Rei Lear
DR | Rei Lear, com encenação de António Pires
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As melhores peças de teatro e dança em Lisboa para ver em Julho

Há muitos e bons espectáculos para ver em Lisboa. Passámos a agenda em revista e trazemos-lhe as melhores sugestões para este mês.

Raquel Dias da Silva
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Em Lisboa, não faltam opções para ir ao teatro, muitas delas com preços bem apetecíveis (olá, dia do espectador). Mas algumas estão tão pouco tempo em cena que é preciso correr, já que nunca se sabe se (e quando) são repostas. Entre companhias históricas e emergentes, encenadores e actores conhecidos e até os que ainda estão a tentar conquistar o seu lugar, encontra-se um generoso conjunto de peças de teatro e dança a não perder em Julho. Aqui ficam as nossas sugestões, para que na hora de escolher seja tudo mais fácil. Bom espectáculo!

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As peças de teatro em Lisboa em Junho

  • São Vicente 

O novo projecto de curadoria da Companhia Olga Roriz assenta numa lógica de contaminação artística. A premissa é simples: convidar criadores de diferentes áreas a desenvolverem novos trabalhos a partir de uma peça de dança já estreada. Em 2026, o ponto de partida é Comoção, de David Marques, servindo de mote para um programa que ocupa vários espaços do Palácio Pancas Palha com performances de Mélanie Ferreira (18.00, estúdio rio), concerto de Norberto Lobo (19.00, jardim do central), a própria coreografia de David Marques (20.30, estúdio central) e uma intervenção de Tiago Vieira (22.00, estúdio central). A entrada é livre.

  • Lisboa

Sátira política escrita por Dario Fo em 1970, Morte Accidentale Di Un Anarchico resurge nesta produção original dos Lisbon Players, com um elenco exclusivamente feminino. A peça, baseada em factos reais, centra-se num impostor astuto que se infiltra numa esquadra da polícia em Milão para descobrir a verdade por trás da morte suspeita de um anarquista durante um interrogatório. Através de uma série de disfarces e perspicácia, os absurdos e contradições dentro da força policial são revelados, desafiando o público a reflectir sobre a natureza da verdade e da justiça numa sociedade corrupta. Em cena de 25 de Junho a 5 de Julho, quarta a sábado às 21.00 e domingo às 18.00, no Espaço Escola de Mulheres. O bilhete custa 12,50€.

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  • Belém

Esta não é uma adaptação de Um Inimigo do Povo, de Ibsen, mas sim um texto original que transforma o teatro num tribunal. Um tribunal onde as personagens principais da peça revisitam os acontecimentos do passado para, mais uma vez, colocar a questão: Thomas Stockman (Wagner Moura) é ou não um inimigo do povo? As suas acções e palavras representam ou não uma ameaça à democracia? Mas, desta vez, será o público quem julgará e decidirá. Em cena de 3 a 5 de Julho, sexta às 20.00, sábado às 19.00 e domingo às 17.00, no CCB. O bilhete custa entre 21€ e 30€.

  • Chiado

Miguel Castro Caldas e Pedro Gil são artistas de teatro e foram, coincidentemente, atletas de karaté. A partir dessa premissa, a dupla criou este espectáculo que inverte as perguntas habituais feitas aos praticantes de artes marciais: já usaste a vida no karaté? Já usaste o karaté no teatro? Com direcção artística e interpretação da dupla, a peça cruza estas duas disciplinas num jogo cénico focado no corpo e no movimento. Em cena de 24 de Junho a 5 de Julho, de quarta a sábado às 19.30 e domingo às 16.00, no São Luiz. O bilhete custa 12€.

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  • Carnide/Colégio Militar

Na república dividida de Roma, a tensão entre Octávio e Marco António cresce. Mas o experiente general está mais interessado em viver a sua paixão com Cleópatra do que no futuro político do império. Uma hilariante peça sobre a paixão e dever a partir da peça clássica de Shakespeare. A adaptação e encenação é de Manuel Jerónimo. Em cena de 25 de Junho a 4 de Julho, de quinta a sábado às 21.00, na Boutique da Cultura. O bilhete custa 10€.

  • Avenidas Novas

Em Polo Norte, a mala voadora propõe uma sátira provocadora: e se o Éden nunca tivesse desaparecido, estando apenas soterrado e conservado no gelo? Sob esta premissa, o espectáculo questiona se o aquecimento global poderá ser a chave para derreter o gelo e devolver o Paraíso à humanidade. Uma reflexão irónica sobre a emergência climática que sugere usar o petróleo como uma espécie de óleo de extrema-unção. Em cena de 26 de Junho a 4 de Julho, de terça a sexta às 21.00 e sábado às 19.00, na Culturgest. O bilhete custa 16€.

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  • Marvila

A partir da obra de Xavier Durringer, os Artistas Unidos apresentam A Love Supreme, que regressa aos palcos, após a estreia em 2025. A peça segue a história de Bianca, despedida do peep show do bairro de Pigalle, em Paris, onde trabalha há 32 anos. A partir do seu camarim, a stripper em final de carreira oferece o último espectáculo: uma viagem íntima à sua vida e ao mundo da noite. A encenação é de Andreia Bento e Nuno Gonçalo Rodrigues. Em cena de 18 de Junho a 11 de Julho, de terça a quarta às 19.30, de quinta a sexta às 21.00 e sábado às 16.00 e às 21.00, no Teatro Paulo Claro. O bilhete custa 7€ e 12€.

  • Belém

Quando estreou na Broadway, em 1962, o texto de Edward Albee provocou uma controvérsia sem precedentes e consagrou o autor. Agora, a icónica peça ganha nova vida pela companhia Subcutâneo – Teatro Hialurónico, com encenação de Simão do Vale Africano. O enredo acompanha dois casais – os anfitriões Martha e George e os jovens convidados Honey e Nick – numa sala de estar durante uma longa madrugada. À medida que o álcool flui, os quatro mergulham numa demoníaca espiral de desilusões, traições e desejos desenfreados. No elenco estão João Reis, Margarida Carvalho, Daniel Silva e Joana Africano. Em cena de 9 a 12 de Julho, de quinta a sexta às 20.00, sábado às 19.00 e domingo às 17.00, no Centro Cultural de Belém. O bilhete custa 15€.

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  • Teatros
  • Grande Lisboa

O Festival de Almada está de regresso entre 4 e 18 de Julho. A 43.ª edição do festival dedicado ao teatro e à dança desdobra-se por oito palcos de Almada e Lisboa com duas dezenas de criações nacionais e internacionais, incluindo cinco espectáculos criados a partir do universo de Tchékhov. Destacam-se os espectáculos do alemão Peter Stein, dos suíços Christoph Marthaler e Milo Rau, do espanhol Israel Galván e do francês Mohamed El Khatib, entre outros. Já a personalidade homenageada é o actor e encenador Fernando Gomes, estando ainda previstos, em todos os finais de tarde, concertos de entrada livre na Esplanada da Escola D. António da Costa. Os passes, que dão acesso a todos os espectáculos custam 100€ (80€ para os membros do Clube de Amigos do Teatro Municipal Joaquim Benite).

DESTAQUES DA PROGRAMAÇÃO

Platónov, de Anton Tchékhov, com encenação de Peter Stein. Nos dias 5 e 6 de Julho, domingo e segunda às 16.00, no Teatro Municipal Joaquim Benite. O bilhete avulso custa 25€ e a sessão é de cinco horas, a contar com um intervalo.

La Lettre, de Milo Rau, que também assina a encenação. No dia 12 de Julho, domingo às 22.00, na Escola D. António da Costa. Os bilhetes avulso (preço sob consulta) são vendidos no próprio dia da sessão, à entrada do local, a partir das 21.00.

Israel e & Mohamed, de Israel Galván e Mohamed El Khatib. No dia 14 de Julho, terça às 22.00, na Escola D. António da Costa. Os bilhetes avulso (preço sob consulta) são vendidos no próprio dia da sessão, à entrada do local, a partir das 21.00.

Só Mais Uma Gaivota, de Inês Barahona e Miguel Fragata, com excertos de Anton Tchékhov e encenação de Miguel Fragata. Nos dias 13, 15 e 17 de Julho, segunda, quarta e sexta às 21.00, no Fórum Municipal Romeu Correia. 

Os bilhetes avulsos (preço sob consulta) podem ser adquiridos presencialmente na bilheteira do teatro, por tel. 21 273 9360 ou por e-mail (bilheteira@ctalmada.pt).

Le Sommet, de Malte Ubenauf, com colaboração de Éric Vautrin e encenação de Christoph Marthaler. Nos dias 17 e 18 de Julho, sexta às 21.30 e sábado às 18.00, no Teatro Municipal Joaquim Benite. O bilhete avulso custa 25€.

  • Campo Grande/Entrecampos/Alvalade

A partir da obra homónima de Isabela Figueiredo, com encenação de Sofia de Portugal e dramaturgia de Marta Dias, este espectáculo fala-nos sobre amor-próprio, um imenso amor de juventude e o maior desgosto que se pode viver, com o Portugal florescente e contraditório do pós-25 de Abril como pano de fundo. A protagonista é Maria Luísa que, apesar de ter feito uma cirurgia de redução de peso, pensa “como gorda”. Em cena de 15 de Junho a 22 de Julho, de segunda a quarta às 21.00, no Teatro Maria Matos. O bilhete custa 24€.

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  • Santa Maria Maior

Zeus, Poseidon e Hades, os três grandes deuses gregos, descem à terra à procura de adeptos. Estão desesperados porque já ninguém acredita neles. E não têm melhor ideia para cumprir o seu objectivo do que contar a sua história. Começam pela criação do mundo, passando pelas tremendas lutas dos deuses pelo poder, as suas mirabolantes conquistas amorosas e a invenção do homem e da mulher. Em cena de 1 a 25 de Julho, de quarta a sábado às 21.00, no Teatro Romano. O bilhete custa 10€.

  • Avenida da Liberdade

Partindo de Shakespeare, o colectivo SillySeason o percurso trágico dos indivíduos desenrola-se sob o olhar atento de um público voyeur, num formato que evoca a lógica dos reality shows que marcaram o início do século XXI. Entre jogos de poder, manipulação emocional e desejo de ascensão, a narrativa revela como a sede de reconhecimento e controlo pode deformar identidades e relações. Em cena de 21 a 25 de Julho, terça e sábado às 21.00, no Parque Mayer. O bilhete custa 15€.

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  • Bairro Alto

Escrita e estreada em 1925 por Noël Coward, esta comédia brilhante e escandalosa sobre a amizade e o caos do desejo humano é agora recuperada numa co-produção dos The Lisbon Players com a POUSIO Arte e Cultura. Com encenação de Martim Mesquita Guimarães, o enredo acompanha Julia e Jane, duas senhoras da alta burguesia que veem os seus casamentos confortáveis virados do avesso quando uma antiga paixão mútua regressa. À medida que o champanhe flui, a civilidade dá lugar a uma noite de humor, ciúmes e gargalhadas. No elenco estão Ema Sofia Fonseca, Maria João Almeida, Mariana Lencastre, Pedro Nuno e Victor Caetano. Em cena de 15 a 26 de Julho, de quarta a sábado às 21.00 e domingo às 18.00, no Teatro do Bairro. O bilhete custa 15€.

  • Parque das Nações

Um dos textos maiores de William Shakespeare, agora encenado por António Pires, Rei Lear conta a história de um monarca envelhecido que decide dividir o reino entre as três filhas, esperando retirar-se do governo, mas conservar a autoridade e a reverência de todos. Ao exigir declarações públicas de devoção, desencadeia um jogo político que rapidamente se volta contra ele. Expulso do poder e traído pelas próprias alianças que julgava seguras, Lear vagueia num mundo que já não lhe pertence. Para ver de 3 a 26 de Abril, de quarta a sexta às 21.00 e fim-de-semana às 17.00, no Teatro do Bairro. O bilhete custa 15€ (8€ à quarta-feira, Dia do Espectador).

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  • Campolide

Há uma caravana aparcada num terreno baldio de uma quinta. Ouvem-se grilos, uma coruja. A noite escura é pontuada por pirilampos. A lua está em quarto minguante. Serão as quatro fases da lua a intitular poeticamente os quatro actos da peça, a marcar o tempo da acção e a evolução psicológica das quatro personagens, identificadas apenas pelo seu género. Com interpretação de Joaquim Horta e Rita Calçada Bastos, o texto é de João Luís Barreto Guimarães e encenação de João Pedro Vaz. Em cena de 20 de Junho a 26 de Julho, de quarta a quinta às 19.00, sexta e sábado às 21.30 e domingo às 16.00, no Teatro Aberto.

  • Chiado

Com texto de Tom Schulman e encenação de Hélder Gamboa, leva-nos até um colégio interno dos Estados Unidos, onde “Tradição, Disciplina, Honra e Excelência”, os pilares de um ensino rígido e espartilhado, serão postos à prova pelo carismático professor de Literatura, John Keating. Instigando os jovens alunos a questionarem o mundo e a adoptarem novos pontos de vista, Keating vai provocar-lhes uma intensa catarse e grande perturbação na vida diária do colégio. Em cena de 30 de Abril a 2 de Agosto, de quarta a sábado às 21.00 e domingo às 16.30, no Teatro da Trindade. O bilhete custa entre 10€ e 22€.

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  • Campo Grande/Entrecampos/Alvalade
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Entre os Poirot de Agatha Christie e The Cocktail Party de T.S. Elliot, Ricardo Neves-Neves constrói um espectáculo mordaz, repleto de humor negro e de ironia. Em palco, oito personagens pouco recomendáveis, uma piscina que teima em não encher e uma festa muito animada, mesmo quando ensombrada pelo drama. Em cena de 9 de Julho a 9 de Agosto, de quinta a sábado às 21.00 e domingo às 18.00, no Teatro Maria Matos. O bilhete custa entre 20€ e 22€.

  • Avenida da Liberdade/Príncipe Real

Uma varina, um marujo, um ardina, um vendedor de coplas, um cauteleiro, uma menina de barraca de tiros, uma viúva rica, uma escritora, uma costureira e o dono de um restaurante. É a história do Teatro de Variedades, contada através de dez personagens assíduas do Parque Mayer, que se tornam guardiãs das memórias do teatro. Em cena de 8 de Julho a 16 de Agosto, de quarta a sábado às 21.00 e domingo às 16.00. O bilhete custa 14€ e 22€.

O melhor da agenda cultural de Lisboa

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