imagens faz repensar a ideia de paraíso. “Vivemos nas melhores condições de sempre, impulsionados por tecnologias avançadas. No entanto, coexistem iniquidade e exploração desmedida de recursos – um paraíso paradoxal onde evolução e desigualdade colidem”. É para aqui que apontam os curadores (Paula Melâneo, Pedro Bandeira e Luca Martinucci, como principais, e Catarina Raposo e Nuno Cera como adjuntos) da criação que representou Portugal na Exposição Internacional de Arquitetura na Bienal de Veneza, em 2025. Chegando à representação do paraíso-Portugal, as praias e paisagens costeiras representam também "pressões urbanísticas, especulação e sobrecarga turística, enquanto o interior enfrenta uma acentuada perda demográfica”. Pode a arquitectura, então, contribuir para um futuro melhor? A inquietação fez produzir esta instalação tecnológica, arquitectónica e artística, sensível aos movimentos dos visitantes, que nos obriga a confrontar com uma ideia de meio ambiente.

Mais coisas para fazer em Lisboa

As novidades multiplicam-se de tal forma que, quando descobrimos os restaurantes que abriram nos últimos meses, já temos novas mesas à nossa espera. Entre os espaços que ainda cheiram a novo, em Lisboa e não só, há lugar para cozinhas de autor, de fogo, para peixe fresco, neo-tascas e os mais diversos projectos de cozinha internacional.

  • Compras

Lisboa não pára de somar novos balcões e montras que merecem uma visita. Entre laboratórios de perfumaria de nicho onde as fragrâncias são misturadas na hora, marcas nacionais empenhadas em promover um consumo sustentável, uma nova vaga de lojas de segunda mão e outras que honram o comércio tradicional da cidade, o roteiro de compras está em permanente renovação.

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