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Nando Reis
Carol Siqueira Nando Reis

Nando Reis vem a Lisboa matar saudades do Brasil

Nando Reis é um dos grandes da pop brasileira. Apresenta-se em Lisboa em formato Voz & Violão – e traz Roberto Carlos na mala.

Por Hugo Torres
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Titãs, Marisa Monte, Cássia Eller, Skank, Jorge Ben Jor. Como músico, cantor, compositor ou produtor, Nando Reis está ligado a todos estes notáveis da música brasileira. Vale a pena começar por pôr as cartas na mesa. Portugal ainda não descobriu o trabalho a solo do ex-baixista dos Titãs, mas já lá vão 25 anos de discos, platinas, digressões concorridas e muitas colaborações. Nesta quinta-feira há uma oportunidade de ouro: o espectáculo Voz & Violão, que leva ao Coliseu de Lisboa (o Porto recebe-o a 7 de Abril), faz a síntese das canções que o próprio gravou e as que escreveu para vozes mais reconhecíveis.

O que tem impedido a sua música de ser conhecida por cá? Nando Reis encolhe os ombros: “Em 1987, fizemos aí uma tournée pequena com Xutos e Pontapés. Tentámos abrir o campo de público em Portugal, mas nunca foi possível. A minha teoria é que, fora do Brasil, há uma ideia de que a música brasileira se resume ao samba ou àquilo que pode ser encarado como world music.” São raras as excepções: Marisa Monte, Gilberto Gil, Caetano. “Talvez com o Voz e Violão possam entender a relação do meu trabalho como representante expressivo do que é a música brasileira”, diz, por telefone, a partir de São Paulo.

O show nasceu em 2015, no Sesc Pompeia, uma das mais dinâmicas instituições culturais paulistanas – e cresceu para uma sala da dimensão do Coliseu dos Recreios, o Creditcard Hall. “Fizemos dois dias e as vendas foram surpreendentemente boas. Gravei um disco ao vivo e fiz uma tournée, que também teve um sucesso muito grande.” Interrompeu para fazer Jardim-Pomar, em 2016, um disco especial em que participam os filhos, ex-colegas dos Titãs (Branco Mello, Sérgio Britto, Paulo Miklos e Arnaldo Antunes), Peter Buck (ex-R.E.M.) ou Mike McCready (Pearl Jam, Mad Season). O Grammy Latino para Melhor Álbum de Rock ou de Música Alternativa em Língua Portuguesa, que ganhou, coroou o fim de um ciclo para Nando Reis com a banda que o acompanhava há anos – Os Infernais.

Entretanto, participou em dois supergrupos: os Levee Walkers, com Mike McCready, Duff McKagan (Guns N' Roses) e Barrett Martin (Mad Season/Screaming Trees), e o Trinca de Ases, com Gilberto Gil e Gal Costa. ste último passou pelo Campo Pequeno há pouco mais de um ano.

A 19 de Abril, sairá um disco de homenagem a Roberto Carlos – Não Sou Nenhum Roberto, mas às Vezes Chego Perto. O concerto em Lisboa terá, provavelmente, dois temas do “rei” no alinhamento: “De Tanto Amor” e “Amada Amante”. Nando Reis não poupa nos elogios à voz de “O Calhambeque”: “Costumo dizer que antes de a gente entender o que ele está dizer, a gente sente”. “É um cantor de muita técnica e muita sensibilidade”, que viu beleza no que é prosaico como ninguém o tinha feito até então no Brasil: “o cabeludo, a moto, o carro”. “Fiz uma audição privada e a reacção foi de muita surpresa. Acredito que isso possa acontecer com o Roberto e com o Erasmo.”

Nando Reis acredita que vai tocar para “uma maioria absoluta de brasileiros”. “É uma reacção de brasileiros que moram aí, ou estão de passagem, que têm uma relação de saudade com o Brasil, afectiva, e a música acentua muito isso. São reacções catárticas.” O que significa que as canções mais conhecidas deverão lá estar: “Relicário”, “All Star”, “Os Cegos do Castelo”, “Diariamente”. A temporada na Europa – o músico vai tocar pelo continente – também servirá respirar um pouco da política e do futebol brasileiro, temas que lhe são caros. Se Jair Bolsonaro “é um imbecil” a que é “absolutamente avesso” (em 2013 apoiou Marina Silva), o seu clube do coração, o São Paulo, “caminha junto com o problema estrutural do Brasil: má administração e corrupção”. Mas as infelicidades ficam lá. Nando Reis vem em busca de outra coisa – de levar saudades daqui. E isso é connosco.

Silva & Cia.

Nando Reis não é o único músico brasileiro que vai andar por cá esta semana. Só o seu compatriota Silva vai dar seis concertos em Lisboa entre quinta e sábado, no Capitólio, ao ritmo de dois por dia (primeiro às 21.30, depois às 23.00). Os bilhetes custam 21,10€, se bem que o mais certo é já estarem todos esgotados quando esta revista chegar às bancas. A receita para o sucesso? Uma abordagem moderna e global, com absoluta frescura pop, à MPB. Talvez o futuro da música popular brasileira passe por aqui.

Por aqui e pelo Cais do Sodré, onde se realiza o festival MIL entre quarta e sexta-feira. O concerto de abertura junta a portuguesa Lula Pena à carioca Letrux. Na quinta, escuta-se o rock psicadélico dos Bike, às 21.30 no Sabotage. Ou a folk à brasileira de Rubel, a partir das 22.30 no Titanic Sur Mer. Pelas 23.15 é possível escolher entre o folclore do futuro dos Venga Venga, no Lounge, e a synth-pop de 2DE1, no Roterdão. E a noite termina com uma grande festa organizada pelo festival SIM São Paulo, da meia-noite às seis da manhã, no Musicbox. Com Jaloo, Badsista e Patricktør4. Na sexta-feira vai ser possível escolher entre o hip-hop de Ramonzin, às 22.30 no Viking, ou Edgar, às 22.45 no Musicbox. Também vem cá MC Buseta, que nasceu no Brasil mas vive e canta em espanhol. Actua quinta, às 22.00, no Roterdão. Luís Filipe Rodrigues

Brasil em Lisboa

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