Carnaval na Avenida da Liberdade
Alberto Carlos Lima, Arquivo Municipal de Lisboa | Carnaval na Avenida da Liberdade
Alberto Carlos Lima, Arquivo Municipal de Lisboa

12 curiosidades sobre o Carnaval (em Lisboa e não só)

Todos os anos Portugal celebra o Carnaval. Mas o que sabe realmente sobre o assunto?

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Calha sempre a uma terça-feira, é um feriado facultativo e móvel e é também a desculpa perfeita para usar aquela roupa escondida no armário, assustar estranhos, dançar em lugares improváveis ou mascarar-se, sei lá, de zebra. Há muitas teorias sobre as origens do Entrudo, das linhas pagãs às religiosas, e muitas importações que o foram transformando ao longo das décadas. Certo é que o Carnaval continua a celebrar-se um pouco por toda a parte, de Lisboa a Bragança, e a combinar as mais variadas expressões culturais, sempre com o objectivo de quebrar totalmente a rotina. Fique a saber mais um pouco sobre esta festa, das sátiras do século XXI aos sustos e outras tradições.

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O Xé-Xé

O Xé-Xé era a personagem principal do Carnaval alfacinha e o seu adereço mais emblemático era um chapéu de dois bicos com frases obscenas, quando, muito antes da ditadura de Salazar, no século XIX, ainda se podia chocar. Além das obscenidades, ameaça espetar o seu facalhão de madeira a quem por ali passasse. Simpático, hã?

As batalhas de flores

A primeira batalha de flores em Lisboa terá acontecido no final do século XIX, como ideia importada da burguesia francesa que se mostrava nos grandes boulevards em cima dos carros ornamentados. A moda começou a entrar em decadência na década de 1930, tendo ganhado fulgor mais acima, em algumas das localizações nacionais mais reconhecidas pelo Carnaval, como Torres Vedras e Estarreja.

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As Cegadas

As Cegadas de Loures, Mafra ou Sesimbra são das tradições mais antigas (já centenárias) ainda vivas nas proximidades de Lisboa (na capital, já se perderam de vez). Situação desordenada e provocatória, tal como pede o Carnaval, o costume envolve grupos de homens que sobem ao palco para interpretar textos em verso ao estilo das antigas canções de escárnio e maldizer. Normalmente acompanhados por guitarras portuguesas, os cegantes são, assim, os protagonistas desta forma de crítica social.

Casa do Carnaval

É uma das lojas de disfarces mais antigas do país e continua a vestir homens de freiras ou crianças de pinguins, o que se quiser. Fundada em 1889, a Casa do Carnaval acompanhou a evolução do Entrudo lisboeta, vendendo chapéus vistosos, vestidos espampanantes e bigodes artificiais para o grande dia de festa. Mais de 130 anos depois, está de portas abertas na localização de sempre: a Travessa Nova de São Domingos, junto à Praça da Figueira.

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Entrudo desde 1252

Uma das primeiras referências ao Entrudo (nome que significa “entrada”, remetendo para a entrada na Quaresma, e que na modernidade foi substituído por Carnaval) no país remonta a 1252. A prova é um registo assinado pelo rei D. Afonso III que se referia às celebrações do calendário religioso.

47 dias antes da Páscoa

Lá porque foi documentado pelo rei no século XIII, não quer dizer que toda a gente saiba por que razão, afinal, o Carnaval é um feriado móvel que calha sempre a uma terça-feira. A explicação é que a data antecede sempre a Páscoa em precisamente 47 dias, segundo estipula a Igreja Católica. Este é o chamado período de Quaresma, altura em que se pedem jejum e oração reforçada aos mais devotos. 

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Mais ou menos feriado

É feriado, ponto e vírgula: é facultativo, estando dependente de contratos colectivos de trabalho ou da boa vontade do empregador. Habitualmente o Governo português dá tolerância de ponto à função pública nesse dia, com duas excepções (que nos recordemos): durante a pandemia, em 2021, sob o Governo de António Costa; no mandato de Passos Coelho, em 2012; e no quase reinado de Cavaco Silva, em 1993. Em anos de crescimento económico, a paragem deu azo a muitos protestos, com funcionários a apresentarem-se mascarados nas repartições. Anos mais tarde, na sua biografia política, o ex-líder do PSD fez uma espécie de mea culpa, admitindo um “erro político”. 

Os prazeres da carne

Já que andamos pelas origens, vamos também à etimologia. De onde vem a palavra Carnaval? O italiano carnevale dá a pista mais clara: carnelevare quer dizer "retirar a carne", uma referência ao jejum que se segue à famosa terça-feira de folia. Mas há quem advogue que a origem está antes na expressão carnis levamen, ou seja, o "prazer da carne", marcando-se o momento profano que antecede as restrições da Quaresma.

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Tambores, batuques e cachupa

O Carnaval é uma das festas mais fortes de Cabo Verde e, por isso, há também grandes expressões do acontecimento por cá. Há mais de 30 anos que a Associação de Solidariedade Social do Alto da Cova da Moura organiza um cortejo e baile de Carnaval neste bairro da Amadora, com ligação íntima à história da imigração cabo-verdiana. Aqui, não faltam tambores, batuques, festa, pose para o retrato e, claro, a bela cachupa. Ao longo do dia, desfila-se pelo sobe e desce das ruas com vista para as muitas colinas da Amadora, com o percurso a terminar na sede da associação, onde a dança continua. 

A Dança dos Cus

Um pouco por todo o país, multiplicam-se e diversificam-se as tradições carnavalescas, como os Caretos de Podence ou o Entrudo de Lazarim. Mas conhece a Dança dos Cus? A tradição remonta ao século XIX (há quem defenda que surgiu antes), quando os actores de um grupo de teatro decidiram trazer do palco para o exterior uma valsa sui generis. Ao terceiro compasso, os pares, divididos por duas filas, chocam precisamente essa parte do corpo em que está a pensar e a gargalhada acontece em plena rua. A tradição continua, ano após ano, em Cabanas de Viriato, distrito de Viseu. 

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