Christmas music

Uma ementa musical portuguesa para a consoada

Consoada que é consoada tem uma digna playlist. Escolhemos seis canções portuguesas que lhe garantem um brilharete diante da sua família. Ou talvez não

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Do momento da chegada dos convidados (sim, são família mas não deixam de ser convidados) à abertura dos presentes. A lista (ou playlist) que se segue é um ajuda e tanto. São seis músicas portuguesas, umas mais alternativas do que outras, para os vários momentos da consoada, com passagem obrigatório pela tábua dos queijos e pela perna de presunto. Em podendo escolhíamos seis pernas de presunto e não seis canções, mas já se sabe como o presunto é caríssimo. E não roda bem no gira-discos. 

As melhores músicas para ouvir na consoada

19.00: José Afonso – “Natal dos Simples”

O primeiro passo para uma curadoria musical de sucesso, seja em que época festiva for, é meter uma música de José Afonso. Até no Carnaval devemos ouvir este astro do cancioneiro português. E sugerimos que o faça, neste caso da consoada, logo pelas 19.00, assim que a família começar a chegar. De Cantares do Andarilho (disco de 1968), “Natal dos Simples” é a canção ideal para dizer onde arrumar os presentes, onde deixar os casacos, e sugerir que a família se junte lá para o Dia dos Reis e, pedindo a letra emprestada a José Afonso, dizer em coro: “Vamos cantar as janeiras”.

20.00: Éme – “Um Lugar”

“Tou cansado e o caminho é longo / mais vale ir embora já”, é a primeira fase de Éme na canção “Um Lugar”, do disco de 2014 Último Siso. E é isto que o seu primo adolescente, nervoso, mordaz, vai dizer se não lhe indicar o seu lugar à mesa. Mais: deixe-o escolher. Mas não o deixe sem resposta, antes que ele se sente, entre presuntos e descrições cuidadas da tábua de queijos, de Nisa a Seia, chute-lhe com esta maravilhosa cantiga e acabe com outra frase sacada daqui: “Um lugar é tão difícil de encontrar”.

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21.00: B Fachada – “Dia de Natal”

Ainda que esta “Dia de Natal” se refira ao dia 25, à magia de acordar primeiro que os pais e ir agarrar as prendas debaixo da árvore, esta ementa musical é daquelas onde as prendas se abrem à meia-noite. “Eu tento distinguir o bem do mal / mas se a mãe é que decide sobre o meu comportamento / que se lixe o Pai Natal”. Diríamos que é a canção ideal de arranque de jantar, para salientar que a melhor prenda que podemos ter é a iguaria que nos vão servir. E se for por nós, é um belo bacalhau cozido com couve à descrição. E, nunca esquecer, dois ou três ovos cozidos.

22.00: Moxila – “O Natal é dos Ateus”

Duas garrafas de vinho depois é tempo de ser ousado, de testar os eventuais cristãos da sua consoada com esta incrível canção de Moxila, uma das melhores vozes portuguesas, e que pertence à família Cafetra. “O Natal é dos Ateus” consta do disco Natal Gentil 2 e conta com a colaboração de João Nada. E isto ainda se torna tudo muito mais irónico porque a voz de Moxila tem algo de sagrado, de Missa do Galo. Não nos parece que alguém vá levar a mal, afinal é Natal e o valor da canção encanta qualquer um.

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23.00: JP Simões & Norberto Lobo – “Canção da Paciência”

Lembra-se da primeira regra para o sucesso de uma boa curadoria musical? Pois, claro, é sempre bom voltar a ela. Há é que saber fazê-lo com truques, como, por exemplo, escolher um cover de José Afonso interpretado por JP Simões e Norberto Lobo, magistralmente cantado por JP, cuja voz fica uma delícia no dedilhar de Lobo. É aquele momento em que já passámos aos doces e aos digestivos, aquele momento em que perguntamos ao pai onde escondeu aquela garrafa de whisky que o primo trouxe da Escócia, sabe? E portanto, nada como uma música que prega a acalmia. Mais: serve-lhe para pensar que é mesmo preciso paciência para alguns elementos da família que só vê nesta data.

24.00: Modernos – “24”

A curadoria musical, ainda que seja natalícia, também pode ser alternativa. Sobretudo se o curador achar por bem, antes que a troca de prendas comece, escolher uma música de que goste sem qualquer motivo aparente. Se bem que nesta canção dos Modernos (um dos projectos paralelos dos Capitão Fausto, presentes no catálogo da Cuca Monga) que pertence ao EP #1, se diz: “Quero morrer aos 24”. Não morra vá lá, aguente mais um dia 24 de Dezembro, com os seus, às 24 horas. Que para o ano há mais.

Mais Natal

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O Natal é sinónimo de momentos em família e de uma barrigada de boa comida. Até aqui, tudo bem. O pior é que isto também significa passar horas e horas de roda dos tachos e das panelas, a preparar o bacalhau, o cabrito, o polvo, o borrego e, claro, os doces. Já para não falar em tudo o que vem antes – compras, logística... Para quem quer tirar uma folga da cozinha, ou ter um dia de Natal diferente, sugerimos uma reserva num destes restaurantes para uma festa fora de casa

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