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Mattia Stanchieri decidiu dar por terminada a aventura no Chiado. O restaurante onde os menus de degustação migram geograficamente a cada quatro meses terá o seu último dia a 28 de Março. Não resistiu à diminuição do número de clientes.

“Depois de uma viagem incrível, cheia de noites inesquecíveis, ideias arrojadas, riscos assumidos e uma sala que se tornou casa de tantos momentos bonitos, chegou o momento de fechar este capítulo.” Foi assim que Mattia Stanchieri começou por anunciar, esta terça-feira, o encerramento do Vibe. O chef e proprietário italiano diz que ter um restaurante como este era “um sonho de vida”, mas as dificuldades vividas pelo sector inviabilizaram o projecto. O último serviço será a 28 de Março, dentro de pouco mais de uma semana.
“Temos um enorme orgulho no que construímos e, acima de tudo, na equipa extraordinária que o tornou possível todas as noites. A sua dedicação, criatividade e entrega são o verdadeiro legado do Vibe”, lê-se ainda no curto comunicado que acompanha um vídeo do próprio Mattia Stanchieri com uma mensagem idêntica. “Ter um restaurante como o Vibe era um sonho de vida, e quem nos conhece sabe que esta decisão não é um reflexo do trabalho extraordinário que aqui fizemos, mas sim do facto de a restauração ser uma das sectores mais difíceis [da economia]”, diz o chef de viva voz, prometendo novidades para breve.
Ao Público, Mattia Stanchieri sintetizou a causa de forma mais directa: “dificuldades financeiras”. “Ao contrário do que acontece com muitos dos restaurantes em Lisboa, muitos deles em hotéis, nós não tínhamos investidores externos, o que dificulta a absorção de prejuízos”, sublinhou. “Às vezes, temos de saber parar. É um capítulo que se fecha.” O chef revelou ainda que a afluência ao restaurante estava ininterruptamente a cair nos últimos tempos: “Após um período inicial onde senti muito interesse, em 2024, o número de clientes tem vindo a diminuir constantemente a cada mês”.
A decisão de fechar o restaurante acontece uma semana após a gala Michelin, onde Stanchieri esteve presente. Apesar de o Vibe manter a recomendação no famoso guia vermelho, a estrela não chegou. Se tivesse chegado, porventura a história fosse outra. Ocupando o espaço do antigo Nómada Chiado, o Vibe é um restaurante de fine dining, embora com um conceito que o distingue dos demais: a cada quatro meses, o menu de degustação muda e é repensado a partir de uma geografia completamente diferente da anterior. Já foi da cozinha de Nova Orleães, muito influenciada pelos sabores da África Ocidental; já foi do Norte de Itália; já foi da street food tailandesa; e agora é de Copenhaga.
Mattia Stanchieri é um chef experimentado em restaurantes com estrela Michelin. Antes de abrir o Vive, quando chegou a Lisboa, foi trabalhar para o Belcanto. Vinha do dinamarquês Geranium, então considerado um dos melhores do mundo, com três estrelas. Não foram os únicos assim. Começou em Itália, onde trabalhou noutro restaurante com três estrelas, o Da Vittorio. “Tive o meu próprio restaurante em Itália e fiz também estágios noutros restaurantes com estrelas Michelin. Todos os anos fazia um estágio”, acrescentou ainda à Time Out, em 2024, a propósito da abertura do Vibe. Depois passou dois anos nas Caraíbas, a alimentar VIPs e celebridades – fartou-se e regressou à Europa. Resta saber o próximo destino.
Está à procura dos melhores restaurantes de Lisboa? Escolhemos os 100 que mais nos entusiasmam para 2026. Nas novidades, ainda cheiram a tinta os artigos sobre o Flamma, o Faminto, o Black Moon, o La Repubblica 29 e o Pub Lisboeta Mercearia Pachecas. No departamento das sandes, o Vetrina chegou a Campo de Ourique e o Katsu, no Cais do Sodré, é um fenómeno. Voltando aos chefs, tome nota destas notícias: Maurício Varela tomou conta do Ofício e Ana Leão do Corrupio.
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