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As tampas nos passeios da cidade ganharam cores – muitas cores

A arte urbana não pára de explorar novos caminhos. Quem diria que o cinzento do chão guarda tantos desenhos e padrões?

Escrito por
Helena Galvão Soares
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Mélanie diz que "tem uma coisa com o chão". Desde 2016 anda a mostrar-nos no Instagram, em @lestrottoirs, o pavimento histórico das cidades que visita e as obras que os artistas urbanos lá criam. Em 2020 chegou a altura de ela própria criar um novo olhar sobre o chão da cidade funcional e de nos mostrar que os alçapões técnicos são um mundo que não é de todo desprovido de beleza. Ao pintar estas tampas, Mélanie chama a atenção de quem passa para aquilo que poucos viam: há desenho nas antigas tampas técnicas, há beleza no chão.

Deparámos com algumas destas intervenções em Alfama e passámos à conversa por e-mail.

Aparentemente vives em Paris, mas tens fotos de muitas outras cidades (Nova Iorque, Deli, Jaipur, Modena, Beirute...). Vais de férias, ou...?

Eu vivo em Paris e foi aí que comecei a pintar tampas. Actualmente, viajo sempre com os meus marcadores e pinto tampas onde quer que vá (agora sobretudo em França, por causa da Covid, mas passei uma semana em Lisboa, em Julho). Sou jornalista freelancer e umas vezes viajo em trabalho, outras de férias, depende.

No Instagram vemos que só começaste a colorir tampas em Setembro do ano passado. Como é que essa ideia apareceu?

Depois de quatro anos a fotografar os meus pés em diferentes pavimentos e em obras de outros artistas, quis fazer eu própria alguma coisa, e esta ideia apareceu numa conversa com um artista venezuelano que vive em Lisboa (@flixrobotico) e tinha pintado umas tampas de esgoto em Paris para uma exposição. Eu no meu trabalho uso marcadores acrílicos, por isso a minha arte é efémera – isso para mim não é um problema porque gosto de ver as cores a desvanecerem-se com o tempo. Com este projecto quis dar cor ao cinzento urbano e dar destaque a estas tampas em que geralmente ninguém repara, e é uma pena porque acho que muitas vezes têm um design de grande sensibilidade estética e que conta muito sobre a história da cidade. O meu objectivo é chamar a atenção para o sítio supostamente mais sujo do espaço urbano (os passeios) e mostrar que há tesouros e beleza em todo o lado.

Conta-me como é que isso funciona. Por exemplo, estiveste em Lisboa. Chegas, começas a andar pela cidade, a ver tampas, e desatas a colori-las? É assim?

Decidi passar uma semana sozinha em Lisboa em Julho, para poder pintar tampas à vontade, sem estar a chatear os meus amigos. Por isso, sim, quando cheguei, comecei a passear por Alfama, onde estava a ficar, e comecei a encontrar algumas tampas fixes e a apalpar terreno, a sentir o ambiente. Não sabia como as pessoas iriam reagir. Pintei a primeira tampa perto do meu apartamento ao fim da tarde. A vizinhança pareceu gostar e por isso continuei nos dias seguintes a pintar uma série delas por ali. No quarto dia, estava no Beco da Lapa, onde tinha encontrado uma tampa mesmo gira com o brasão de Lisboa. Ficava mesmo em frente da casa de uma senhora mais velha. Como eu não falo português e ela não falava inglês, foi um bocado difícil comunicar, mas ela gostou da minha pintura e começou a ir mostrá-la a todas as pessoas que passavam. Foi muito giro! Depois lá consegui encontrar-me com o Flixrobótico (o artista venezuelano que me tinha encorajado a começar a pintar o ano passado) e passámos uma tarde espectacular a pintar em Belém.

Geralmente, para este projecto procuro tampas originais (em Paris há poucos desenhos diferentes, é uma seca) e ruas calmas, porque se muitas pessoas as pisarem enquanto ainda não estão secas, a pintura desaparece num instante.

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É designer, é graffiter e é também detentor de um recorde do Guinness. Conhecido pelo seu projecto Original Extinction Art Project, que alerta para as espécies em vias de extinção, Edis One já pintou um pouco por todo o mundo, de Amesterdão ao Bali. E em 2016 participou na realização do maior muro do mundo pintado com luz negra, em Ras Al Khaimah, nos Emirados Árabes Unidos, que lhe valeu a entrada no grande livro dos recordes. Mas este artista de Benfica tem deixado a sua marca na zona de Lisboa, em particular no seu próprio bairro. Conheça algumas das obras de Edis One, realizadas a solo ou em conjunto com outros artistas, com destaque para o seu conterrâneo de Benfica, Pariz One.

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Vhils não se faz rogado quando o assunto passa pela dimensão das obras que vai criando mundo fora. Sobram poucas pessoas a quem não soe uma campainha quando ouvem o nome Vhils. Alexandre Farto passou fronteiras há muito e mesmo assim continua por cá a deixar a sua marca em murais de pequena ou grande dimensão. O mais recente representa o lançamento da primeira pedra da 'Chelas é o Sítio', uma associação sem fins lucrativos que conta com Sam The Kid no leme. Fomos à procura, nesta margem ou do outro lado do rio, das paredes rebentadas artisticamente por Alexandre Farto e encontrámos também a icónica obra na calçada portuguesa. Recolhemos as melhores perfurações artísticas de Vhils para que siga o roteiro mais esburacado de Lisboa, veja com olhos de ver e fotografe, que é tudo instagramável.

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“A Cidade da BD”, como se tem afirmado em Portugal e como confirma a parede de um túnel a caminho do Fórum Luís de Camões, é uma referência da expressão artística no espaço público e na cultura urbana da Grande Lisboa. Na rota da arte pública, contam-se mais de uma centena de murais, graças sobretudo ao projecto “Conversas na Rua”, organizado pelo município desde 2015, que promove todos os anos várias intervenções artísticas, em articulação com o património e a paisagem urbana da cidade. Entre as diferentes propostas visuais, encontramos obras de artistas como Odeith, Akacorleone, Vile e Smile. Pode vê-las num acervo virtual ou aproveitar para programar um passeio em família com este roteiro de arte urbana na Amadora, onde procurámos reunir alguns dos mais bonitos ou surpreendentes graffitis.

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Nos últimos anos, Marvila tornou-se uma autêntica galeria a céu aberto. Anote como coordenadas o Bairro das Salgadas (Rua Dinah Silveira de Queiroz), a Quinta Marquês de Abrantes (Rua Alberto José Pessoa) e o Bairro da Quinta do Chalé (Rua José do Patrocínio), três dos núcleos abrangidos pelos artistas das tintas. Para um roteiro com orientação a preceito, consulte as visitas-guiadas da Galeria de Arte Urbana. De caminho, não se esqueça de visitar a Galeria Underdogs, meca da cultura visual, e de passar a pente fino a restante oferta ao nível das artes.

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