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Scenes From a Memory
HBOScenes From a Memory

‘Scenes From a Marriage’ não chega aos calcanhares do original de Bergman

Apesar da sua pose visual e dramatúrgica toda cool, a série da HBO pouco mais faz do que baralhar e tornar a dar a vulgata do psicodrama da implosão marital.

Escrito por
Eurico de Barros
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★★☆☆☆

Diz-se que por causa de Cenas da Vida Conjugal (1973), a série de televisão de Ingmar Bergman, depois remontada para cinema, a percentagem de divórcios, e de casais à procura de terapia, aumentou na Suécia. Não estamos a ver – tudo pelo contrário – acontecer o mesmo nos EUA devido a Scenes From a Marriage (HBO), a série em que Hagai Levi (Terapia) pretende revisitar e rever a de Bergman, com Jessica Chastain e o indistinto Oscar Isaac no equivalente das personagens de Erland Josephson e Liv Ullmann no original. Após Cenas da Vida Conjugal, muita água passou debaixo das pontes da representação do colapso conjugal na televisão e no cinema, sempre sob a influência tutelar, inescapável, directa ou enviesada daquela, nomeadamente nos filmes de rupturas sentimentais e domésticas de Woody Allen, o melhor epígono do mestre sueco. Apesar da sua pose visual e dramatúrgica toda cool, e do revisionismo de género, para estar em sintonia com os tempos (o marido é agora o componente mais vulnerável e profissionalmente menor do casal), Scenes From a Marriage pouco mais faz do que baralhar e tornar a dar a vulgata do psicodrama da implosão marital. E está para a série de Ingmar Bergman como um compostinho primeiro andar esquerdo para um luxuoso apartamento de cobertura.

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