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A Casa do Croquete fez sucesso em Alvalade, conquistou os glutões da Time Out numa prova cega e agora abriu uma segunda loja. Fomos lá provar o salgadinho tradicional e voltámos a pensar nos recheios de ossobuco e bochecha.

Esta história não começa aqui nem agora. A primeira vez que ouvimos falar da Casa do Croquete foi quando abriu em Alvalade, em Janeiro de 2025. Tirámos nota e reservámos. Seguiu-se um erro de cálculo de que só viríamos a dar conta muitos meses depois: com a crescente lista de novidades a visitar na cidade, a Casa do Croquete foi sendo preterida em detrimento de outros espaços que nos pareciam mais prioritários. No final do ano, quando decidimos fazer uma prova cega com o popular salgadinho, incluímos este novato no lote dos examinandos e a equipa da Time Out atribuiu-lhe logo na estreia, e consensualmente, o segundo lugar, à frente de clássicos absolutos como o Tico Tico, o Gambrinus ou o Galeto. E agora? Agora viemos com o rabinho entre as pernas fazer o trabalho que se impunha.
Estamos no segundo espaço da Casa do Croquete, que abriu no final de Janeiro na Avenida Columbano Bordalo Pinheiro, entre a Praça de Espanha e Sete Rios. Uma zona que, apesar de ter um lado residencial, é bastante diferente da localização original, em Alvalade. É uma zona de passagem. “Surgiu mais por oportunidade do que por intenção”, revela António Oliveira, chef que passou por casas de comida tradicional como o Solar dos Presuntos e o Pap’Açorda. Depois de muitas dezenas de milhares de croquetes vendidos no primeiro ano de actividade, ele os dois sócios planeavam uma expansão para um bairro como Campo de Ourique ou a Estrela. Mas aqui foi possível passar a cozinha de produção, que ficava na Estefânia, para um espaço que também funciona como loja. “Assim conseguimos um género de dois-em-um.”
“Permite-me, como chef, ter mais proximidade com a cozinha, controlar melhor e mais facilmente a qualidade, e ter também mais oportunidade para desenvolver receitas novas. Além disso, estando aqui, em loja, consigo ajudar a criar a casa e a equipa, como fizemos em Alvalade”, continua António, sublinhando que, sendo inusitada, esta é uma “zona com potencial”.
O local é discreto. Fica junto à BP e ao buffet chinês City Wok, num antigo espaço de frango na grelha. É essencialmente um corredor com uma pequena sala à entrada, composta por duas mesas de quatro lugares iluminadas pela grande janela para a rua, mais três mesas altas de dois encostadas à parede. Mas a decoração simples, com o amarelo mostarda sobre o branco das paredes e do mobiliário e o chão de madeira clara, dá-lhe um ambiente estival – quente e acolhedor.
Ao fundo, fica o balcão com a montra de croquetes, que podem ser comidos à peça, com cervejinha a acompanhar; combinados em diferentes menus; ou levados para casa. Caso opte por esta possibilidade há duas informações importantes a reter: se os levar já prontos, à meia dúzia é mais barato; se preferir levá-los congelados para casa, também pode – há caixas de 12 (18€) e 25 (36€).
Existem sempre oito opções de recheio e uma novidade mensal. Aquando da nossa visita, esta última era um inesperado croquete de camarão. Mas não era caso único. Com a carta dividida entre clássicos e especiais, esta segunda categoria incluía ainda novilho, ossobuco e bochecha (2,2€ a unidade, 12€ a caixa de seis), e alheira (1,60€/ 9€). Boa para quem gosta de uma dose de heterodoxia servida com o seu croquete.
Mas os clássicos são os clássicos, certo? Errado. Bom, mais ou menos. O tradicional, feito com uma mistura de novilho e cachaço de porco, foi o que arrecadou a prata na prova cega da Time Out. “Enfezadinho, feiinho, engelhado e, surpresa!, muito bem frito, muito bem ligado, recheio muito bem arejado, suave, cheio de fiapos de carne”, escrevemos então, ainda impressionados. Há um outro, de nome Casa, só com cachaço de porco. E se é verdade que há muito que se vêem por aí croquetes vegetarianos (o terceiro desta parte da carta), não estaríamos à espera de encontrar um “clássico” de bacalhau, preparado com broa e coentros. Qualquer um destes quatro custa 2€ a unidade e 11€ a caixa de seis. E todos podem ser combinados em menus.
E são quatro os menus disponíveis, três dos quais com o produto estrela da casa: o S, com dois croquetes, sopa, bebida e café (8€); o M, com três croquetes, acompanhamento, bebida e café (11€); e o L, que acrescenta sopa ao anterior (13€). Os acompanhamentos – arroz, salada ou batata frita – também podem ser pedidos à parte. O quarto é o Desfiadinho, uma sandes de carne desfiada, com batata, bebida e café (11€). “Aproveitámos que tínhamos as nossas carnes desfiadas, de estufar para os croquetes, e acrescentámos algo diferente. Uma sandes simples”, mas enriquecida com o caldo da carne e com “bom pão”. A sopa, essa, é feita na casa e muda todos os dias (provámos o creme de couve roxa).
A ideia para a Casa do Croquete não começou com António Oliveira. Quando surgiu, este estava a chefiar a cozinha do Discreto, perto da Sé. Quem o desafiou para o projecto foi o irmão, Ricardo Oliveira, e o amigo Miguel Costa, que há mais de dez anos se dedicou a criar uma “Rota do Croquete”. Entre decidirem avançar e a primeira abertura, passaram oito, nove meses. “Testámos várias ideias [para os croquetes]. Fomos fazendo jantares e almoços com amigos, para dar a provar as nossas experiências. ‘Fazer mais assim’, ‘tem que estar mais crocante’, ‘tem que estar mais cremoso’... E foi com base nas opiniões de amigos que conseguimos chegar a um consenso para a carta base”, recorda o chef.
Não é um conceito fechado. Ainda recentemente lançaram cones de “pipocas”, que é como quem diz miniaturas para comer numa única dentada (25 unidades, 12,50€). O que não muda é a essência do projecto. “O nosso slogan inicial era democratizar o croquete”, afirma Ricardo Oliveira. “Ou seja, dar acesso a um bom croquete a um preço normal, de pastelaria.” É um “negócio de bairro”, continua. “Tentamos fomentar isso. Em Alvalade, toda a gente sabe quem é o Salvador da Casa do Croquete [o gerente], ou o António. E vão lá as senhoras de manhã e ficam à conversa durante 20 minutos com o Salvador.” Por isso mesmo, as lojas acabam por ter dinâmicas diferentes. Apesar de tanto lá como cá, a esmagadora maioria do serviço ser para entrega ou takeaway, quem decide sentar-se e comer os seus croquetes no local fá-lo de forma diferente: em Alvalade, é a imperial ao final da tarde que chama a clientela; na Praça de Espanha, é a hora do almoço que funciona melhor. Por nós, desde que se mantenha quentinho e cheiinho, qualquer hora é boa.
Avenida Columbano Bordalo Pinheiro 70B (Praça de Espanha). Seg-Sáb 12.00-21.00
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