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Há uma instalação artística à beira-rio que está a dar nas vistas

A ferrugem deu lugar a um azul vibrante nos pontos de amarração que se sucedem neste cais há muito desactivado. Fomos ver o que se passa.

Escrito por
Helena Galvão Soares
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É fim do dia e vamos ao cais de Santos falar com Justin Amrhein, o artista plástico californiano que concebeu e está a executar a instalação 3D Blueprint AzulTejo network. Mas temos que esperar um bocadinho: uma senhora está a perguntar-lhe o que é que ele está a fazer. Justin conta-nos que, como nunca tinha feito uma obra em espaço público, não tinha previsto que tanta gente iria falar com ele, mas que fica feliz pelo interesse e aprovação que estes novos amigos lisboetas demonstram. Quem ali passa habitualmente já o cumprimenta com um “bom dia”; há ciclistas que levantam o polegar, sorriem e seguem caminho e até há pessoas que já vêm ali, sempre à beirinha do rio, para inspecionar as novidades, ver o que ele pintou na noite anterior.

Justin tem pintado dia e noite, às vezes 20, 30 horas seguidas, e percebe-se porquê: o objectivo é tão ambicioso que quase parece infazível. A instalação abrange todos os objectos da doca, 90 no seu total, 26 dos quais cabeços em T, os maiores e de desenho mais complexo, que levam oito a dez horas cada até estarem prontos. Antes da fase de desenho, foram três dias a limpar, tirar a ferrugem e as partes que se soltavam, para depois aplicar a tinta de água para ferro e superfícies oxidadas, que irá retardar o reaparecimento da ferrugem e a degradação das peças.

O desenho a branco sobre aquele azul intenso é marca distintiva do trabalho do artista e evoca os blueprints de desenho técnico. Justin conta que já em criança era um engenhocas, gostava de abrir as máquinas para lhes ver o interior. No seu trabalho artístico desenha estas máquinas imaginárias com propostas futuristas para resolver problemas bem presentes e reais: alterações climáticas, subida das águas, destruição e degradação de habitats, extinção de espécies.

“A localização destas peças encaixa mesmo bem no conceito”, explica. “Estas máquinas estão teoricamente desenhadas para ajudar o ambiente, e o sítio onde estão localizadas, na frente de rio do Tejo, funciona muito bem, porque é um rio incrível, o sítio é muito bonito, com este grande horizonte e o céu azul, mas há aqui coisas que não deviam cá estar, não está propriamente limpo. Estamos a ver a beleza daquilo que estamos a destruir. Este rio lindo está em perigo, tal como o ambiente em geral.”

Se a chuva não obrigar a pausas forçadas, a instalação deverá estar pronta em meados de Setembro. Entretanto pode conhecer as obras e percurso de Justin Amrhein no seu Instagram.

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