Global icon-chevron-right Portugal icon-chevron-right Lisboa icon-chevron-right Sítios em Lisboa que pararam no tempo. E ainda bem

Atenção, continuamos a tentar dar-lhe a informação mais actualizada. Mas os tempos são instáveis, por isso confirme sempre antes de sair de casa.

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©Manuel Manso Caza das Vellas Loreto

Sítios em Lisboa que pararam no tempo. E ainda bem

Do século XVIII aos anos 80 do século XX, Lisboa tem sítios que lembram outros tempos. Visite-os e viaje ao passado

Por Renata Lima Lobo
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Lisboa é uma cidade em constante mutação e o futuro não pára de ser anunciado. Seja em projectos para a frente ribeirinha, no aumento dos espaços verdes e ciclovias ou mesmo no crescimento do turismo que tem mudado a vida na cidade, para o melhor e para o pior. Mas a vida de outrora continua representada nos mais diversos espaços da cidade. Nesta lista, damos uma sugestão para cada década do século XX, até aos anos 80, não esquecendo duas estrelas do século XVIII e XIX. Entre na cápsula do tempo e viva uma Lisboa que embora desaparecida ainda tem ecos nesta Grande Alface.

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Sítios em Lisboa que pararam no tempo. E ainda bem

Compras, Loja, Velas, Caza das Vellas Loreto
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©Manuel Manso

Século XVIII: Caza das Vellas Loreto

Compras Decoração Chiado

Esta oficina é tão velhinha, tão velhinha que o nome sobreviveu a quase todos os acordos ortográficos. Anterior à chegada da electricidade a Lisboa, vai na sexta geração de família Sá Pereira. O alvará para a sua abertura exigia que a loja tivesse duas tochas acesas à noite para iluminar a rua, numa altura em que a cidade era bem mais escura quando o sol se punha. Nesses tempos, as velas eram de sebo e tinham um cheiro pouco simpático. De França, o fundador Domingos Sá Pereira trouxe a técnica de fabricar velas com cera de abelha, ainda hoje o ex-líbris da casa, perdão, caza. Há opções para todos os gostos e orçamentos, mas nem só das velas vive o negócio. Aqui ainda se fazem pavios para lamparinas de azeite.

Confeitaria Nacional
Confeitaria Nacional
Inês Félix

Século XIX: Confeitaria Nacional

Restaurantes Cafés Baixa Pombalina

Foi a confeitaria que trouxe o bolo-rei para Portugal, uma receita que se mantém inalterada desde 1875. Nesse ano, já a casa fundada por Balthazar Roiz Castanheiro funcionava há 46 anos e seis gerações passadas continua a cargo da mesma família. No Natal, os bolos-reis são motivo de romaria à casa-mãe, localizada na Praça da Figueira, mas também pode ir lá apenas para beber um chá ou provar outras especialidades, como pastéis de nata, duchesses ou enfarinhados (massa de amêndoa envolvida numa boa camada de açúcar em pó).

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sapataria do carmo
sapataria do carmo
©Inês Félix

Década de 1900: Sapataria do Carmo

Compras Sapatos Chiado

Fundada em 1904, é uma das mais antigas sapatarias de Lisboa. Recentemente, uma pequena sociedade comprou-a ao neto do fundador, mas este continua a ser um negócio familiar: só mudou a família. A decoração é de origem, mas modernizaram o logotipo, aspiraram as caixas de sapatos dos anos 50 que decoram as paredes, forraram os sofás e poliram o chão. Os sapatos são feitos à mão em Portugal e os fornecedores são os mesmos (como a Armando Silva, aqui na imagem com um derby de 195€). Num futuro próximo será possível fazer sapatos por medida. Tome nota.

tabacaria martins
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©Inês Félix

Década de 1910: Tabacaria Martins

Compras Papelarias Chiado/Cais do Sodré

Na fachada, inscrições na pedra ou uma placa de metal onde se lê “vendem-se estampilhas e mais fórmulas de franquia de correios e telegraphos”. Hoje encontra aqui tabacos, artigos de papelaria, imprensa, postais para os turistas e bilhetes para espectáculos da ZDB. A loja está quase igual ao dia da sua inauguração, mantendo o interior em madeira, e ao leme tem Ana Martins, que sucedeu ao pai e ao avô. Lá dentro, escondidas numa parede, estão pequenas gavetas onde se guardavam as lotarias dos clientes que jogavam números certos.

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bar americano
bar americano
©Duarte Drago

Década de 1920: Bar Americano

Bares Cais do Sodré

Fernando Pessoa, Alexandre O'Neill ou José Cardoso Pires (este com mesa cativa) foram clientes habituais do histórico bar do Cais do Sodré. E corre o risco de se sentar num banco usado por eles, já que alguns são mesmo de origem. O espaço sofreu obras em 2016, mas foram só de manutenção, porque o Bar Americano continua o mesmo de sempre, não fosse o dono bisneto do fundador. O passar do tempo está espelhado nas garrafas centenárias, distribuídas por extensas prateleiras e que ainda reservam algum pó que lhes dá personalidade. Muitas, talvez nem sejam bebíveis. “Uma vez caiu uma e ficou a cheirar mal uma semana”, conta-nos Aleksandr, que aqui trabalha há dois anos.

a carioca
a carioca
©Sergio Calleja

Década de 1930: A Carioca

Compras Alimentos especializados Bairro Alto

Experimente passar dez minutos encostado ao balcão desta pequenina e histórica loja de cafés e chás do Chiado e veja quantos turistas entram encantados com as preciosidades da montra, abrem a boca de espanto com as máquinas de moagem de café e saem com sacos cheios de, lá está, cafés, chás, bolachas, rebuçados e até cafeteiras manuais. Os cafés são torrados numa torrefacção própria nos Anjos (Negrita Cafés), os chás vêm da Índia, Japão, China e Açores (Gorreana), mas aqui também já piscam o olho à modernidade: há lotes da casa vendidos em cápsulas para as máquinas Nespresso – e são bem bons.

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panificacao mecanica
panificacao mecanica
©Inês Félix

Década de 1940: A Panificação Mecânica

Restaurantes Cafés Lisboa

A história do comércio lisboeta não se conta apenas na Baixa da cidade. Em Campo de Ourique está instalada uma pérola da pastelaria alfacinha, onde encontramos muita gente do bairro, embora também caiam aqui franceses, ingleses e espanhóis. A visita começa a valer a pena mesmo antes de entrar, num edifício brindado com uma montra em ferro e decorado a azulejos. Apesar do nome, o que começou por ser apenas uma padaria hoje confecciona também pastelaria e refeições, de filetes de pescada a bifes de porco panado, e tem cerca de 40 funcionários. Como Rute, que posou para a fotografia e nos vendeu quatro deliciosos mini-croissants de doce de ovo e canela.

fotografia triunfo
fotografia triunfo
©Inês Félix

Década de 1950: Fotografia Triunfo

Compras Chiado/Cais do Sodré

Lembra-se de quando era pequenino e ia todos os anos ao fotógrafo registar o crescimento com cenários incríveis em fundo? Adriano Filipe, o dono da Fotografia Triunfo, que começou a aprender o ofício com apenas 12 anos com Américo Tomás da Silva, o fundador da casa, também se recorda. E conserva muitas memórias e geringonças desses tempos, estando mesmo a preparar a loja para acumular funções como museu, graças à colecção de máquinas de todos os formatos, feitios e épocas que decoram o espaço, sem contar com o acervo fotográfico com imagens de Natália Correia, Henrique Viana ou de um jovem António Costa. Lá dentro, um camarim para os preparativos e um lamento: “Antigamente, estava aqui rodeado de fotógrafos e havia trabalho para todos”, desabafa Adriano. Por estes dias, clientela procura-se.

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galeto
galeto
Fotografia: Arlindo Camacho

Década de 1960: Galeto

Restaurantes Hambúrgueres Avenidas Novas

Se lhe apetecer um Linguado à Colbert às três da manhã, se tem desejos de um Brochete de Aves ou o seu apetite pede-lhe uma Miscelânia ou uma Monterosa, então só há um sítio para ir – o Galeto. Este clássico da Avenida da República foi inaugurado em 1966 como “snack-bar” moderno nos tempos em que a expressão “snack-bar” era moderna. O projecto dos arquitectos Victor Palla e Bento de Almeida inclui um imponente balcão de 150 lugares que é a imagem de marca da casa – o restaurante está classificado pelo Instituto Português do Património Arquitectónico. No menu há mais de 170 escolhas diferentes, mas o dono do restaurante destaca o Bife Tártaro, “para quem gosta”, o Churrasco à Gaúcha e o Bacalhau na Brasa. O hambúrguer foi eleito pela revista como um dos melhores de Lisboa.

centro comercial apolo 70
centro comercial apolo 70
©Ana Cravo

Década de 1970: Centro Comercial Apolo 70

Compras Centros comerciais São Sebastião

Localizado no Campo Pequeno, é um dos centros comerciais sobreviventes dos anos 70 do século passado e continua a dar vida ao bairro. Foi inaugurado em Maio de 1971 e na altura era o maior centro comercial de toda a Europa. Hoje é o mais antigo de Lisboa e são dezenas as lojas que ainda facturam dentro do Apolo 70, mas o bar, o bowling e o cinema já fazem parte da história da cidade.

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Década de 1980: Bingo Belenenses

Coisas para fazer Avenidas Novas

Quando foi inaugurado, em 1986, o Bingo do Belenenses tinha a maior sala da Península Ibérica, com 600 lugares. Por isso não vai ter problemas em arranjar um sítio para se sentar, pegar nas canetas de feltro e começar a riscar cartões. Não deixe de usufruir do esmerado serviço de bar. Está aberto 365 dias por ano faça chuva, ou faça sol, 12 horas por dia.

Lisboa antiga

Rua Garrett - Chiado
Fotografia: Manuel Manso

A velha guarda do Chiado

Compras

Não há compras em Lisboa sem uma passagem pelo Chiado. Em parte, graças a muitas lojas históricas que ainda resistem nos dias de hoje. Da mítica Paris em Lisboa à livraria mais antiga do Mundo, a Bertrand, dos cafés da velhinha Casa Pereira às luvas da Ulisses, estas são as lojas onde tem mesmo de ir. 

Carnaval em lisboa antigo
©AML

Antigamente, o Carnaval em Lisboa era assim

Notícias Vida urbana

Antes de ser sinónimo de raparigas a desfilar de fio dental em pleno Inverno, o Carnaval já foi forte em Lisboa. Faça connosco esta viagem ao passado com o Arquivo Municipal de Lisboa, por entre tradições de há cem anos que gostávamos de ver reinventadas no século XXI.

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natal em lisboa
©Armando Serôdio/Arquivo Municipal Lisboa

Natal a preto e branco: um arquivo da quadra em Lisboa

Coisas para fazer

Não há registos fotográficos, mas a primeira árvore de Natal em Lisboa só chegou em 1848 ao Palácio Nacional da Ajuda, graças às saudades que o austríaco D. Fernando II, marido da rainha D. Maria II, tinha das suas tradições de Natal. No entanto, foi só no século seguinte que o Natal "explodiu" nas ruas da cidade.

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