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As melhores peças de teatro e dança em Lisboa para ver em Outubro

Há muitos e bons espectáculos para ver em Lisboa. Passámos a agenda em revista e trazemos-lhe as melhores sugestões para este mês.

Raquel Dias da Silva
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Em Lisboa, não faltam opções para ir ao teatro, muitas delas com preços bem apetecíveis (olá, dia do espectador). Mas algumas estão tão pouco tempo em cena que é preciso correr, já que nunca se sabe se (e quando) são repostas. Entre companhias históricas e emergentes, encenadores e actores conhecidos e até os que ainda estão a tentar conquistar o seu lugar, encontra-se um generoso conjunto de peças de teatro e dança a não perder em Outubro. Aqui ficam as nossas sugestões, para que na hora de escolher seja tudo mais fácil. Bom espectáculo!

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As peças de teatro em Lisboa em Setembro

  • Marvila

Os Artistas Unidos levam à cena um texto da dramaturga britânica Zinnie Harris, sob a encenação de João Meireles, que aborda a fragilidade do isolamento e o impacto do progresso humano. A acção situa-se numa das comunidades mais recônditas do mundo, onde a rotina se rege por um tempo próprio até à chegada de um estranho que introduz novas formas de poder, desejos latentes e a lenta ruína de um equilíbrio sustentado em crenças e silêncios. Quando o passado e a tensão interna deixam de poder ser contidos pela ilha, a erupção iminente de um vulcão obriga os habitantes a abandonar o único mundo que conhecem. O espectáculo conta com as interpretações de Andreia Bento, António Simão, Inês Pereira, Nuno Gonçalo Rodrigues e Pedro Carraca. Os bilhetes custam 12€ (7€ à terça-feira, Dia do Espectador).

  • Chiado

Com texto de Constança Bourgard e encenação de Miguel Fragata, este espectáculo, distinguido com o Prémio Miguel Rovisco – Novos Textos Teatrais, acompanha um casal decidido a construir uma vida a dois, no apartamento com que sempre sonhou, no centro de Lisboa. Mas diferenças salariais, ressentimentos de classe e expectativas de género transformam o refúgio idealizado num fardo constante.

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  • Castelo de São Jorge

A Companhia do Chapitô apresenta uma nova criação física e satírica baseada no romance Ensaio sobre a Lucidez, de José Saramago. Sob a encenação de José C. Garcia, o espectáculo coloca em cena o pesadelo máximo do poder político: uma eleição onde a maioria esmagadora da população decide votar em branco como protesto silencioso, precipitando a declaração do estado de emergência. A partir do desencanto popular com o sistema partidário e da facilidade com que a engrenagem democrática se revela inútil, a narrativa evolui de uma comédia mordaz sobre a ineficácia dos governos para um cenário francamente mais sinistro e opressivo. Em cena de 25 de Setembro a 25 de Outubro, de quinta a sábado às 21.00 e domingo às 17.00, no Chapitô. O bilhete custa a 16,11€.

  • Avenida da Liberdade/Príncipe Real

Os conflictos e os não-ditos de uma estrutura familiar complexa sobem ao palco num novo texto com encenação de Tiago Torres da Silva. A acção acompanha Filipe, um jovem repleto de aspirações que encontra na avó uma cúmplice absoluta, mas que enfrenta a incompreensão e a rejeição de um pai severo. No centro desta dinâmica em ebulição surge a paixão visceral do protagonista pelo teatro e a sua identificação com Nina, a trágica personagem de A Gaivota de Anton Tchekhov, elemento que desencadeia a revelação de velhos segredos e sentimentos ocultados durante anos. O elenco conta com as interpretações de Baltasar Marçal, Lídia Franco e Tiago Fernandes, destacando-se a realização de duas sessões acessíveis com audiodescrição nos dias 23 de Outubro e 25 de Outubro. Os bilhetes variam entre os 12€ e os 17€.

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  • São Vicente 

A estrutura Primeiros Sintomas regressa aos textos fundamentais do teatro europeu com uma das obras mais inquietantes do dramaturgo belga Maurice Maeterlinck. Com tradução e encenação de Bruno Bravo, a peça coloca em cena um grupo de cegos que aguarda inutilmente num bosque escuro de uma ilha o regresso do padre que os guiava de volta ao asilo, ignorando que o próprio guia jaz sem vida ao seu lado, caído sobre um tronco de carvalho. Num espaço cénico dominado pela incerteza e pelo mistério da existência, o universo dos protagonistas reduz-se a uma densa paisagem sonora, onde ressoam o sopro do vento nas árvores, o murmúrio distante do mar e o alvoroço dos pássaros. Em cena de 15 a 30 de Outubro, quarta a sábado às 21.30 e domingo às 18.00, no CAL – Centro de de Artes de Lisboa. O bilhete custa 12€.

  • Santa Maria Maior

Depois de três anos fechado para obras, o Teatro Nacional D. Maria II reabre as suas portas com Macbeth, a mesma que estava em cena na fatídica noite de 2 de Dezembro de 1964, quando um incêndio deixou o teatro em ruínas, alimentando as lendas e superstições que sempre rodearam a tragédia de Shakespeare. Com tradução e encenação de Pedro Penim, esta nova produção desafia as velhas superstições do meio teatral e coloca nos papéis principais um elenco encabeçado por Bárbara Branco e José Raposo.

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  • Marvila

O Teatro Meridional apresenta uma nova criação dedicada ao património literário, humano e histórico de Goa, Damão e Diu, com dramaturgia e encenação assinadas por Natália Luiza. Tecido a partir de contos, poesia e excertos romanescos de autores de diferentes épocas, o espectáculo resulta de uma pesquisa profunda que transborda a literatura para se expandir à música, ao trabalho corporal e à composição plástica. Ao resgatar a memória destes territórios, onde a língua portuguesa ainda ecoa, a produção estabelece um diálogo poético de Portugal com a sua própria história, homenageando as comunidades indo-portuguesas que residem no país e trazendo à cena um património que muitos desconhecem. O elenco reúne Fernando Nobre, Joana Brandão, Catarina Ribeiro e Rui Rebelo. Em cena até 1 de Novembro, de quarta a sábado às 21.00 e domingo às 16.00, no Teatro Meridional. Os bilhetes custam 13€.

  • Campo Grande/Entrecampos/Alvalade

Depois de ter sido encenado por Daniel Gorjão, o aclamado texto do dramaturgo britânico Mike Bartlett regressa aos palcos numa nova e arrojada produção com a assinatura da Força de Produção. Encenada por Ricardo Neves-Neves, a trama acompanha um homem imerso numa relação estável mas desgastada com o seu namorado. Quando o casal decide fazer uma pausa, o protagonista cruza-se num café com uma mulher por quem se apaixona inesperadamente. A partir desse instante, a sua vida amorosa transforma-se num emaranhado de indecisões e conflitos de identidade que culminam num tenso e hilariante jantar a três. O elenco conta com interpretações de Cristóvão Campos, Gabriela Barros, Romeu Costa e Adriano Luz. Em cena de 12 de Outubro a 10 de Novembro, segunda e terça às 21.00, no Teatro Maria Matos. Os bilhetes custam entre 21€ e 23€.

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  • Santos

Dois dos maiores nomes do teatro nacional encontram-se no palco do Teatro Cinearte para dar vida a uma viagem tragicómica inspirada em Rei Lear, de William Shakespeare. Com texto assinado por Patrícia Portela – que convoca as traduções de Álvaro Cunhal, Millôr Fernandes e Manuel Gomes da Torre – e encenação de Martim Pedroso, a nova produção da companhia A Barraca junta em cena Maria Rueff e Maria do Céu Guerra. A narrativa acompanha um velho aristocrata de outros tempos que vaga perdido numa bomba de gasolina e uma comediante cuja viatura avaria em plena estrada nacional a caminho de um trabalho de Fim de Ano. Em cena de 14 de Outubro a 13 de Dezembro, de quarta a quinta às 19.30, sexta e sábado às 21.30 e domingo às 17.00, no Teatro Cinearte. Os bilhetes custam 22€.

O melhor da agenda cultural de Lisboa

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