As 20 melhores Mentiras Para Contar a Turistas

Ainda não se falava em “alternative facts” e nós já andávamos aqui a inventar “verdades facultativas”, pedaços de uma olisipografia apócrifa ou razões para fazer crescer o nariz do Pinóquio. Eis as nossas mentiras preferidas para contar a turistas

Fotografia: Arlindo Camacho

O Verão está a chegar ao fim mas os turistas, essa tribo errante, não vai levantar acampamento tão cedo. Temos muito tempo para lhes contar tudo aquilo que eles não precisam de saber.

As 20 melhores Mentiras Para Contar a Turistas

1

A verdadeira história da Feira Popular

A Feira Popular de Lisboa foi criada no início do século XX como resposta de um grupo de empresários à Feira Impopular, um certame organizado pelo Grupo Satanista de Lisboa. Na Feira Impopular havia um Museu de Cera (dos Ouvidos), uma Montanha (de Salada) Russa, uma Roda Gigante (dos Alimentos) e uma Casa (de Banho) Assombrada. Percebe-se que a Feira Impopular era um negócio de família porque tudo está entre parentes. Havia ainda um Comboio (Literalmente) Fantasma que nunca ninguém viu.

2

O metropolitano é uma montanha russa horizontal

A linha verde do metropolitano é uma das mais frequentadas da cidade. No entanto, nela circularam durante muito tempo apenas três carruagens e, mesmo hoje, a frequência com que passa o metro é muito reduzida. Porquê? Não, não se trata de uma homenagem à indústria conserveira nacional ou de uma grande campanha de sensibilização para o uso de desodorizante. A razão pela qual o metro é um aglomerado espesso de seres humanos é outra: as poucas carruagens e baixa frequência permitem ao metro estar registado como um divertimento de feira em vez de um meio de transporte. Isso implica uma grande quebra de impostos e menos despesas para a empresa que gere o metro. E faz da linha verde a montanha russa mais desconfortável e aborrecida do mundo.

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3

Antes do D. Maria II houve um D. Maria I

O Teatro D. Maria II tem esse nome porque foi o segundo a ser erguido naquele lugar. O D. Maria original foi destruído num incêndio em 1964, daí a necessidade de erguer uma réplica à qual não se mudou o nome – apenas se acrescentou o “2”, em jeito de sequela. Já o Parque Eduardo VII tem outra história. Escreve-se “Eduardo VII” mas lê-se “Eduardo UII”, porque até ao século XVII não havia distinção fonética entre a letra “V” e “U”. É que o projecto para o Parque Eduardo era tão megalómano que toda a gente exclamava, “Esse Parque Eduardo? UIIIII!”. Daí o nome.

4

As estátuas de Lisboa são todas recicladas

A maior parte das estátuas da cidade são manequins reciclados das montras de outros séculos. O Camões, do Largo Camões, estava na vitrine de uma óptica especializada em palas e monóculos – uma ciclóptica, portanto. O Fernando Pessoa em frente à Brasileira servia de modelo no interior de uma conhecida loja de mobiliário de jardim. E o Infante D. Henrique, na proa do Padrão dos Descobrimentos, ganhou nova vida na estatuária lisboeta depois de ter sido preterido por uma loja de chapéus.

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5

Se o menu não tem os preços da comida, é porque ela é barata

Os lisboetas comem pastéis de bacalhau com queijo da serra todos os dias ao pequeno almoço. Os restaurantes com fotografias no menu são os melhores. Se o empregado não lhe disser os preços da comida é porque ela é barata. Se procura um sítio para jantar espere que um empregado a fazer malabarismos com o menu o convide usando quatro idiomas diferentes. Os pastéis de nata sabem a nata, os pastéis de belém têm um forte travo a belém. Peça a sua sardinha sem espinhas e o empregado terá todo o gosto em arranjar-lhe o peixe.

6

O trânsito de Lisboa é uma atracção turística

A maior parte das pessoas acha que Lisboa tem um problema de trânsito: filas, engarrafamentos, lentidão. Mas a verdade é que tudo isto faz parte de um plano genial da Câmara Municipal de Lisboa para criar uma nova atracção turística. Inspirada na Torre de Pisa, um edifício mal feito que se tornou um ponto de interesse mundial, a edilidade lisboeta decidiu criar a sua própria obra fracassada – o novo Marquês e a renovada Av. da República são exemplo disso. A esperança da CML é que no futuro as pessoas se desloquem propositadamente a Lisboa parar tirar fotos no meio da confusão.

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7

Lisboa tem os melhores carteiristas do mundo

Em Lisboa o carteirismo é uma actividade respeitada e admirada em vários sectores da sociedade. Os melhores e mais experientes larápios dão conferências, escrevem livros de memórias e são convidados para workshops sobre a nobre arte de palmar uma carteira. Todos os anos chegam a Lisboa amigos do alheio vindos dos quatro cantos do mundo para aprender com os melhores e, quem sabe, conseguir um lugar entre a elite do eléctrico 28.

8

O estilo Emanuelino em Lisboa

O Mosteiro dos Jerónimos é tido como um dos grandes exemplos do estilo Manuelino. Mas há outro estilo arquitectónico emblemático na capital: o Emanuelino. Este género privilegia os edifícios quadrados, tipo caixote, estruturas descritas pelos leigos em arquitectura pós-moderna como “mamarrachos”. Um dos traços distintivos do Emanuelino é a marquise, assim como todo o tipo de caixilharia em alumínio, material considerado nobre algures no final dos anos 70.

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9

O melhor louro prensado compra-se na rua

Lisboa é a única cidade do mundo com vendedores ambulantes de louro prensado. Nas últimas semanas as autoridades locais decidiram promover esta especialidade, colocando na Rua Augusta alguns cartazes que exultam as virtudes deste produto lisboeta. O louro prensado é fácil de transportar e de armazenar, permitindo aos seus utilizadores dar mais sabor a um refogado em escassos segundos. Se não gosta de louro e for abordado por um destes industriosos vendedores, o turista pode sempre aproveitar para adquirir um famoso pó branco que provoca dores de cabeça.

10

Os selfie sticks são proibidos

Lisboa foi a primeira capital europeia a banir os selfie sticks. A ordem foi dada pelo município que quer manter na cidade uma atitude positiva e solidária. Ao banir os “paus de selfie” a edilidade lisboeta promove o convívio entre turistas e locais, que terão todo o gosto em ser eles próprios a tirar as fotos embaraçosas das férias de quem nos visita. Para além disso o executivo camarário fez notar que “selfie stick” é um óptimo sinónimo para “vibrador” que está desaproveitado.

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Nota prévia: esta é uma lista que tem tudo para crescer em tamanho, não fosse Lisboa uma das melhores cidades do mundo e arredores. Não encare portanto estas paragens como um guia definitivo mas antes como um aperitivo para todas aquelas propostas que ficaram de fora (por agora) deste nosso menu. Opte por calçado confortável e venha daí.  

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