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Pacato durante o dia, festeiro depois de o sol se pôr. As sanduíches continuam a alimentar a cidade, mas no Sem Codêa fazem parte de um pairing improvável.

António Lobo Xavier não sossega. No final de 2023, dávamos conta da sua chegada a Alvalade, para tomar conta do Chez Chouette de Leopoldo Calhau. Há um ano, abriu o Polémico, casa própria e com influências de diferentes cozinhas do mundo. Em Setembro, chegou ao Cais do Sodré com mais três sócios. Numa Lisboa que redescobriu o prazer de comer uma boa sandes, o Sem Côdea pede apenas uma coisa – que guarde um espacinho para mais uma dentada.
"Foi um daqueles casos em que descobrimos primeiro o espaço. Ainda não tínhamos bem a noção do que queríamos, mas sempre fui um apaixonado por sanduíches. Entretanto, já houve um boom, mas quando concebemos o projecto não havia muitas", começa por explicar o chef. Enquanto António satisfazia o desejo de criar um menu assente nas sandes, Bernardo Pires, um dos sócios, estudava a melhor forma de introduzir a coquetelaria no espaço. As bebidas de autor aparecem ao final da tarde e prolongam-se pela noite. Podem ser um complemento à ementa ligeira, mas também brilham sozinhas.
"O espaço tem duas vidas e nós quisemos transportar esse conceito para a carta. Se tínhamos sandes de autor, também queríamos cocktails de autor, que é a minha praia", apresenta Bernardo. O trabalho de casa levou meses. Embora já comande um outro bar – o Sóbrio, no Bairro Alto –, esta carta foi pensada para ser diferente, mais sofisticada e com ingredientes capazes de surpreender a clientela. É o caso do Pandan (11€). Além de ser o nome de um cocktail, é também uma folha do Sudeste Asiático que tem a particularidade de cheirar e saber a bolacha. Algumas das receitas são pré-feitas e servidas directamente no copo e resultam de um processo de clarificação, em que, à mistura dos ingredientes, é adicionado leite. Posteriormente, a filtragem deixa o cocktail com uma tonalidade clara e com uma textura mais aveludada.
Com uma nomenclatura de inspiração floral, cocktails como o Camélia – com gin, vinho do Porto e amêndoa – ou o Magnólia – com whiskey, gengibre, mel e limão – têm saído sobretudo ao fim-de-semana (ambos 11€), acompanhados por um ou outro petisco. Bernardo quer mais do que isso e transpor a carta de bebidas de assinatura para a hora de jantar. "Gostava de vê-los a acompanhar a refeição, até porque alguns deles foram pensados para isso, são cocktails gastronómicos", resume.
De volta às sanduíches, carro-chefe da ementa do Sem Côdea, a prioridade é criar diversidade num menu que não é extenso, mas que muda de tempos a tempos. O pão, para começar, chega da Padaria do Miguel, na Parede. Pequenos cacetes, no caso do Cachorrinho á Tripeiro (6€), homenagem aos cachorrinhos do Gazela. Para opções de maior substância, experimente a The Godfather (12€), com salame italiano tostado, pesto, tomate fresco e tomate seco, burrata e rúcula. Dentro de uma Ox Supreme (11,50€) vai encontrar rosbife, cebola roxa, dijonaise, pimentos assados e cebola crocante. "São inspirações que chegam de todo o lado. Trabalhamos sobretudo com ingredientes portugueses, mas claro que produtos como a mozzarella, o cheddar, o bacon vamos ter que importar", assinala.
Dos almoços à secretária às ressacas mais desafiantes, as sandes são uma constante ao longo do dia e estão num processo constante de aperfeiçoamento. Mais recentemente, o chef introduziu a Tosta (8,50€), sandes de presunto, mozzarella, cheddar e béchamel, mas também reforçou o rol de opções para picar. A começar nos taquitos de salmão gravlax e alcaparras (8,50€) e na focaccia com boquerones e aioli de azeitona (7,50€). Na secção de tapas, onde se inclui o cachorrinho, tem ainda espadarte com acabate e ponzo (14€), polvo com tomate seco (14€), cogumelos com ovo a baixa temperatura e romanesco (10€) e um folhado de cachaço, queijo da serra e picle de cebola (15€).
"À noite, fica completamente diferente. São as pessoas que vêm do trabalho e querem beber uma cerveja e acabam a comer qualquer coisa, são as pessoas que vêm jantar e ficam a beber. E agora ainda vamos começar a abrir até às duas da manhã, com comida", resume António Lobo Xavier. É que o Sem Côdea quer-se também com ambiente de festa. Não é por acaso que há espaço para ter um DJ a animar a casa. Noites especiais, com música à mistura, cocktails e, claro, sandes e outros acepipes para forrar o estômago.
Rua das Flores, 17 (Cais do Sodré). Qui-Sáb 12.00-15.00, 19.00-02.00, Dom-Seg 12.00-00.00
Começar o ano a comer fora é difícil, mas não impossível. Para evitar desesperos financeiros, juntámos os melhores restaurantes até dez euros e, vá, até vinte. No campo das novidades, tem recordações da avó no Tantazzi, pizza al taglio na Coccinella, comida japonesa no After Dark, a "neo-tasca" de Bernardo Agrela na Casa Capitão, Mesa, ou o novo e elegante Café de São Bento na Baixa. Não deixe de ver ainda as nossas escolhas para o melhor de Lisboa em 2025.
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