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Glória
Paulo Goulart/NetflixMiguel Nunes em Glória

Há espiões a mais em ‘Glória’

A série portuguesa da Netflix está longe do ideal, mas o caminho faz-se por aqui. Aplausos para a recriação da época e para a realização de Tiago Guedes.

Escrito por
Eurico de Barros
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★★☆☆☆

A série Glória fica para a história: é a primeira produção portuguesa original para a Netflix. Isso ninguém lhe tira, nem a audácia da aposta num formato que nos é alheio. Um enredo de espionagem sobre Portugal na Guerra Fria, passado nos anos 60, na RARET, o centro retransmissor da Rádio Europa Livre que funcionou em Glória do Ribatejo. A sua importância é aqui manifestamente exagerada. Era apenas uma instalação técnica de apoio ao aparelho de propaganda anticomunista dos EUA, e não um centro vital de informações. Tal como é empolada a actividade do KGB em Portugal na altura: a espionagem soviética só entrou cá em força após o 25 de Abril. Tudo isto poderia ser descontado, se a história não fosse tão implausivelmente rocambolesca. A começar na forma como o protagonista, João Vidal, filho-família do regime e agente do KGB, anda por toda a parte e faz o que lhe apetece sem ser nunca visto ou acordar suspeitas, e a acabar na colecção de clichés de série B do género que vai acumulando, mais alguma ganga (o subenredo de violência doméstica e os bordões sobre a guerra de África). Os aplausos vão para o grande esforço posto na recriação da época e para a vigorosa e ágil realização de Tiago Guedes. Glória ainda está longe do ideal, mas o caminho faz-se por aqui.

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