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Abriu no final de Março, no último piso do recém-inaugurado hotel Andaz Lisbon. O chef é Bruno Alves, que nos apresenta pratos com raízes portuguesas e muitas influências do Brasil, de Cabo Verde, Moçambique ou do Japão.

Assim que entramos, os nossos sentidos são tomados de assalto. A música é animada, a decoração exuberante. As plantas percorrem todo o espaço, tal e qual uma selva urbana, e há cadeiras e mesas com diferentes padrões, além de sofás de cores garridas. O destaque, ainda assim, vai para a parede do fundo da sala que, bem colorida, está pintada de animais, plantas e folhas verdes, e formas e elementos que remetem para a restante decoração. É assim que se apresenta o restaurante Luzzi. Fica no sexto andar do novo hotel Andaz Lisbon, do grupo Hyatt, inaugurado a 11 de Março em plena Baixa Pombalina.
É de misturas que nasce o Luzzi. A proposta é criar pratos com influências que chegam de países asiáticos, africanos e americanos, ligados à história e cultura portuguesas. “A nossa intenção foi construir um conceito muito simples, como acontece com o Zuma em relação à cultura moderna asiática, ou com o Coya e a cultura moderna peruana. Queríamos ter um restaurante que fosse português e moderno, sem ser estrela Michelin e sem que existisse aquela sensação de desconforto de olhar para a comida e não a entender”, afirma Cajetan Araujo, director-geral do Andaz Lisbon.
A cozinha é chefiada pelo brasileiro Bruno Alves. Entrou no mundo da restauração quando, ainda no Brasil, quis mudar de carreira e arranjou um trabalho a lavar pratos num restaurante por onde passou um dia. Depois disso, esteve em fine dinings estrelados em Trento e Ímola, em Itália, e quando voltou ao país-natal abriu o seu próprio espaço, o Albertina (que fechou por causa da pandemia). Passou pela Herdade da Matinha, no Alentejo e, entretanto, estava a trabalhar num projecto do Hyatt na Costa Rica quando surgiu o convite para vir para o Luzzi.
“Tentámos criar um conceito que já foi tocado por outros restaurantes de alguma forma, mas não da maneira como a gente está a propor aqui”, diz Bruno Alves, explicando que a ideia foi conceber uma “identidade diferenciada” dos restaurantes de hotel comuns. “Agora, estamos na fase um de contar uma história muito ligada ao ‘e se?’. O que aconteceria se juntasse alguém que adora caril de Goa com um brasileiro que adora moqueca? O que aconteceria se uma senhorinha que ama fazer arroz de pato à portuguesa fosse passar dois meses a Macau? É essa a brincadeira que a gente quer fazer aqui”, continua o chef.
Nesta primeira carta, que segundo Bruno Alves ainda está em processo de criação, as influências vêm principalmente de Macau, Goa, Japão, Moçambique, Angola, Cabo Verde e Brasil. Quase todos os ingredientes são de origem local. No que toca à carne, por exemplo, o princípio é o de usar o animal inteiro – “Por isso é que não há um bife na carta. As propostas vão mudando de acordo com o que temos de cortes dos animais.”
À mesa, chegam primeiro os petiscos. Recomendam-se a coxinha de galinha africana (13€), com recheio de galinha piri-piri, amendoim e queijo Azeitão DOP, e a picanha fumada em pão de queijo (15€), com cebola confitada e aioli de ervas. A chamuça de camarão e chouriço com chutney de tamarindo (9€), a salada de polvo à Lusitânia (17€), que leva amendoim, milho, leite de coco, crocante de banana e manga verde, e a tempura da horta com molho balichão (9€) também despertam curiosidade. Mas, não havendo espaço para tudo, avançamos para as entradas.
É neste segmento que encontramos propostas como o atum de Cabo Verde (14€), tártaro de atum com creme de milho; o carabineiro grelhado, alho frito e bisque de piri-piri (28€); ou os dumplings de tofu marinado e espinafre, de frango, pasta cafreal goesa e manteiga ghee, ou de camarão e caldo de tucupi (10€-14€). É por estes últimos que optamos antes de passarmos para os principais, os mais surpreendentes.
Vale a pena provar o gnocchi de batata doce, ragu de conchas, com sapateira e vieira grelhada (30€), e a moqueca (32€) com camarão grelhado, farofa de caju e arroz de coentros ainda mais. “Uma das coisas que a gente quis muito ter presente – e que é uma coisa comum em todos estes países – é a ideia de pôr um tacho no meio da mesa e, com a família e amigos, pegar em conchas e colherões e cada um se servir”, ilustra o chef, mencionando que houve uma tentativa de adaptar alguns pratos de forma a que cada pessoa conseguisse “meter uma colher e comer um bocado”.
A parte do peixe e marisco completa-se com o peixe do dia no forno em folha de bananeira (30€) e lavagante grelhado no carvão com açorda (98€). Nas carnes, há arroz de pato laqueado em vinho do Porto, chouriço e laranja grelhada (28€); terrine de borrego marinada com xacuti e arroz de limão (32€); púcara de pintada com cachupa (28€); e finalmente o prato de churrasco, feito com os cortes disponíveis naquele dia, acompanhado de farofa de ovo e salada de couve goesa (preço sob consulta).
Existem duas opções vegetarianas: a couve-flor inteira assada com molho vindaloo (19€) e a feijoada com cogumelos e couve grelhada (20€), feita com sete tipos de feijão, “cada um emblemático de um país”. No final, terminamos com duas sobremesas: a serradura, que leva amêndoa, bavaroise, figo e mel (10€), e o quindim com sorvete de maracujá (10€). Há ainda bebinca (11€), doce conventual de Goa, e torta de chocolate e café (11€).
A carta de vinhos, desenhada por Duarte Nunes, gerente do Luzzi, divide-se em regiões – destaque para o Douro, Dão, Bairrada, Lisboa e Alentejo – e inclui cerca de 104 referências. A maioria tem rótulo nacional, mas não ficam a faltar champanhes franceses, entre eles o Dom Perignon, e vinhos brancos e tintos italianos, espanhóis ou americanos. Os cocktails são toda uma outra história.
Se de um lado os janelões do Luzzi permitem avistar o Castelo de São Jorge, do outro as varandas do Z Terrace dão-nos uma vista privilegiada para o Arco da Rua Augusta. O rooftop é igualmente alegre e colorido, tem um tecto retráctil e conta com uma programação animada: de quarta-feira a sábado há DJ sets. O espaço será, certamente, muito procurado quando chegar o Verão.
Além de cerveja e de uma selecção de vinhos, conte com oito cocktails de assinatura (que também podem ser pedidos no bar do restaurante). O The Pearl (20€) leva sake, espumante, líchias e tomilho-limão, o Floral Armada (18€), gin, vermute de sakura, chá branco, pétalas de rosa e ruibarbo. O Pump The Jam (16€) é feito com tequila, limão, abóbora, canela e malagueta, enquanto o Blurred Lines (16€) tem vodka, banana, nozes e manteiga de amendoim. Outras opções incluem combinações como rum e cardamomo, cachaça de jambu e morango, whisky japonês e ameixa, ou vermute e chocolate. Os petiscos disponíveis são os mesmos que estão na carta do restaurante.
A abertura deste hotel na Rua do Comércio, no quarteirão onde fica o edifício que em tempos acolheu o BPI, marca a estreia da Andaz, do grupo Hyatt, em Portugal. “Uma cidade como Lisboa, repleta de arte, história e música, tem muito para oferecer. E aqui nada parece um elemento estrangeiro, tudo o que fazemos e oferecemos é uma extensão da cultura portuguesa”, afirma Cajetan Araujo, dizendo que o hotel pretende ser uma extensão da cidade e também reflectir a sua identidade cultural.
O hotel conta com 170 quartos e, além do restaurante e terraço no último piso, a zona do lounge acolhe um bar, inspirado nos quiosques lisboetas. A carta de vinhos inclui apenas referências portuguesas produzidas exclusivamente por mulheres, as cervejas são de marcas locais e há até uma torneira de gin. No menu, há desde bifana a pastel de nata.
O design de interiores é assinado pelo Studio Urquiola, liderado pela designer espanhola Patricia Urquiola. Muitos dos elementos presentes, como os azulejos, são tipicamente portugueses. As peças de arte também são de artistas nacionais: na escadaria à entrada, que “não leva a lado nenhum”, há uma instalação de Sofia Cruz; na recepção, três obras de Luísa Ramires; no lounge, uma de Francisca Coutinho. Muitas outras encontram-se espalhadas pelo resto do hotel. Numa das paredes da entrada, onde fica a escadaria, vemos ainda o painel de Nossa Senhora da Misericórdia, considerado um símbolo de protecção, que remonta ao século XVIII.
Descrito como um resort urbano, o hotel prevê uma expansão para mais quatro edifícios próximos até 2028, que contarão com mais 60 suítes residenciais, um spa e um restaurante de rua, com um conceito diferente do Luzzi. “Imaginemos que estamos num resort, em que temos de caminhar até à outra ponta para ir ao spa ou à piscina. Aqui, fazemo-lo atravessando a cidade, como fazemos todos os dias. Isso vai mudar a dinâmica daquilo que significa ser um hotel”, remata o director-geral do Andaz Lisbon.
Rua do Comércio, 132 (Baixa). Luzzi Ter-Sáb 19.00-23.00. Z Terrace Ter-Sáb 17.00-00.00
Com a chegada da Primavera, aproveite os dias longos ao ar livre com as melhores esplanadas e os melhores quiosques de Lisboa. Se tem a operação biquíni em curso, dizemos-lhe onde estão os melhores restaurantes saudáveis, das saladas às sobremesas – e aqui tem os melhores sítios para sumos naturais e smoothies. Para experiências mais completas, espreite as nossas listas com os 100 melhores restaurantes em Lisboa e com os melhores novos restaurantes da cidade. Já os melhores restaurantes pan-asiáticos põem-lhe (quase) toda a Ásia à mesa.
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