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Televisão, Séries, SIC, Esperança, César Mourão
©DRCésar Mourão em 'Esperança'

‘Esperança’ retrata uma Lisboa em rápida e feroz mudança

César Mourão veste a pele de uma octogenária e dá meticulosamente vida à D. Esperança.

Escrito por
Eurico de Barros
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★★★☆☆

Não é preciso conhecer a peça homónima de 2016 da autoria de Frederico Pombares e César Mourão para apreciar a série Esperança (OPTO). Mas quem a conhece ficará de novo muito bem impressionado com o papelão do actor na viúva octogenária que mora num enorme apartamento de um velho e sólido prédio da Lisboa tradicional. É que não se trata de um mero e cabotino número de travesti. Servido por um apurado trabalho de maquilhagem, o actor literalmente desaparece na personagem da digna e voluntariosa D. Esperança, compondo-a meticulosamente em todos os trejeitos, achaques, cismas, rotinas e temores típicos de alguém daquela idade, geração e estrato social, conferindo-lhe uma imediata e ampla veracidade, e uma consistente e intensa humanidade.

Todos temos, ou tivemos, uma parente, conhecida ou vizinha como ela. A história assenta na firme resistência da senhora, e seus aliados, a quem a quer ver despejada (caso de dois familiares próximos), e a série também marca pontos na limpeza da escrita, na boa caracterização das personagens secundárias (vividas por actores pouco conhecidos) e na maneira como capta a realidade de uma Lisboa em rápida e feroz mudança, e como ela aflige os mais idosos. Dispensava-se era a desnecessariamente insistente música de fundo.

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