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Escapadinhas gastronómicas
João Saramago

Cinco escapadinhas gastronómicas para a Páscoa

Haverá coisa melhor do que viajar com o propósito de comer? Acreditamos que não. Festivaleiros que somos, provamos que a tradição à mesa durante a Quaresma ainda é o que era.

Por Nelma Viana
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O que é que queremos para a Páscoa? Comeeeer! E o que é que queremos comer? Tudo o que houver!!!! É assim, não é? Em vésperas da Páscoa quem tem planos com a família já sabe onde e com quem se vai sentar à mesa no domingo. Quem não pensou em nada e está agora a começar a hiperventilar com a possibilidade de passar mais um fim-de-semana chuvoso em casa, saiba que de norte a sul do país há um plano rigoroso de comes e bebes dedicado às especialidades da Quaresma e que são uma alternativa igualmente gulosa à tradição familiar. Cabrito, borrego, polvo, folar e até enguias fazem parte do cardápio das festas e estão à prova nos festivais gastronómicos que por estes dias tomam conta do calendário. Como não queremos que fique a deprimir no sofá com um frango assado que mandou vir à pressa para desenrascar o almoço, damos-lhe as coordenadas para seguir viagem atrás da melhor cozinha regional para a Páscoa. Desaperte o cinto e leve fome, que o passeio adivinha-se farto.

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Cinco escapadinhas gastronómicas para a Páscoa

1. Festival Gastronómico do Cabrito e do Borrego

Viagens Grande Lisboa

Bem perto de Leiria, em Porto de Mós, até ao domingo de Páscoa, há cabrito e borrego com fartura. São 12 os restaurantes associados à iniciativa, devidamente identificados com o dístico do festival, mas há um que se distingue da oferta tradicional dos borregos e cabritos assados, das costeletas grelhadas e dos ensopados, com a proposta original de uma feijoada de borrego. No Dom Lambuças Restaurante e Petisqueira (Rua Monsenhor José Cacella, 53, Alcaria. 92 547 0957) faz- se com feijão branco, numa versão caldosa e bem apurada onde não faltam o chouriço, a morcela, a farinheira e a couve portuguesa. Serve-se só ao domingo e a dose completa fica por 14€ para duas pessoas (7€ a meia dose). Se é verdade que é difícil negar uma feijoada, seja de que carne for, há quem não embarque nestas modernices e prefira manter o almoço pascal de acordo com a tradição. Nesse caso, é no Arium Restaurante (Rua das Almoinhas, 7, Calvaria de Cima. 91 697 3772) que vai encontrar cabrito assado em forno de lenha (15,5€), igualzinho àquele que encontraria à mesa de casa da sua avó.

2. Festival do Cabrito Estonado e do Vinho

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Começamos por explicar que cabrito estonado é a única versão de cabrito capaz de enganar quem diz não gostar de cabrito. O acto de estonar consiste em escaldar o cabrito antes de passar à confecção propriamente dita e exige sempre, para ser perfeito, um animal com o máximo de um mês e meio de vida, nunca mais do que isso. Fica a escorrer um dia inteiro e depois é barrado com uma pasta de alho, pimenta, sal e vinho branco. Migam-se os miúdos, junta-se presunto picado, salsa e louro e enfia-se tudo na barriga do bicho, que assim fica umas horas a ganhar sabor. Cobre-se com uma dose generosa de banha e coloca-se em paus de loureiro antes de entrar numa assadeira de barro. Vai-se refrescando com vinho branco e assim fica até estar perfeitamente tostado, tal e qual um leitão da Mealhada. Ora pense lá bem se não vale a pena dar a mão à palmatória e experimentar esta versão do norte do país. Em Oleiros, que é onde a arte de estonar mais ordena, até 21 de Abril, o Jardim Municipal enche-se de barraquinhas com provas desta especialidade e outras que se encontram em destaque, como é o caso do vinho Callum, feito a partir de uma casta endógena e que resulta num vinho branco adocicado e de baixo teor alcoólico que, não sendo o ideal para acompanhar o cabrito, é uma boa opção como aperitivo ou digestivo. Na Adega dos Apalaches (Rua Sra. dasNeves,Roqueiros.93 402 8365), que também vai ter uma banca de degustação no centro da vila, o cabrito estonado faz parte de um menu especial com direito a entrada, sopa, cabrito, sobremesa, bebida e café pelo preço de 25€ por pessoa. A garrafa de vinho Callum fica por 12€.

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3. Festival Gastronómico do Polvo

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A Associação Figueira com Sabor a Mar já leva no currículo uma série de sucessos com a organização de festivais gastronómicos dedicados às especialidades locais. Depois das semanas do sável e da lampreia, é a vez de o polvo ter honras de protagonista. Pelo primeiro ano e a título experimental, entre 21 e 28 de Abril, o molusco vai estar em destaque em 12 restaurantes da Figueira da Foz, que se juntam à causa com o objectivo de “melhorar a qualidade da  gastronomia regional através da criatividade na cozinha”. Quem o diz é Mário Esteves, responsável pelo evento e proprietário do mítico Caçarola Dois, que combina um dos restaurantes mais emblemáticos da cidade com uma unidade de alojamento local. Polvo à lagareiro, vai haver? Com certeza. E pataniscas? Também. Mas se calhar não vai haver arroz de polvo? Pois claro que vai. Além do menu a preço único (cujo valor ainda não foi fixado) com direito a entrada, prato principal e sobremesa, sugere- se acompanhar a refeição com o vinho da casa, que durante a semana será um néctar do Douro com rótulo emprestado da associação. Mas há mais. Os restaurantes aderentes vão oferecer entrada livre com visita guiada ao Museu Santos Rocha (Rua Calouste Gulbenkian. 23 340 2840) e a possibilidade de levar para casa uma caixinha com seis exemplares da doçaria tradicional figueirense por 6€. Há sardinhas na areia, flores do sal (um doce com massa filo e recheio de chila) e brisas da Figueira, que são uma espécie de pastel de feijão que também vai servir de sobremesa aos menus de polvo, desta vez em formato de tarte. E já que está a perguntar, sim, o Caçarola Dois vai-se juntar à festa, bem como Caçarola I, O Forninho, O Ratolas, a Casa das Enguias, o Cantarinha e o Tapas Bar, entre outros.

4. Quinzena da Enguia

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Agora que já deixámos o leitor a salivar e a jurar a pés juntos que para o ano vai finalmente correr os festivais gastronómicos do país sem falhar a época da enguia, anunciamos a boa nova: em Benfica do Ribatejo, no concelho de Almeirim, há enguia o ano todo. Frita, em ensopado, grelhada ou em caldeirada, vai encontrá-la em barda entre 18 de Abril e 5 de Maio à mesa dos restaurantes locais – quase todos especialistas na matéria. No Constantino das Enguias (Rua 1o de Maio, Fornos de Almeirim. 243 589 156), sem grande surpresa um dos restaurantes aderentes, a refeição é servida a três tempos: arranca com enguias fritas, finas e estaladiças (7,80€ meia dose), para comer à mão e sem cerimónia; passa-se depois para a enguia escalada, grelhada com molho de limão (20€), aqui já num tamanho mais generoso e semelhante a um peixe tradicional e, por fim, o ensopado (15€ para duas pessoas). Para acompanhar pode pedir à parte arroz branco, feijão preto e batata frita. Em alternativa, e porque pode já não ir a tempo de garantir a reserva para o fim-de-semana de Páscoa, o Restaurante Cambaia (Rua Campo da Bola, 25, Benfica do Ribatejo. 243 580 934) terá sempre à sua espera uma travessa generosa de enguias fritas para ir picando na companhia de uma imperial ou de um copo de vinho da casa.

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5. XXI Feira do Folar de São Marcos da Serra

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Quem escolheu o Algarve para passar a Páscoa, pode e deve sair do registo praia, sol e mar e aproveitar a viagem para dar um salto a São Marcos da Serra, no concelho de Silves, onde, até 21 de Abril, acontece a 21a edição da Feira do Folar. No centro da freguesia vai encontrar reunidos os produtores locais de folar numa feira ao ar livre que também deixa espaço para outras iguarias serranas (procure pelo cozido de grão, pela couvada e pelas papas de milho). Se estiver cheio de comida até ao pescoço, não deixe de levar para casa o doce mais tradicional da Quaresma, que aqui se faz à antiga, a partir de uma massa levedada com fermento de padeiro, perfumada por canela e erva doce e decorada com ovos inteiros. Deixe-se ficar para o fim da festa, que encerra às 18.40 com um concerto de Mónica Sintra (entrada livre).

Escapadinhas para ir e não querer voltar

casa mãe
Fotografia: Francisco Santos

Escapadinhas para aprender coisas novas

Hotéis

Somos fortes em gastronomia, mas também não estamos nada mal nas artes plásticas nem na agricultura biológica. O booking lançou recentemente as tendências de viagem para 2019. Surpreendentemente, numa altura em que parece que cada vez mais se viaja só para alimentar as redes sociais, mais de 50% dos viajantes globais manifestaram preferência por destinos com hotéis onde possam desenvolver uma nova competência. Entre na onda do turismo em 2019 e aproveite que vai dar uma volta para aprender qualquer coisinha. Dizemos-lhe sete turismos onde vai com toda a certeza aprender alguma coisa nova.

Evoramonte - Estremoz
AX

Escapadinhas gastronómicas que valem a viagem

Restaurantes

Lisboa importou restaurantes de todo o país, sobretudo (mas não só) do Norte e do Alentejo. Nada se compara, contudo, à experiência de ir comer à terra de origem. O caminho pode ser longo e demorado, mas estas escapadinhas gastronómicas valem muito a pena. Passámos o país a garfo fino para lhe dizer quais são as dez mesas que justificam cada quilómetro. Tem paragens para todos os gostos, até na Veneza de Paderne (não diga que nunca ouviu falar). Se gostar de um joguinho antes de encher a barriga, também se arranjam umas casas de pasto escondidas na paisagem.

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Quinta dos Murças
Rodrigo Simões Cardoso

Sete sugestões de escapadinhas por Portugal

Viagens

A Equipa Time Out adora a sua cidade do fundo do coração, mas às vezes sabe-lhe bem ir dar uma volta. Vai daí e fez uma selecção de sete hotéis onde a palavra de ordem é descansar. Seja em quartos com vista para o Douro, em casas nas árvores ou em tendas de luxo, seja para entrar em casas modernas de inspiração nórdica, num spa desenhado por Álvaro Siza ou provar um menu de Ljubomir Stanisic, são várias as sugestões que encontrámos para que possa passar uns dias longe de tudo. 

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