Teatro em Setembro: 12 peças a não perder

Setembro é tempo de regresso e o teatro não se faz rogado neste início de temporada apresentando peças para todos os gostos
Timão de Atenas
@Jose Caldeira Timão de Atenas de Nuno Cardoso
Por Rui Monteiro |
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Shakespeare não falta à chamada, assim como não faltam Beckett, Strindberg, Claudio Tolcachir, Duncan Macmillan, Nuno Cardoso e a misteriosa Odete, entre outros. Autores de categoria, uns mais, outros menos reconhecidos, postos em cena por encenadores e intérpretes, na maior parte dos casos com provas dadas, noutros ansiosos por as prestarem perante o público. Este mês há peças de diferentes géneros, nascidas em diferentes épocas com diferentes intenções. Há umas que é só rir. Mas há também aquelas em que, rindo ou não, é preciso pensar e não apenas ficar ali sentado a fruir. Fruir é, aliás, a palavra-chave. Por isso tenham todo o prazer possível com esta dúzia de peças propostas.

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Teatro em Setembro: 12 peças a não perder

1
O Violino num Violino
©DR
Teatro, Drama

O Vento Num Violino

icon-location-pin Princípe Real
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O regresso dos Artistas Unidos ao Teatro da Politécnica faz-se com a última peça da trilogia de dramas sociais assinados por Claudio Tolcachir. Encenação colectiva com interpretação de Andreia Bento, Isabel Muñoz Cardoso, Margarida Correia, Pedro Baptista, Pedro Carraca e Sara Inês Gigante, o texto do autor e encenador argentino “conta histórias paralelas que a dado momento se cruzam.” É o autor quem diz serem “histórias de pessoas desamparadas, repletas de ausência e de perda, e que giram em torno do seu projecto de amor, o qual corre sempre mal.” Assim, de um lado está uma mãe abastada a braços com o filho estilo trintão sem rumo; do outro, mas de estrato social mais baixo, outra mãe convive com a urgência de a filha lésbica querer, com a sua companheira, passar pela experiência da maternidade. Esse é o desejo que cruza estas vidas e que encontra uma saída “através de uma solução extrema e imprevisível.”

2
Medeia é Bom Rapaz
©DR
Teatro, Drama

Medeia É Bom Rapaz

icon-location-pin Lisboa
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Foi em 1992 que Fernanda Lapa “e uma equipa de artistas e técnicos entusiastas”, mas sem cheta, apostaram na montagem da peça de Luis Riaza. Nessa altura, apresentado no extinto Teatro do Século, foi um êxito que recebeu prémios pela encenação de Lapa e pela interpretação de João Grosso. Vinte e seis anos depois Fernanda Lapa volta a encenar esta peça sobre o desejo, ou melhor, “sobre o Desejo do Desejo”, agora com interpretação de André Leitão e Ruy Malheiro, “dois actores que fazem de homens que fazem de mulheres.” Para a encenadora esta “Medeia é um cerimonial destruidor, um pesadelo da sociedade moderna acorrentada a fantasmas. Fantasmas que lutam risivelmente pelo Poder”, onde “Autor, Actores e Encenadora, num jogo de espelhos deformantes, tentam descobrir a sua própria imagem e esperam vê-la fugir num carro do Sol, depois de se terem vingado de Jasão.”

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3
A Pior Comédia do Mundo
©DR
Teatro, Comédia

A Pior Comédia do Mundo

icon-location-pin Chiado
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E se de repente a porta dos bastidores se abrisse e o espectador tivesse acesso ao que por lá se passa? Foi a partir deste pressuposto que Michael Frayan escreveu esta comédia agora encenada por Fernando Gomes. O objectivo é, claro, fazer rir, através de um “olhar alucinante sobre o teatro e as loucuras e devaneios dos que o fazem, cujas tendências para crises descontroladas de ego, falhas de memória e alguma promiscuidade, transformam cada actuação numa verdadeira aventura de alto risco” interpretada, além do encenador, por Ana Cloe, Cristóvão Campos, Elsa Galvão, Inês Aires Pereira, Jorge Mourato, José Pedro Gomes, Paula Só e Samuel Alves.

4
Timão de Atenas
©José Caldeira
Teatro, Drama

Timão de Atenas

icon-location-pin Chiado
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De quando em quando a companhia portuense Ao Cabo Teatro vem até à capital, e desta vez não é com uma, nem com duas, mas com três produções. A primeira a estrear é esta peça do repertório de William Shakespeare apenas uma vez encenada em Portugal (em 2012, por Joaquim Benite, a partir da tradução de Yvette K. Centeno). Timão de Atenas marca também o regresso do encenador Nuno Cardoso ao teatro shakespeariano, depois de Ricardo II, Medida por Medida e Coriolano, com esta obra escrita pelo dramaturgo inglês, em parceria com Thomas Middleton, algures entre 1605 e 1606. Esta “’tragédia’ invulgar (e inacabada)” dedicada a “um nobre e generoso aristocrata ateniense que se torna num implacável misantropo” tem, para o encenador, “especial interesse”, pois “a ganância humana, com a qual Timão de Atenas está tão ocupada, se presta ao olhar contemporâneo, pela sua absoluta presença no nosso quotidiano.” Em palco, com este “convite à nostalgia pela clareza de princípios, mesmo se incarnados por um protagonista sem talento político para os arrogar”, estão Afonso Santos, António Parra, João Melo, Joana Carvalho, Luís Araújo, Margarida Carvalho, Mário Santos, Miguel Loureiro, Pedro Frias, Rodrigo Santos e Sérgio Sá Cunha.

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5
Credores
©DR
Teatro, Drama

Credores

icon-location-pin Chiado
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Escrito por August Strindberg em 1888, o mesmo ano em que criou Menina Júlia, esta peça encenada por Paulo Pinto (que também integra o elenco com Sofia Marques e Ivo Canelas) “centra-se na frágil relação de um casal, ameaçada pela chegada de um estranho.” Em cena, Adolfo, jovem pintor “muito devoto à sua mulher, Tekla”, depois de se tornar amigo do professor Gustavo, o estranho de que se falava, “vê-se enredado numa teia que o faz duvidar do carácter da sua própria mulher.”

6
Apeadeiro
©José Caldeira
Teatro

Apeadeiro

icon-location-pin Chiado
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Continuando no território do Ao Cabo Teatro, mais uma vez com Nuno Cardoso, agora sozinho em palco e apresentando a terceira jornada do tríptico de solos autobiográficos que tem vindo a criar. Canas de Senhorim, a vila onde nasceu e cresceu o autor, encenador e intérprete é a “matéria referencial”, a que se junta “a sua experiência ao longo dos anos como actor e encenador” na criação de uma narrativa improvisada, algures entre a “memória e a ficção, o real e a fábula, com a qual ensaia um retrato possível” a partir do mote dado pela frase “o meu corpo é a minha terra, a minha terra está no meu corpo.”

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7
À Espera de Godot
©DR
Teatro

À Espera de Godot

icon-location-pin Santa Maria Maior
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Eis que regressa a palcos portugueses Samuel Beckett e a sua mais popular peça, evidentemente À Espera de Godot, desta vez com encenação de David Pereira Bastos, que, diz, “não procura levantar questões a partir do texto, nem propor leituras ou sublinhar significados.” Para o encenador (e parte do elenco com Bruno Simão, Miguel Moreira e Rui M. Silva) o espectáculo “apresenta o texto e os actores, o texto através dos actores e vice-versa.” Este “declarado exercício de liberdade sobre uma das peças mais influentes do teatro mundial” parte da tradução de José Maria Vieira Mendes, tem cenário de Bruno Simão e desenho de luz de José Álvaro Correia.

8
Teatro
©DR
Teatro

Teatro

icon-location-pin Santa Maria Maior
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Foi há uns dois meses que, como parte do Festival de Almada, Actriz, de Pascal Rambert, foi apresentado na Sala Garrett. A mesma sala onde o autor e encenador francês regressa com mais uma evocação dos actores e do teatro, desta vez com Beatriz Batarda, Cirila Bossuet, João Grosso, Lúcia Maria, Rui Mendes, Asia Galante, Maria Abreu e Sara Barbosa no elenco, para, à semelhança de Actriz, prosseguir a representação de “como as personagens continuam a habitar os corpos e as almas dos seus intérpretes.”

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9
Baixa Terapia
©DR
Teatro, Comédia

Baixa Terapia

icon-location-pin Avenida da Liberdade
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Três casais que não se conhecem encontram-se inesperadamente no consultório da psicoterapeuta que os acompanha. Porém, desta vez, nesta comédia de Matias Del Federico, a profissional não está presente, embora tenha deixado tudo preparado para a chegada dos casais, incluindo um bar com uísque e “vários envelopes com instruções de como em conjunto deverão conduzir a sessão sem a sua presença.” Para representar esta “sessão sem o acompanhamento da terapeuta, onde todas as questões são resolvidas em grupo”, estão em palco, com direcção de Marco Antônio Pâmio, o conhecido actor de telenovelas António Fagundes, Mara Carvalho, Fábio Espósito, Alexandra Martins, Bruno Fagundes e Ilana Kaplan.

10
Pulmões
©José Caldeira
Teatro

Pulmões

icon-location-pin Chiado
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Regresso ao trabalho do Ao Cabo Teatro para ver como Luís Araújo encena Duncan Macmillan, dramaturgo inglês pouco conhecido em Portugal, nesta obra que “encara de frente a geração ‘millennial’ e as suas inquietações.” Com interpretação do encenador e de Maria Leite, encontra-se “um casal na casa dos 30 anos” que discute, “durante uma ida ao IKEA, a possibilidade de ter um filho e qual o impacto dessa decisão neles e no mundo – confrontando-os a eles e aos espectadores com a iminência de uma catástrofe que pode produzir consequências cataclísmicas.” Ora, mesmo não “sendo explicitamente sobre mudanças climáticas”, o certo é que a peça “fala de uma geração que, tal como o planeta, vive num estado de ansiedade e de incerteza económica, social, política e ambiental” a que ainda se pode ainda juntar o terrorismo no espaço cénico, vídeo e figurinos criados por António MV, iluminado por Nuno Meira.

Mês novo, vida nova

Música

Concertos em Lisboa em Setembro

Setembro é um mês muito peculiar. Por um lado, queimam-se os últimos cartuchos do Verão. Por outro, é a altura da rentrée, do regresso à rotina que é também o regresso dos concertos em Lisboa. Para além de festivais como o Lisb-On, a Festa do Avante! e o Santa Casa Alfama, há uns quantos concertos que valem mesmo a pena, como os de Feist, Beach House, Mercury Rev ou Low. 

Patrulha Pata
James Wessels www.ROCKMEMPHISLIVE.com
Miúdos

18 coisas para fazer com crianças este mês em Lisboa

Acabou-se a papa doce. Sete dias por semana entre mergulhos na praia e na piscina? Já chega. É tempo de regresso às aulas e à rotina, de voltar a ir para a cama cedinho e de limitar o número de horas à frente da televisão. Mas se pensa que agora é a vez da agenda infantil na cidade tirar férias, desengane-se. 

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Joana Carneiro
@Rodrigo César
Música

Concertos gratuitos de Jazz & Clássica em Setembro

Após o merecido repouso estival – ou após digressões por outras paragens –, muitas orquestras começam a aquecer os motores para a temporada de 2018/19 e algumas das primeiras aparições fazem-se em concertos gratuitos associados ao Festival Cantabile, ao Lisboa na Rua e ao Festival de Sintra. 

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