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Minirroteiro pela Mouraria típica

Estamos no ano 2016 depois de Cristo e toda a Lisboa está ocupada por turistas, tuk-tuks, hostels e lojas de souvenirs. Toda? Não! Um bairro habitado por irredutíveis lisboetas resiste ainda e sempre ao invasor. Bem-vindo à Mouraria típica.

Fotografia: Arlindo Camacho

O bairro típico mais atípico de Lisboa é o sítio ideal para quem quer visitar o que resta da Lisboa do fado e das tascas. A Mouraria pode estar a ficar mais cosmopolita, mas mantém-se bairrista. 

Minirroteiro pela Mouraria típica

Quem é afinal o Zé da Mouraria?

Quem é afinal o Zé da Mouraria?

Chama-se Virgílio, tem 55 anos e é minhoto. Não, não há nenhum Zé naquele que é o restaurante mais popular da Mouraria. Houve, em tempos, um galego com esse nome que ali abriu uma casa de grelhados – o Zé dos Grelhados. Há 17 anos, quando Virgílio decidiu abrir ali o seu restaurante, homenageou o antigo dono, mantendo o nome (e acrescentou o “da Mouraria” para dar com o bairro). Com a nova gerência chegou também o bacalhau assado à Zé da Mouraria (16,50€): “São boas postas de bacalhau, altas. Depois de grelhadas no carvão tira-se a espinha e junta-se grão do bom, batata assada e azeite. É muito simples”, explica Virgílio. Simples e muito bom, a julgar pela agitação à hora de almoço e à loucura do jantar: para arranjar mesa no Zé da Mouraria II, o segundo restaurante, na Rua Gomes Freire, que serve só jantares, pode ter de reservar com 15 dias de antecedência.

R. João do Outeiro, 24. Seg-Sáb 12.00-16.00. 21 886 5436.

Pastel da Mouraria, uma tradição com quatro anos

Pastel da Mouraria, uma tradição com quatro anos

Gostávamos que cada bairro de Lisboa tivesse o seu pastel. Não seria uma cidade melhor se houvesse um pastel do Senhor Roubado, um pastel de Telheiras e um pastel do Rato? Ok, um pastel do Rato pode passar a imagem errada, mas apoiamos todo o tipo de gulodice bairrista, como este Pastel da Mouraria. Inventado há quatro anos pelos donos da Doce Mila, pastelaria do Beco dos Cavaleiros, é feito à base de feijão branco, amêndoa, ovos e açúcar. Com uma massa fina e leve, não muito doce, parece-se mais com uma queijada do que com um pastel de feijão. Um pastel custa 1€ mas vai querer levar a caixa de seis (5€).

Doce Mila, Beco dos Cavaleiros, 15. Seg-Sáb 07.30-19.30.

Zé dos Cornos

Zé dos Cornos

Resvés Martim Moniz, está uma tasca famosa pelo entrecosto grelhado, pelo arroz de feijão e pelo vinho que se bebe como um refresco e que bate como os refrescos não batem. A gerência é minhota e está ali desde 1955, por isso respeite a tradição e coma o entrecosto com as mãos.

Beco dos Surradores, 3. Seg-Sáb 08.00-23.00. 21 886 9641. 

Casa Fernando Maurício

Casa Fernando Maurício

Inaugurado o ano passado, este pequeno museu celebra a vida do fadista mais querido da Mouraria e a segunda figura mais presente na iconografia do bairro – a seguir à fadista Severa. Em três salas podemos ver objectos pessoais, fotografias, prémios, cartazes, discos e letras que nos dão uma perspectiva geral sobre a vida e obra d’O Rei Sem Coroa, como também era conhecido. Entrada: 1€.

Rua João do Outeiro. Qua-Dom 10.00-18.00.

Os Amigos da Severa

Os Amigos da Severa

“Uma ginja famosa que é a Melhor de Lisboa”, anuncia um pequeno cartaz ao pé do balcão. Quem deu esse prémio? “Fui eu, ora essa, para mim é a melhor”, diz o nosso anfitrião, o senhor António, homem que está há 40 anos atrás do balcão d’Os Amigos da Severa – “você diga-me outra pessoa que esteja há tanto tempo no mesmo sítio quanto eu, diga-me!”. A julgar pelo movimento, António não se vai poder reformar tão cedo. A ginja, a 1€ o copo, é o que sai mais. Mas também há petiscos (vai um ovo cozido?), cerveja e vinho.

Rua do Capelão, 32. Encerra às 02.00, abre à tarde mas sem hora fixa “porque às vezes uma pessoa tem assuntos para tratar”.

Adega dos Presuntos

Onde é possível comer um pires de dobrada por 3,25€ às dez da manhã em Lisboa, pergunta o caro leitor? Pois bem, na Adega dos Presuntos, um sítio sem lugares sentados com um grande balcão de inox e que tem como único elemento decorativo três pernas de presunto penduradas no tecto. Além da dobrada, as bifanas (2€ cada) são muito procuradas pela clientela do bairro, multicultural e multiesfomeada. Se quiser pode pedir para embrulhar uma sandes de panado para depois comer num autocarro cheio de gente. Mas por que raio é que há tanta gente a comer panados em autocarros?

Beco da Barbadela, 10. Todos os dias 08.30-19.00. 21 886 4887.

Quer ouvir fado vadio?

É o tipo de fado com que mais se identificam habitantes da Mouraria, mas um género que, como o nome indica, não é muito fácil de domesticar. Se quer ouvir fado vadio marque uma mesa no Beco do Forno (Beco dos Cavaleiros, 11), aos sábados. Durante o almoço, vários fadistas passam lá para dar um ar de sua desgraça. O menu de almoço com fado custa 15,50€, começa às 13.00 e as cantorias costumam durar até às 18.00. Em alternativa vá passando pelos Amigos da Severa (R. do Capelão, 32). Esta pequena casa tem muitos clientes com voz de rouxinol que poisam no balcão a chilrear uns fadunchos.

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