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Café Tati é mais uma vítima do aumento das rendas em Lisboa

Café Tati
Fotografia: Ana Luzia

Cais do Sodré vai perder um espaço que se tornou a sua “sala-de-estar”. As portas fecham no final do ano e a expectativa é que possa reabrir noutro sítio.

O Café Tati não chegará a 2019 no número 36 da Rua da Ribeira Nova. O dono do imóvel decidiu aproveitar a explosão dos preços das rendas em Lisboa e não renovou o contrato de arrendamento que durava desde 2011, quando o Tati abriu portas num Cais do Sodré ainda degradado e à míngua de espaços de ideias e menus arejados.

“Disseram-nos que teríamos de sair no final do contrato, mas não tivemos oportunidade de negociar um eventual aumento de renda”, disse o dono do Tati, Ramón Ibañes, ao jornal Público, que deu a notícia do encerramento nesta quinta-feira (apenas dias depois de ficarmos a saber que o SecAdegas também foi forçado a sair do seu espaço, ao Intendente, pelas mesmas razões). Joana Campos, empregada de balcão no Tati há quatro anos, confirmou o desfecho à Time Out Lisboa: “Vai fechar.”

A decisão do senhorio foi-lhes comunicada “há uns meses” e alguns clientes habituais já o sabiam, mas ainda não havia qualquer anúncio formal. “Estávamos a digerir a informação”, diz Joana Campos. “A coisa estava a correr bem. Gostamos muito deste espaço.”

O Café Tati fica nas traseiras do Mercado da Ribeira e estabeleceu-se antes de o Time Out Market e a Pensão Amor ganharem forma, de a Rua Nova do Carvalho ser pintada de cor-de-rosa, ou de a Praça D. Luís I e toda a zona central do Cais do Sodré ser reabilitada. É conhecido pela descontração e pela decoração vintage; pela ementa de almoços, jantares, brunches e petiscos com influências gastronómicas das mais diversas latitudes; e pela programação musical, a cargo de Gonçalo Marques, jam sessions de domingo incluídas.

Mas o encerramento nesta localização pode não ser o fim do Tati. O proprietário está à procura de um novo espaço. “Acho que ainda não encontrou”, lamenta Joana Campos, juntado-se aos clientes no sentimento de perda: “Tenho amigos para quem o Tati é uma espécie de sala-de-estar e agora perguntam-me para onde vão depois de isto fechar.”

“Está a perder-se a alma das coisas. Está a acontecer em toda a Lisboa. Perde-se esta coisa do bairro, do que não é feito só para o turismo. Já nem menus em português temos, os espaços são todos muito iguais.” Joana não faz ideia do que tomará o lugar do Tati, mas acredita que terá de ser “uma coisa bastante diferente para poder pagar esta renda”. “Para pagar esta renda, não podem praticar preços baixos e vender cafés a 60 cêntimos.”

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