City Breaks. Cinco escapadinhas urbanas para os próximos meses

Para partir já ou para planear com tempo, você decide. De Paris ao Porto, damos-lhe cinco sugestões para se raspar da cidade com as dicas da equipa Time Out
Tulipas Amesterdão
Por Maria Ramos Silva e Joana Silva |
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São destinos clássicos, perfeitos para uma fuga de fim-de-semana (ou um pouco mais) mas vêm carregados de novidades frescas e sugestões fora da caixa. Para fazer, comer e ficar.

Cinco escapadinhas urbanas

La Librairie Hotel Paris

Paris (Março)

Para que a sua passagem pela cidade-luz seja digna de um livro, não perca nenhum destes capítulos.

O frenesim da Semana da Moda já lá vai, o mau tempo vai prometendo tréguas, e Paris é sempre Paris, fica bem em qualquer história. Nem de propósito, folheie uma estadia no “muito instagramável” La Librarie Hotel, um destino no trendy bairro do Marais da experiência Paris Boutik, com quartos que mais parecem suítes com biblioteca (desde 275€). Complemente com uma lavagem de vistas na loja de Sonia Rykiel no Boulevard Sain-Germain (forrada a estantes com livros) e faça a visita da praxe à livraria Shakespeare and Co (37 Rue de la Bûcherie). Convenhamos, é preciso uma alternativa de peso para nos levar a encerrar um bom volume. E elas abundam por estas bandas, sendo que ambas as sugestões que se seguem também podem ser desfrutadas em modo solitário.

Imagina Ritz e Chanel na mesma frase? Pois bem, é como emparelhar dois mitos parisienses, e o resultado é um exclusivo spa – o spa da Chanel no Hotel Ritz (15 Place Vendôme), “com uma gama de tratamentos de alta costura, não há lugar mais chique para descontrair”, garantem os editores da Time Out local. Também juram a pés juntos que há tratamentos a partir de 75€. É ver.

Já visitou todos os clássicos? Já apanhou a Torre Eiffel de todos os ângulos? Siga para a bela Ópera Garnier, uma das mais impressionantes da Europa. “Não adorava poder estalar os dedos e ficar com as atracções parisienses só para si?”, pergunta Alice White Walker. Pois bem, aqui é possível. Há tours fora de horas com um número limitado de visitantes, para um périplo de hora e meia (19,50€).

Camas e mesas com final feliz

Foi em ambiente rastafari que abriu portas o primeiro restaurante afrovegan da capital francesa. O Jah Jah by Le Trycicle (11 Rue des Petites Écuries ) é um enclave hipster cheio de bowls coloridas e cachorros livres de carne que são uma delícia (e não custam mais de 5€). Em altas, e a baixo preço, anda o Pontochoux (18 Rue du Pont aux Choux), “o delicioso curry joint japonês” do Marais, palavra de Jill Cousin. Para uma almofada mais económica, a Time Out Paris sugere o 9Hotel Montparnasse (76 rue Raymond Losserand), entre os melhores a menos de 100€.

Página a página

Com o fim da concept store Colette, rume à Nous (48 Rue Cambon), fundada por Sébastien Chapelle, antigo funcionário da casa.

Há vida além dos croissants. Se é fã de caracóis, perca-se na padaria Du Pain et des Ideés (34 Rue Yves Toudic) e explore as imediações do vibrante Canal Saint Martin.

Não perca a retrospectiva do escultor César Baldaccini no Centre Pompidou.

Rooftop Barcelona

Barcelona (Março)

Embarque numa gincana pelo lado mais genuíno do ex-libris catalão e suas pérolas típicas.

Pulemos para a letra T, de turistas. “São parte da paisagem urbana. São tantos que quem sabe se um dia Barcelona não será 100% turistas e os antigos moradores estarão apenas de visita. Cada ano, é batido o recorde de turistas. Chamamos-lhes ‘guiris’ e há os educados – a maioria – e os idiotas, mas cada vez mais sofremos com os inconvenientes do turismo maciço”, caracteriza María José Gómez, da nossa prima catalã Time Out . Pensava que era só por aqui? Esqueça.

Há mais elementos bem típicos no santuário por excelência das obras de Gaudí, como o Takatà, espécie de voleibol nascido em 1914 nos areais de Barceloneta, mas o que aqui nos traz são coordenadas para fazer turismo tentando... sobreviver aos turistas. Cansado das andanças no solo? Refugie-se num dos muitos rooftops (como o do hotel Ohla, na foto, Via Laietana, 49,) e pátios e explore Horta, “bairro popular, que mantém um forte sentimento de identidade”, sugere Andreu Gomila. E se acha impossível regressar com souvenirs autênticos, experimente entrar na casa de disfarces El Ingenio (Carrer d’en Rauric, 6), “cheia de máscaras e brinquedos artesanais”, descreve Tina Schmechel, e passe vistoria ao mundo das espadrilles, na loja La Manual Alpargatera (Carrer d’Avinyó, 7). Haja o que houver, tolerância, acima de tudo. Afinal, talvez apanhe a Setmana Santa, ou Semana Santa – há procissão junto à catedral na sexta e no tradicional Domingo de Ramos.

Camas e mesas autênticas

Uma noite no design Hotel Pulitzer, em plena cidade velha, e com direito a terraço, começa nos 83€ (Bergara, 8). Se pode gastar mais, conte com o luxuoso Oomm (Rosselló, 265), desde 200€. Nos comes, a Casa Leopoldo (Sant Rafael, 24), no Raval, é das “mesas mais típicas e mitificadas de Barcelona” – ataque o rabo de boi ou a tortilha de lagostins, conselhos dos time outers locais. Encontra mais cozinha catalã no acessível Can Boneta (Balmes, 139) ou no familiar L’Havana (Lleó, 1).

De tortilha em tortilha

A loja Santa Eulalia, um ex-líbris da moda de Barcelona e um hino à alta-costura (Passeig de Gràcia, 93) faz 175 anos. A 7 de Abril há festa-performance.

40 quilómetros a sul de Barcelona encontra um cenário menos assediado pelos forasteiros. Rume a Alt Penedès, Foix River, e relaxe com a foto do lado.

Farto de cerveja barata? Suba ao Boca Chica (Passatge de la Concepció, 12) e peça um cocktail.

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Amesterdão

Amesterdão (Abril)

O epicentro de quase todas as liberdades quer afirmar-se como bastião da sustentabilidade. Viaje em regime eco-friendly.

Se há destino onde a luz vermelha se encontra com o sinal verde, é aqui. Atente nos parques e recantos semi-secretos, como o recôndito jardim Begijnhof (vale a pena a visita), no pacífico exército de ciclistas, nas toleradas experiências herbóreas , no colorido Festival da Túlipa (de 31 de Março a 30 de Abril), nos inofensivos girassóis de Van Gogh, ou na batalha por um mundo efectivamente mais sustentável – que desafia a agir, em vez de ficar apenas a olhar para sedutoras montras. Para lá de todos os apetecíveis clichés, Amesterdão já era conhecida por movimentos como o Plastic Whale, com a guerra ao plástico no cimo das suas prioridades, desde 2011. A associação promove tours pelos célebres canais, a bordo de um barco feito em material reciclável, cujo objectivo, além de apreciar igrejas secretas e hotéis emblemáticos, é literalmente pescar lixo do rio.

Mas as preocupações ambientais não ficam por aqui. Em Fevereiro, chegou a notícia de que um ramo da cadeia de supermercados holandesa Ekoplaza iria eliminar todo e qualquer vestígio de plástico de um dos seus espaços. O projecto piloto, que envolve cerca de 700 produtos (e que ao longdo ano pretende chegar a 74 supermercados do grupo), abrange artigos como chocolate, arroz ou vegetais. Já agora, aproveite o embalo e espreite o Noordermarkt, mercado orgânico que acontece aos sábados. “O termo ‘cozinha holandesa’ sempre inspirou grandes gargalhadas, mas os chefs viajados, como Ron Blaauw, regressaram a casa para aplicar certas lições aos produtos locais e orgânicos”, rectificam os editores da Time Out Amesterdão, que enumeram alguns clássicos sempre bem-vindos. “Compre túlipas no Bloemenmarkt, prove queijos no Reypenaer , e beba cerveja no moinho De Gooyer.”

Camas e mesas eco-friendly e saudáveis

Em 2015, o Hotel V Frederiksplein foi considerado o hotel mais verde da Holanda. (Diárias a partir dos 99€, Weteringschans 136). Depois de instalado, perca-se no The Avocado Show, o primeiro restaurante do mundo onde todos os pratos levam abacate e são uma obra de arte (à Daniel Stalpertstraat 61HS).

Bem me quer, bem me quer

200 pinturas e 500 desenhos do mestre Van Gogh justificam sempre a passagem pelo museu que leva o seu nome. Passe também pelo Rijksmuseum, que inclui 40 Rembrandts e quatro Vermeers.

Para arte moderna, o Stedelijk Museum é a morada certa. As feiras ao ar livre são o pouso certo para encontrar peças vintage.

Não se esqueça de agarrar a noite, como no elegante clube Jimmy Woo.

Kricket Londres

Londres (Maio)

Há vida para além da boda real, sobretudo para os súbditos das melhores ofertas nos museus da capital britânica.

Maio, mês das noivas, mês de Meghan Markle, o nome de quem se fala na ilha de que nunca deixamos de falar. Espera-se que o enlace com o príncipe Harry, agendado para o dia 19, concentre atenções na velha Albion, porque os contos de fadas continuarão a fazer sonhar mesmo quando todos nos deslocarmos em naves. Mas se os folhetins da monarquia pouco ou nada lhe dizem, não atire já a coroa ao chão. Poucos destinos como Londres desempenham na perfeição o malabarismo entre passado, presente e futuro, e esta é uma óptima altura para conferir a habilidade. Se duvida, espreite o roteiro intensivo de exposições.

“É difícil de imaginar que a Tate Modern nunca tinha feito uma exposição de Picasso”, lembra Ellie Walker-Arnott, da Time Out Londres, mas é verdade, e a lacuna está agora, em pleno 2018, a ser colmatada. Picasso 1932: Love, Fame, Tragedy, centra-se neste período da vida do mestre do cubismo e está patente até Setembro. Farto do merchandising real? Procure outra face famosa. “Para assinalar a emissão da nova nota de 10 libras, o museu do Banco de Inglaterra mostra “Stories from the City”, que evoca as aparições do banco na literatura ao longo dos últimos três séculos, de George Eliot a Charles Dickens”. Já Monet and Architecture ocupa a National Gallery entre 9 de Abril e 28 de Julho: Monet “em 75 trabalhos menos conhecidos também pintou vários edifícios e monumentos europeus”. Passe ainda pelo Museu do Design para uma retrospectiva gráfica do combate político e protesto da última década, com a exposição “Hope no Nope”, onde pode rebobinar a afinidade existente entre outros pares famosos, como a da foto.

Camas e mesas que são uma obra-prima

Para ficar, Patrick Welch e Jan Fuscoe sugerem o Qbic Hotel em BrickLane, “que trabalha com duas associações solidárias locais, a Bikeworks e a Food Cycle”. Inscreve-se na linha dos budget hotels estilosos de origem holandesa que têm invadido a cidade, descreve a dupla. O espírito é jovem e a estadia começa nos 50€. Quanto a restaurantes, socorra-se da lista de novos melhores restaurantes, assinada por Tania Ballantine. O Kricket (à12 Denman Street), instalado numa rua edgy do Soho, é um belo indiano com um twist britânico (100€ para duas pessoas, com bebidas). “Não saia sem pedir o goat raan”.

Quadro geral

O tempo deverá estar menos agreste mas um chapéu de chuva é sempre bom companheiro de viagem.

Os feriados de Maio trazem dois fins-de-semana alargados e um reforço nos programas para famílias.

Entre 5 de Maio e 10 de Julho, o Festival da Ciência invade o Royal Albert Hall.

Os continentais podem sempre beneficiar dos danos colaterais do furacão Brexit, com o valor do euro a levar a melhor à libra.

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Primavera Sound
Hugo Lima

Porto (Junho)

Comece a reunir a malta porque o som da Primavera, e do Primavera, está aí. Pode ser no Whatsapp. Crie já o grupo: “vamos ao Porto, carago!”

A estação mais florida do ano ainda não chegou, mas pelo Porto já corre uma lista das 63 coisas para fazer nesta Primavera (na Time Out Porto deste mês, claro) – e uma delas, das que mais gostamos, já se sabe, é ir ao Primavera Sound. O festival vai na sétima edição – com sete anos ainda é uma criança mas é daquelas que toda a gente adora ou com quem, pelo menos, simpatiza. Se já veio ao Porto para o festival sabe do que se está a falar. Se ainda não veio apresse-se a reunir a malta. Pode ser já no whatsapp com o assunto “Vamos ao Porto, carago”. E como em qualquer festival, mais do que a cidade e a companhia, o cartaz é suposto ser o factor mais relevante no momento de dar o “sim”. Se tem amigos difíceis ou pouco eclécticos no que toca a música, nós damos-lhe uma ajuda.

No Primavera Sound há som para todos os ouvidos. Nick Cave é um clássico incontornável para o seu amigo fã de rock. Lorde está no cartaz e poderá agradar a quem já a conhece e aos que, por incrível que pareça, lhe passaram ao lado até hoje – os shows com a música pop da cantora são uma boa surpresa. A$AP Rocky é a voz do hip-hop que já levou muitos às bilheteiras para comprar o bilhete para o festival e fará a erva mais daninha vibrar. E Father John Misty? Já viu ou ouviu o cantor e compositor americano que é um presente para os tímpanos? Confie, não pode perder.

Estes são alguns dos nomes que o farão celebrar a estação primaveril a ver, ouvir e dançar na relva do parque. Mas que parque? Já falámos da cidade, da companhia e do cartaz, mas não se pode esquecer a localização geográfica exacta deste evento. Nós, os do Porto, se quiséssemos escolher sítio melhor, não conseguiríamos. O Parque da Cidade, com fauna e flora variada e a praia e o mar de fundo não podia ter encaixado melhor num festival em tudo primaveril. Chegue pelo menos um dos dias a tempo de ver o pôr-do-sol. À noite, se se repetir o cenário de 2017, a lua estará cheia e os corações e ouvidos preenchidos e aquecidos. Divirta-se.

Uma playlist de novidades

Espaços novos no Porto onde comer, fazer compras e contemplar a paisagem? Temos disso. Se gosta de lojas, há duas que tem mesmo que espreitar. A Eleven Lab Concept (Rua do Ouro, 418) junta comida e roupa sob o mesmo tecto – a comida é aprumada e colorida e a roupa é de ver e chorar por mais. A Chelo Coast House (Avenida da República, 128) não fica longe do recinto do festival nem da praia de Matosinhos e junta paixões que assistem a muita gente: surf, bicicletas e comida saudável.

Escute estas faixas obrigatórias

Programa perfeito para uma noite na Baixa? Não se fique culturalmente pela Invicta e descubra o Mundo, o restaurante na Rua da Picaria que lhe desvendará sabores novos e cocktails viajados. Depois de jantar, só há um destino — chama-se Base (Rua das Carmelitas) e é o bar/ esplanada/ jardim/ ponto de encontro mais cool da cidade. O festival acabou mas estamos quase no Verão e o conceito de domingo hoje não se aplica? Aproveite a boa banda sonora e o rio Douro como paisagem e desfrute do Miradouro Ignez (Rua da Restauração, 252) antes que se lembre que este fim-de-semana está a horas de acabar. Camas e mesas para não ir em más cantigas Agora que já o convencemos a vir cá, não queremos nem que saia desiludido, nem sem boas horas de descanso. Já sabe onde vai repousar dos dias e noites de folia? Temos sugestões: o Gallery Hostel (Rua de Miguel Bombarda, 222) não só está situado num dos quarteirões mais artísticos da cidade como entre portas faz jus ao nome e enche-lhe a vista com arte – e se não está numa de partilhar quarto, pelo menos não com desconhecidos, aqui tem a opção dos quartos privados. Há também um hostel perto dos Aliados que é uma alegria: agradável, central, a preços acessíveis e está no número 913 da Rua da Alegria. O nome? Hostel Alegria, claro. Chega de esbanjar? Eis então algumas sugestões de onde pode ir comer sem lhe pesar na carteira: os cachorrinhos no Gazela (Travessa do Cimo de Vila, 4-10); as sandes de pernil, com ou sem queijo da Serra, na Casa Guedes (Praça dos Poveiros, 130); ou as óbvias, apetitosas e muito concorridas francesinhas do Santiago (Rua de Passos Manuel, 226). Não se vai arrepender. Se quiser gastar um bocadinho mais, e ter uma outra experiência do Porto, siga as sugestões de Cláudia Lima Carvalho e não deixe de espreitar estes três novos hotéis. Abriram nos últimos meses e são as novas estrelas da cidade. O mais recente é o Pestana Porto – A Brasileira City Center & Heritage Building, que abriu em Março no edifício histórico construído há mais de um século para acolher a célebre cafetaria A Brasileira (quartos a partir de 146€). Junto à Ribeira, descubra ainda o Torel Avantgarde, onde a arte dita as regras (quartos a partir de 145€), tal como o Vila Galé Ribeira, um hotel que quer ser de charme com 67 quartos, 14 deles com vista para o Douro (quartos a partir 89€). 

Porta de Embarque

Girona
© BAHDANOVICH ALENA
Viagens

Girona

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