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© Arlei LimaFrolamics Studio

Aulas de cerâmica: quatro novos estúdios para pôr as mãos na massa

Abriram portas no último ano para acentuar uma tendência em ascensão. Fomos descobrir os cursos e workshops de quatro novos estúdios de cerâmica em Lisboa.

Mauro Gonçalves
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Mauro Gonçalves
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Numa era de ecrãs, são cada vez mais as pessoas que usam actividades manuais para se abstraírem do mundo digital e dos seus constantes estímulos e exigências. E a cerâmica está no topo da lista. Mesmo quem não domina a técnica de moldar o barro procura formas de espairecer pondo as mãos na massa e, claro, sujando-as sem preocupações. Em Lisboa, abundam os estúdios dedicados a este ofício – são quase todos detidos ou partilhados por artesãos, que usam as aulas para complementar o orçamento. Estes quatro abriram no último ano e recebem aprendizes de todos os níveis, até os que nunca pensarem que um dia iriam fazer a própria caneca do pequeno-almoço.

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Vá e suje as mãos

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  • Grande Lisboa

Este estúdio foi pensado para receber visitas. Da hospitalidade da anfitriã ao conforto da entrada, Eva Lé quis criar uma extensão da própria casa, seja para quem aqui aparece a querer mexer em cerâmica pela primeira vez, ou para os mais experimentados que aqui passam para trabalhar sobre a bancada ou mesmo na roda de oleiro. Aos 24 anos, foi neste material que encontrou a mais natural das vocações. Começou pelo Design de Comunicação, mas depressa percebeu que a realização estava noutro sítio.

Em Paris, estudou Artes Decorativas. No regresso, passou pela Lx Factory, pela cooperativa Safra, no Lumiar, e pela fábrica da Viúva Lamego, onde desenvolveu uma peça de grande escala. Em Outubro, chegou a hora de abrir um espaço próprio. Hoje, é aqui que explora aquela que já é a sua identidade visual – peças decorativas, ornamentadas, algumas delas dignas de galeria. Para já, é na montra rasgada para a rua que podem ser vistas por quem passa.

Mas é na cave que Eva criou uma espécie de co-work dedicado à cerâmica. Um espaço amplo – apelidado de Cerâmica Club (com direito a néon na parede e tudo) –, com bancadas de trabalho, roda do oleiro e uma sala reservada aos vidrados. Um espaço que pode ser usado por quem já dispensa acompanhamentos. As aulas podem ser particulares, no caso da roda, e em grupo. Outra das possibilidades são os workshops individuais para crianças.

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  • Beato

Alexandre da Silva e Vincent Richeux chegaram à Penha de França há um ano para montar um atelier que já nasceu torto, pelo menos de nome. Cheio de luz natural, plantas trazidas pelos vizinhos e peças de cerâmica de aspecto hiper realista, o espaço, que em tempos foi leitaria e mercearia, serviu de ponto de encontro entre um designer português, um jornalista francês e a paixão em comum pela cerâmica, que passou de passatempo a ocupação a tempo inteiro.

O trabalho acontece em várias frentes, a começar pelas peças criadas com a marca do próprio estúdio, caso dos cachimbos de design futurista encomendados por uma marca italiana. A par disso, cada um dos ceramistas desenvolve o seu próprio trabalho – Alexandre explora o realismo através de meias e beatas de cigarros, combinando a porcelana com a técnica do trompe-l'oeil; Vincent, há nove anos em Portugal, é influenciado pela biologia e constrói muitas das suas peças a partir de imagens microscópicas, sobretudo de pólens.

Há espaço de sobra para todas as peças, para um laboratório reservado aos vidrados e até para receber autores convidados (não necessariamente na área da cerâmica) na montra. Há residentes que usam o espaço para desenvolver o próprio trabalho, outros aparecem para dar os primeiros passos, seja em modo livre ou com técnicas específicas., dos moldes em gesso à utilização da barbotina. Só tem de estar pronto para sujar as mãos.

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  • Estrela/Lapa/Santos

Nadia Frolova mudou-se há quatro anos e já sente que Lisboa é a sua casa. Deixou São Petersburgo para perseguir a paixão pela cerâmica. E esta passou de passatempo a profissão – deixou de desenhar sistemas perfeitos (era designer numa empresa tecnológica) para abraçar a imperfeição e a assimetria das suas peças. Define o próprio trabalho como algo entre o caos e a ordem, o abstracto e o figurativo, entre a arte e a ciência. Não foi por acaso que esta última dupla foi um dos temas centrais no mestrado que concluiu na Faculdade de Belas-Artes.

A forma como trabalha os vidrados é exemplo disso. Um processo experimental através do qual obtém os seus próprios pigmentos. Na forma como explora a dinâmica deste material, impera a mesma lógica – as esculturas de Nadia obedecem a formas orgânicas, variam em escala e intercalam funcionalidade e valor decorativo.

A mesma liberdade na abordagem à cerâmica é transposta para a agenda de cursos e workshops. Das aulas rápidas – onde os participantes são desafiados a construir uma peça simples, como um vaso ou um castiçal –, aos cursos mais demorados – onde os alunos passam por todo o processo de conceber, construir e vidrar uma peça. Dar aulas é mesmo a segunda paixão de Nadia e, por estes dias, aparecem-lhe aprendizes de todas as nacionalidades no estúdio. Curiosamente, todos têm a mesma reacção quando põem as mãos na massa: abrandam, reconectam-se com o trabalho manual e quase que “se tornam crianças”.

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  • Santa Maria Maior

Para Joana, a cerâmica começou por ser uma diversão. Depois de estudar Pintura, na Faculdade de Belas-Artes, foi num curso com a artista Teresa Pavão que começou a ganhar o gosto por esta matéria cheia de plasticidade. Em Londres fundiu as duas referências – de um lado o suporte tela com que se formou, do outro a tridimensionalidade de uma nova descoberta. O resultado foi uma aproximação à escultura, que persegue até hoje com as suas peças de parede.

Num atelier localizado em plena Baixa Pombalina, os dias dividem-se entre estas e outras criações, embora o ritmo seja, regra geral, lento e sem pressas. Através da mistura da cerâmica com o ferro, deu início a uma nova família de peças, um encontro a meio caminho entre os exercícios escultóricos e o trabalho desenvolvido numa vertente mais comercial. Desde o final do ano passado que as encomendas se avolumam, sobretudo do lado da cerâmica utilitária – são chávenas, pratos e taças que Joana tem mantido em stock. Também já se aventurou nos brincos, mas os acessórios de moda não passaram de experiências pontuais.

Sem moldes, a roda de oleiro está na base de muitas destas peças. Com o tempo, foi abrindo o atelier ao exterior, quer como ponto de venda, quer como espaço de trabalho. Há ceramistas residentes, mas também pessoas a querer aprender a criar a partir do barro, ainda que aqui a aprendizagem seja mais personalizada. Tudo porque, mais do que workshops em grupo, Joana prefere dar aulas privadas.

Outras coisas para fazer em Lisboa

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Não sabe o que fazer em Lisboa? De passeios pela Mata de Alvalade até ver as vistas de outro ângulo, temos uma grande variedade de sugestões para aproveitar tudo quanto é à borla na cidade. São dezenas de coisas grátis para fazer em Lisboa: afinal não queremos que deixe de aproveitar o melhor que a cidade tem apenas por ter a carteira mais vazia. Há muito para fazer à borla em Lisboa. Não acredita? Então espreite a lista que se segue. Não se vai arrepender. Já lhe dissemos que é grátis?

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Os dias estão mais quentes e as noites tendem a ficar agradáveis demais para serem passadas em frente à televisão. Aproveite e vá arejar para um cinema ao ar livre em Lisboa, com vista para as estrelas no ecrã e no céu – é um programa perfeito quer esteja sozinho ou acompanhado, mesmo que às vezes seja aconselhável uma manta. Por isso, não hesite: arranje o melhor lugar e vista um casaco se a noite ficar fresquinha. Vale sempre a pena trocar o escurinho do cinema pelo céu estrelado para assistir a grandes filmes ao ar livre.

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Não se deixe deslumbrar pelo calor e pelos programas ao ar livre, que há muitas exposições a decorrer em Lisboa este fim-de-semana. Portanto, torne os próximos dias mais culturais – sozinho, com a família ou os amigos (vai tudo atrelado). Com tantos museus e galerias na cidade, é impossível não ter o que ver. Mas não queremos que se perca e, por isso, dizemos-lhe quais as exposições a que deve prestar mais atenção. Só tem de decidir o que lhe apetece descobrir: pintura, fotografia, ilustração, design ou instalações de grande escala.

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