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Março: os restaurantes por onde andámos este mês

Por Mariana Correia de Barros
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No dia em que se fina o mês de Março do ano da graça de 2017, recapitulamos as principais notícias que demos sobre a gastronomia lisboeta nos últimos 31 dias. Por outras palavras, estes são os sítios que mais entusiasmaram os jornalistas de Comer & Beber este mês.

E que mês, caríssimos lisboetas. E que mês. A agitação prometida nos meses anteriores deu frutos. Ainda há muitas portas e projectos por abrir, mas os que conheceram a luz do dia em Março já entram para completar (ou fazer sombra, se é mais do tipo renhido) a restauração dita mais séria da cidade.

Azeitona explosiva do Beco Cabaret Gourmet

Uma das notícias mais badaladas foi a da abertura do Beco Cabaret Gourmet, novo restaurante de alta cozinha de José Avillez, dentro do seu bairro (Rua Nova da Trindade, 18). Uma sala feérica, escondida nos fundos do antigo Convento da Trindade, onde em tempos existiu uma igreja, e que estava a ser preparada desde o Verão. O resultado é um restaurante onde o chef casa um menu de degustação com uma onda espectáculo. Há cocktails assinados por Dave Palethorpe e pratos como a pizza de atum picante, o carabineiro com cinza de alecrim (especialidade que nasceu no Belcanto) ou diamantes comestíveis. Para assistir ao espectáculo só tem de comprar bilhete – vai dos 100 aos 130€.

Depois de uma longa espera, o novo Leopold do chef Tiago Feio já tem pratos na roda prontos a sair para as mesas. Fica no Palácio Belmonte, como o chef já havia anunciado no Verão, e é uma espécie de restaurante experimental com espaço para 22 pessoas. O portuense, que se lançou a solo com um restaurante na Mouraria onde cozinhava sem extracção de fumo, tem aqui uma cozinha mais ampliada, com novas técnicas e jogos de texturas, que dão origem a pratos simples, apresentados num menu de degustação fixo (40€). Para quem gosta de ver agitação de bastidores há uma mesa de oito lugares virada para a cozinha. (Palácio Belmonte, Pátio de Dom Fradique, 12, Castelo).

Casquinha de santola da Cervejaria Liberdade
Fotografia: Arlindo Camacho

Outra novidade fresquinha, tão fresca quanto muitos dos produtos que serve, é a nova Cervejaria Liberdade, no Hotel Tivoli (à data que se escrevem estas linhas com o interior feito em cacos), a substituta da Brasserie Flo. Se é com algum pesar que se enterra uma das melhores sopas de cebola da cidade (R.I.P. soupe à l’oignon), é com alegria que se vê nascer uma cervejaria chique, com um balcão de peixes e mariscos, a saltar dali para as mãos do chef. Na cozinha podem ser transformados em sashimis, em ceviches, filetes, é escolher. Há ainda mariscadas, uma lagosta Thermidor que tem dado que falar e, felizmente, continuam a servir o mítico bife tártaro, cozinhado à frente do cliente (Avenida da Liberdade, 185). 

Tempura de camarão com molho picante d'O Japonês
Fotografia: Manuel Manso

E já que se fala em cozinha de hotel de luxo, relembramos que falámos também n’O Japonês, novo balcão para comer sushi no Ritz. É verdade que já havia uma carta japonesa no bar, mas agora o chef António Muniz, ex-Aya, tem mais espaço para demonstrar acrobacias de cozinha japonesa mais tradicional, sem cremes e afins, como o gunkan de lavagante. Apostam também na linha nikkei, de fusão peruana, e noutros pratos frescos, feitos com a ajuda do chef do hotel, Pascal Maynard (Hotel Ritz, Rua Rodrigo da Fonseca, 88).

Escabeche de peixe da costa do Tago's
Fotografia: Arlindo Camacho

Como boa comida japonesa nunca é de mais, também se falou em Março do Tago’s, um novo restaurante da Quinta do Tagus Village, em Almada. A manejar a faca está o chef Luís Barradas, ex-Sea Me, que apresenta uma cozinha tanto japonesa, quanto portuguesa, quanto tradicional. A sério. Tem sempre dois menus de degustação disponíveis – Do Japão ao Tagus e De Portugal ao Tagus –, em que há desde sashimi a croquetes de rabo de boi; tem o hábito de passar no mercado a comprar produtos frescos pela manhã; tem uma horta biológica que abastece a despensa; e deu ao restaurante o apelido de Food Experience, porque se mostra disponível para criar pratos novos constantemente. É só pedir. Com antecedência, claro. 

Quem criou uma mistura de mar e terra que tem encantado os lisboetas foi Kiko Martins. O surf and turf tem estado presente em vários menus dos seus restaurantes e agora há um restaurante só para ele no Time Out Market. O Surf & Turf serve tártaro de novilho coreano e pêra nashi, quinoto do mar com croquetes de cachaço, camarão, algas e espuma de ostras, entre outros pratos (Time Out Market, Av. 24 de Julho)

Ceviche de salmão do EATFISH
Fotografia: Manuel Manso

Também no Cais do Sodré, acaba de abrir o EATFISH, um espaço arejado com uma carta 100% virada para o peixe. Há sempre salmão, atum e corvina na ementa, que podem ser servidos em carpaccios, tártaros, ceviches, grelhados ou assados no forno, acompanhados por purés de batata com wasabi, arroz de curcuma ou legumes assados (Travessa de São Paulo, 11). 

Do Cais do Sodré para a Rua de São José (esta foi só mesmo para rimar), há um novo sítio para petiscar. Chama-se Sr. Lisboa e é um espaço pequenito onde se servem croquetes de bacalhau à Brás, amêijoas à Bulhão Pato com leite de coco, atum braseado e, para rematar, bons lombos de novilho com queijo da Serra. Durante a semana há menus de almoço (Rua de São José, 134-136)

O melhor: ver o que trazem de novo os projectos que vão nascendo: ideias, técnicas e diversidade.

O pior: ter de dizer adeus não só à sopa de cebola como às ostras francesas da Brasserie Flo. Foi bom enquanto durou.

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