1 Gostar
Guardar

A velha guarda do Chiado

A memória do bairro mais chique da cidade continua viva nalgumas livrarias, pastelarias e lojas tradicionais. Algumas já têm 100 anos em cima, mas continuam aí para as curvas.

Fotografia: Manuel Manso

Não há compras em Lisboa sem uma passagem pelo Chiado. Em parte, graças a muitas lojas históricas que ainda resistem nos dias de hoje. Da mítica Paris em Lisboa à livraria mais antiga do Mundo, a Bertrand, dos cafés da velhinha Casa Pereira às obras únicas da Ferin, estas são as lojas onde tem mesmo de ir. 

A velha guarda do Chiado

1868 - Bénard

O campeão de vendas da Benard é o... pastel de nata. Sim, sim, fica à frente dos croissants. A quota de estrangeiros que frequenta a pastelaria pode estar na origem da situação, mas contribui para a vitória a qualidade do bolo, que voltámos a atestar. Abriu em 1868 na Rua do Loreto, mudou-se para a localização actual em 1906, altura em que ocupou uma antiga pastelaria. E todos os bolos e salgados de babar que aparecem na vitrine são confeccionados na cave.

Ler mais
Chiado

1905 - A Brasileira

A Brasileira é café e museu. Goste-se ou não do serviço, das enchentes de turistas que sorriem ao lado da estátua, dos preços praticados na esplanada ou da barulheira de djambés que vem da rua, é impossível falar do Chiado sem passar aqui. Até porque o café, marca própria da casa que faz os seus próprios lotes, tem muito sabor. E beber uma bica ao balcão é um must do lisboeta tão válido quanto fotografar a pala do MAAT.

Ler mais
Chiado

1888 - Paris em Lisboa

É provável que não saiba, mas o Paris em Lisboa começou por ser uma loja de alta costura. “Como muitas outras na época”, conta José Carlos Sousa Gomes, um dos responsáveis. E dá tanto gozo imaginar o Chiado assim, quanto sair desta loja com um saco na mão. Esteja ele carregado de roupa de cama, de fronhas feitas de algodões xpto, de mantas às quais apetece dormir abraçado ou simplesmente um pijama. E atenção que muito do que se vende tem selo português.

Ler mais
Chiado

1925 - Casa Ferreira

Qualquer artista da cidade já explorou a Casa Ferreira. E por artista entenda-se pintor, escultor, arquitecto ou graffiter. Sim, graffiter. A representação da marca alemã de tintas Molotow foi uma das últimas jogadas desta velhinha loja de material para belas artes, que nasceu na Rua da Rosa em 1925. A sucursal do Chiado tem seis anos, mas quem atende atrás do balcão, Maria Josefina, conta com 43 de casa e, apesar de não pintar, sabe de cor e salteado todo e qualquer material que ali se vende (além de adorar uma boa conversa).

Ler mais
Chiado

1732 - Livraria Bertrand

Recebe os clientes com livros mas também com um justo record de Guiness para a livraria em actividade mais antiga do mundo. O placard está colado na vitrine da entrada, não vá alguém desconfiar da veracidade do feito. E se as obras recentes lhe retiraram algum do charme da madeira – o chão teve mesmo de ser mudado –, é verdade que continua a ser das livrarias com atendimento mais simpático da cidade.

Ler mais
Chiado

1929 - Rei das Meias

O Rei das Meias tem um modelo de meias para quem calça 50. Verdade. Também veste um 48 ou um 49, já foi vendido a clientes da casa e faz parte das cerca de 400 referências da loja. Leu bem. Há meias de cano alto ou curto, collants simples ou com fantasias, meias para quem tem problemas de circulação e alergias a tintas de tecidos, modelos de produção própria ou vindos do estrangeiro – como as cómodas meias Burlington ou Falke. O segredo da longevidade, diz José Santos, é ser “uma casa de especialidade. A mais antiga de Lisboa.” E, para isso, não há concorrência.

Ler mais
Chiado

1840 - Livraria Ferin

É a segunda livraria mais antiga de Lisboa. E ai de si que entre lá à procura de obras em segunda mão: são antigos, mas vivem do “livro moderno”, dizem. A casa, hoje em dia especializada em livros de história e genealogia, abriu pelas mãos de uma família belga, primeiro como gabinete de leitura e só mais tarde com os moldes de livraria. Tem várias obras em exclusivo, como o Almanak Ferin de 1905, um anuário com os feriados, os dias festivos do reino, as tabelas astronómicas ou os nobres do país.

Ler mais
Chiado

1922 - Pequeno Jardim

É “aquela florista da Rua Garrett, quando sobes do lado esquerdo” que ninguém sabe o nome, mas onde toda a gente pára para admirar os arranjos. É um negócio de vão de escada desde o dia em que nasceu e é nas traseiras da loja que a magia acontece e que são feitos os arranjos com flores secas, frescas, algumas sementes e ervas aromáticas. Fazem arranjos especiais, aceitam encomendas e também entregam.

Ler mais
Chiado

1925 - Luvaria Ulisses

A Luvaria Ulisses mede 4 m2. Atrás do balcão só cabem duas pessoas a atender de cada vez – do lado de fora também não há espaço para muito mais. As luvas são feitas com pele de ovino, vaca ou veado, numa fábrica própria em Lisboa, e o processo de prova e venda mantém-se há 91 anos. Abre-se a luva com um abridor, deita-se pó de talco dentro, pousa-se o cotovelo numa almofada e a luva é posta. Depois de sair, há uma escova que tira os restos de pó. Uma espécie de ritual à Downton Abbey, mas no século XXI.

Ler mais
Chiado

1834 - Casa Senna

Se quer participar nos Jogos Olímpicos Tóquio 2020, o melhor é passar na Casa Senna. Aqui há dardos e pesos para lançamento, há fatos de banho para natação, sapatilhas para ginástica, tudo. Há também mesas para pingue-pongue, marcadores de resultados para várias modalidades, jogos de tabuleiro e uma réplica do velhinho jogo do burro (custa 75€ e está à venda uma igual no Custo Justo por 160€, não caia nisso). E é provável que agora tenha batido uma saudade: antes da era das grandes superfícies, era aqui que os lisboetas se abasteciam de material desportivo.

Ler mais
Chiado

Comentários

0 comments