Natália Correia
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18 mulheres marcantes da história de Lisboa

Podiam ser mais, muitas delas anónimas. Da política às artes, eis 18 mulheres que marcaram a vida da cidade.

Rute Barbedo
Colaborador: Renata Lima Lobo
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Estamos em 2026 e ainda nenhuma mulher liderou a Câmara Municipal de Lisboa. As decisões continuam a ouvir-se sobretudo de vozes masculinas, os lugares de poder mantêm-se dentro do mesmo género. Se já estivemos muito mais desequilibrados? Claro. Se é preciso ir muito mais longe? Bingo! As figuras que aqui elencamos são, por isso, mulheres que não devemos perder de vista ou de memória. Muitas desafiaram o regime opressivo, foram presas ou tiveram de fugir. Algumas instauraram na cidade um novo ritmo ou destacaram-se pelo "simples" facto de serem mulheres a falar alto num universo de homens. São mulheres das artes à ciência, da política e das tabernas.

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Lisboa

Rainha Dona Estefânia

Era uma vez uma princesa chamada Estefânia de Hohenzollern-Sigmaringen, que nasceu num castelo em Sigmaringen, um ducado da Germânia. Chegou a Lisboa em 1858 para se casar com o rei português D. Pedro V, na Igreja de São Domingos, mas morreu 14 meses depois vítima de difteria, com 22 anos. Não sem antes deixar um importante legado. Nesta altura, Lisboa vivia um período de epidemias de cólera e febre amarela e o casal real tinha por hábito visitar os hospitais da cidade. Foi no Hospital de São José que a rainha consorte ficou impressionada com as condições da enfermaria, onde eram tratados adultos e crianças no mesmo espaço, oferecendo o seu dote de casamento para que ali fosse criada uma enfermaria pediátrica. Não satisfeita, manifestou ainda o desejo de construir um hospital para crianças em Lisboa, um sonho que não viu realizado, mas logo após a sua morte D. Pedro V iniciou a construção do Hospital da Bemposta, uma obra terminada pelo seu irmão D. Luís que lhe sucedeu. Foi o povo que rebaptizou o hospital com o nome da rainha. Foi um dos primeiros hospitais pediátricos da Europa e hoje o Hospital Dona Estefânia é uma referência nacional em Pediatria.

A Severa

Maria Severa Onofriana nasceu em 1820 na Madragoa e morreu com 26 anos, mas foi a primeira fadista de que há memória e permanece como um dos grandes ícones da canção de Lisboa. Severa cantou não só para o povo, mas também para a elite da altura, fruto da sua relação amorosa com o Conde do Vimioso. Mas o mérito foi todo  de Severa, “uma fadista interessantíssima como nunca a Mouraria tornará a ter”, como a descreveu o seu conterrâneo e poeta Bulhão Pato. “Não será fácil aparecer outra Severa altiva e impetuosa, tão generosa como pronta a partir a cara a qualquer que lhe fizesse uma tratantada!”, lê-se no seu testemunho. Mais tarde foi descrita como a "meretriz cantadeira", por Eduardo Sucena, ou a "meio-soprano dos conservatórios do vício", por Pinto de Carvalho. Fez apresentações no Palácio do Conde do Vimioso ou no Palácio do Conde, mas também nas tabernas do Cegueta, do Manhoso ou da Rosária dos Óculos, os seus palcos principais. 

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Carolina Beatriz Ângelo

Foi em Arroios que pela primeira vez na história de Portugal uma mulher exerceu o seu direito de voto. Carolina Beatriz Ângelo, nascida na Guarda em 1878, veio estudar Medicina para Lisboa, curso que concluiu em 1902 e que lhe permitiu tornar-se a primeira cirurgiã portuguesa e a primeira mulher a operar no Hospital de São José. Chegou ainda a trabalhar no Hospital Psiquiátrico de Rilhafoles e num consultório particular na Rua Nova do Almada. Às conquistas profissionais, juntou uma grande conquista que abriu caminho para os direitos das mulheres. Quando aconteceu a revolução de 5 de Outubro de 1910, a médica já era viúva, uma infelicidade que acabou por fazer com que Beatriz Ângelo fizesse história em Portugal. Nas primeiras eleições em 1911 para a Assembleia Nacional Constituinte, a lei eleitoral definiu que podiam votar todos os cidadãos portugueses com mais de 21 anos, que soubessem ler e escrever e fossem chefes de família. Ora, era o caso. Primeiro, tanto a Comissão de Recenseamento como o Ministério do Interior rejeitaram as suas pretensões de aparecer nos cadernos eleitorais, mas Carolina Beatriz Ângelo viu os seus argumentos atendidos após um recurso em tribunal, graças ao juiz João Baptista de Castro (pai de Ana de Castro Osório, sua amiga e também feminista). 

Sarah Affonso

Se ser artista na primeira metade do século XX era uma espécie de passaporte para alguma irreverência, Sarah Affonso soube usá-lo. A pintora e ilustradora foi uma das poucas mulheres a frequentar, contra todas as convenções, o café A Brasileira (assegura a Gulbenkian), ao lado de Almada Negreiros (com quem viria a ter dois filhos), Fernando Pessoa ou José Pacheco. Foi então uma rara mulher das Belas-Artes, com presença no meio intelectual dos cafés lisboetas, que apenas décadas mais tarde teve o devido reconhecimento. Em 2022, foi criado em Campolide o Centro de Estudos e Documentação Almada Negreiros – Sarah Affonso, onde se estuda o espólio dos dois modernistas, entregue pela família.

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Natália Correia

Poetisa, escritora, dramaturga, opositora e desafiadora do Estado Novo, foi também deputada na Assembleia da República, onde apresentou célebres discursos. Nascida nos Açores, Natália Correia foi uma figura marcante na cultura portuguesa, em particular em Lisboa para onde se mudou com 11 anos e onde, mais tarde, liderou as famosas Tertúlias do Britânia, antes de fundar o Botequim da Graça. Em 1950, Natália casou-se com Alfredo Machado, proprietário do então Hotel do Império (depois Hotel Britânia), onde a poetisa e a sua trupe intelectual passaram a ser presença assídua. A abertura do Botequim da Graça, ainda hoje em funcionamento, deve-se em parte ao desejo de Natália de ajudar o grande amor da sua vida a superar o desgosto da venda do hotel. Foi no Império que escreveu O Encoberto (1969), obra censurada por “por inconveniência política e ser pornográfica”, entre outras obras. Três anos antes tinha publicado Antologia da Poesia Portuguesa Erótica e Satírica (1966) que lhe valeu 90 dias de prisão com pena suspensa por três anos por ser considerada ofensiva. Foi ainda processada por ter sido responsável pela publicação das Novas Cartas Portuguesas. Natália Correia defendia que a intervenção política era uma “obrigação dos poetas”.

As Três Marias

Maria Teresa Horta, Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa. As Três Marias foram importantes para o país inteiro, certo está, mas também símbolos em Lisboa, cidade onde viveram e a sua presença se fez marca. Com o empurrão da feroz Natália Correia, publicaram uma das maiores referências feministas nacionais, as Novas Cartas Portuguesas, acto que lhes valeu um doloroso processo judicial, sob a acusação de terem divulgado “conteúdo insanavelmente pornográfico e atentatório da moral pública”. O julgamento foi o primeiro episódio do movimento feminista português com projecção internacional.

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Isabel do Carmo

Foi uma das fundadoras das Brigadas Revolucionárias, organização de resistência armada à ditadura de Salazar. Ainda antes, nas lutas estudantis dos anos de 1960, subiu ao palanque e pediu a palavra, numa altura em que só o faziam os homens. "Fui realmente a única, com rapazes muito aflitos de me ouvir falar e eu um bocado stressada, não é? Mas cheguei-me à frente e falei de lá de cima e disse que as mulheres não eram só o repouso do guerreiro! Que as mulheres eram o guerreiro também!", contou a médica em 2024 à Rádio França Internacional. Fez uma longa greve de fome enquanto esteve em prisão preventiva, durante o PREC. Em 2004, Isabel do Carmo foi condecorada pelo presidente Jorge Sampaio com o grau de grande oficial da Ordem da Liberdade.

Celeste dos Cravos

A Revolução de 25 de Abril de 1974 é também conhecida como Revolução dos Cravos, graças a um acaso que envolveu Celeste Martins Caeiro, trabalhadora de um inovador restaurante self service que existia no edifício Franjinhas, conhecido por SIR. Esse restaurante foi inaugurado a 25 de Abril de 1973 e no dia da revolução planeava uma festa que comemoraria o primeiro ano de vida do negócio. Foram, por isso, encomendados muitos cravos, vermelhos e brancos, que iriam ser distribuídos pelos clientes. Mas a iniciativa acabou por ser cancelada. Afinal, estava em marcha a revolução, cujo nome ficaria para sempre ligado a Celeste. A trabalhadora do restaurante, ao ver tantas flores a caminho de serem desperdiçadas, decidiu pegar num ramalhão de cravos vermelhos (podiam ter sido os brancos!), foi para o Rossio e depois para o Largo do Carmo, o coração da Revolução. Em entrevista à revista Tempo Livre (edição de Abril de 1999), Celeste contou: “Os militares pareciam simpáticos. Sorriam para a gente. Um deles pediu-me um cigarro. Eu não tinha cigarros… Dei-lhe um cravo e ele meteu-o no cano da espingarda. Fiquei tão contente…”. Símbolo da liberdade, Celeste dos Cravos morreu em 2024.

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Sophia de Mello Breyner Andresen

Tem em Lisboa um miradouro com o seu nome (o da Graça, bairro onde viveu), escreveu intensamente sobre a cidade e foi um dos maiores nomes da poesia portuguesa do século XX. Na vida social e política, foi presidente do Centro Nacional de Cultura, deputada e presidiu à Comissão para a Redacção do Preâmbulo da Constituição, cujo texto se mantém inalterado desde 1976. Sophia foi também a primeira mulher portuguesa a receber o galardão literário Prémio Camões, em 1999. Os seus restos mortais estão no Panteão Nacional, ao lado dos de 11 figuras masculinas  apenas Amália Rodrigues lhe faz companhia na sororidade. 

Maria Keil

Os túneis do metro de Lisboa (do Campo Pequeno a Alvalade) estão pejados de obras da artista nascida em Silves, que se dedicou a áreas como a pintura, a tapeçaria, a cenografia ou a ilustração, tornando-se uma marca omnipresente na cidade. Maria Keil foi, em particular, uma renovadora da expressão artística do azulejo em Portugal, tendo colaborado largamente com a fábrica Viúva Lamego. À superfície da cidade, podemos admirar também o longo painel de azulejos "O mar", de sua autoria, na Avenida Infante Santo.

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Maria Barroso

Figura forte da políticia nacional, foi actriz, leitora de poesia (em digressão, escolhia a dedo poetas oposicionistas do regime ditatorial) e mobilizadora de várias causas sociais. Pela defesa acérrima da liberdade e da democracia, foi proibida pelo Estado Novo não só de representar, como também de ensinar, tanto no público como no privado. No pós-Abril, a vida deu-lhe razão e foi, durante décadas, directora do Colégio Moderno. Teve igualmente um papel de relevo na defesa do direito das associações de pais a intervir na política educativa. Tem hoje na Baixa uma escola básica com o seu nome.

Amália Rodrigues

A imagem de Amália como mulher sempre foi de força, independência, emancipação, um perfil não assim tão autorizado num país para o qual o lugar de uma mulher era em casa e, se possível, na cozinha. O lugar de Amália foi, porém, nas casas de fado, atrás das câmaras (como actriz) e nos grandes palcos mundiais, para onde levou também uma certa ideia de Lisboa. A fadista foi, ainda, a primeira mulher portuguesa a receber honras de Panteão.

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Madalena de Azeredo Perdigão

Foi a primeira directora do então recém-criado Serviço de Música da Fundação Gulbenkian, em 1960, função que a permitiu criar três pilares culturais para a cidade e para o país: a Orquestra, o Coro e o Ballet Gulbenkian. Fez por trazer, ao mesmo tempo, novos métodos de pedagogia musical, encomendou obras a vários compositores e interveio incisivamente na recuperação do património musical português. Em 1984, regressou à Gulbenkian para dirigir o ACARTE – Serviço de Animação, Criação Artística e Educação pela Arte e para criar o festival Jazz em Agosto, que ainda hoje existe. A Gulbenkian assinalou o centenário do seu nascimento, em 2023, com uma programação especial. O subtítulo era: "Vamos correr riscos".

Maria do Céu Guerra

É, para muitos, a mulher-teatro. Activista da cultura, actriz, encenadora e fundadora do Grupo de Teatro A Barraca, Maria do Céu Guerra fez desta casa em Santos a sua casa, desde Março de 1976. Podia ter sido um acto fugaz da esperança pós-25 de Abril, mas dura até hoje, com todas as dificuldades de uma companhia de teatro independente que quis existir enquanto "agente de mudança cultural". Cinquenta anos depois da sua fundação, a actriz admitiu (em entrevista ao Observador) que ainda é, apesar de tudo, "muito difícil para um homem português aceitar a liderança de uma mulher".

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Ana Salazar

Estávamos em 1972 (repetimos: 1972) quando Ana Salazar abriu a sua pequena loja A Maçã na Avenida da Igreja, em Alvalade, mostrando aos portugueses que era preciso ter – e assumir – uma relação com o corpo. Essa missão continuou e a designer de moda, que foi também uma figura marcante nas passerelles da ModaLisboa e do Portugal Fashion (fora os palcos internacionais), fez revolução através da roupa. As lojas de Ana Salazar em Lisboa (a do Areeiro foi classificada em 2025 como Loja com História) passaram a ser marca vanguardista e posicionaram a cidade no mapa europeu. "A moda é mais do que roupa", afirmou sempre. 

Teresa Ricou

Fundou o Chapitô e poderíamos parar por aqui, que já é suficiente. Mas avancemos. Teresa foi durante anos Teté, a mulher-palhaço de Lisboa, trazendo as artes circenses para as ruas da cidade. Foi também através das artes performativas que conseguiu a integração de jovens em situação de fragilidade ou exclusão social. Defendendo sempre o circo, impulsionou também a criação da Escola Profissional de Artes e Ofícios do Espectáculo, numa altura em que o segmento tinha pouco espaço. Pelo meio ainda criou o Departamento de Circo, em 1978, ano em que entrou para a Secretaria de Estado da Cultura e em que as artes circenses passaram a contar para o Orçamento Geral do Estado.

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Catarina Portas

Foi jornalista, apresentadora e tornou-se uma embaixadora e defensora das marcas portuguesas e do comércio tradicional de Lisboa. Sempre que alguma loja histórica fecha, vemo-la denunciar o rumo que Lisboa tem seguido nos últimos anos, não fosse ela filha de dois urbanistas. Em 2007, fundou A Vida Portuguesa e, dois anos depois, os Quiosques de Refresco. Fez também parte do conselho consultivo da Câmara Municipal de Lisboa para as Lojas com História. “Cada hotel na Baixa de Lisboa mata cinco ou seis lojas. Para quê? Para terem uns átrios que, em geral, não servem para nada”, questionava em 2025, numa entrevista à Visão. Uma activista da Lisboa genuína.

Marta Silva

Podemos estar a nomear mulheres que marcaram a história de Lisboa e destacar uma cujo trabalho ainda está a decorrer? Talvez não, se lhe contarmos os mais de 20 anos a trabalhar por uma abertura da cidade às ruas, pela integração e liberdade de pessoas socialmente excluídas, pela diversidade, pelo uso de património devoluto e pela cultura descentralizada, fora da grandes instituições. É o que tem feito Marta Silva, fundadora da cooperativa Largo Residências, que começou por trabalhar o território do Intendente quando todos tinham medo de lá pôr os pés (devido sobretudo ao consumo e tráfico de droga), através do SOU. Depois de passar pelo Quartel do Cabeço da Bola (como que expulsa pela gentrificação do Intendente), a cooperativa que promove residências artísticas, concertos, conversas, almoçaradas de vizinhos ou apenas meios para brincar criou os Jardins do Bombarda. Um pinhal que, se não fosse o impulso de Marta, estaria possivelmente de portões fechados no centro da cidade.

Viagens pela história

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Quem no dia 10 de Julho de 1910 passou pela Ponte Nova, à Rua da Fábrica da Pólvora, assistiu a um espectáculo memorável. A corrida de automóveis e motos da Rampa da Ponte Nova à Cruz das Oliveiras, num total de 1,5 km, uma das primeiras do género a ter lugar em Lisboa. Foi uma organização do Real Automóvel Club, incluída no Mês Desportivo da capital, que teve a dirigi-la, e também como membro do júri e concorrente, o Infante D. Afonso. O irmão do rei D. Carlos era um grande aficionado de corridas de automóveis, sendo popularmente conhecido como “O Arreda!”, palavra que gritava a quem quer que se metesse à frente do seu carro.

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Desde a inauguração, nos últimos anos do século XIX, até ao fecho, em 1978, o Francfort Hotel do Rossio gozou sempre de uma aura de respeitabilidade, embora não tenha sido um estabelecimento de primeira classe desde o início. Primeiro, pela localização central, e depois por sempre se ter apresentado como um hotel familiar. Frases como “Especialmente recomendado para famílias” apareciam nas suas publicidades. Ou ainda “O preferido pelos africanistas”, para atrair a clientela do antigo Ultramar português, quando vinha a Lisboa de férias ou a negócios. Uma estratégia também usada pelo seu “irmão”, o Hotel Francfort, localizado na Rua de Santa Justa. Os dois hotéis foram, durante vários anos, propriedade dos irmãos Arthur e João Narciso da Silva.

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Prédios acabados de construir, alguns já com moradores e outros ainda em final de construção; árvores plantadas há pouco tempo, pouca gente nos passeios e poucos carros a circular. Ao fundo, uma praça com um grande espaço vazio, que em breve viria a ser ocupado por uma igreja. Esta foto de uma Avenida da Igreja novinha em folha data dos primeiros anos da década de 50, e pode ser que ainda lá more quem se lembre dela assim.

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