Dez coisas que fazem falta em Lisboa

Encontrámos lá fora coisas que queremos cá dentro para tornar Lisboa numa cidade ainda mais divertida

Andy Parsons

Não morremos de inveja das outras cidades, mas sabemos que Lisboa, que é tão boa, pode ser ainda melhor. Estes são alguns dos nossos desejos para a cidade – ideias que bem podiam servir de inspiração aos empreendedores alfacinhas ansiosos por agitar o mercado.

Dez coisas que fazem falta em Lisboa

1
Gelados ao pequeno-almoço

Gelados ao pequeno-almoço

Chama-se Four Winters e é uma geladaria consagrada em Londres. Até aqui nada de especial. A grande novidade é que, depois de um professor da Universidade Kyorin, em Tóquio, ter divulgado os benefícios de comer gelado ao pequeno-almoço, a Four Winters lançou um menu especial para essa altura do dia. Sim, isso mesmo: um pequeno-almoço com base em gelado.

A NOSSA SUGESTÃO
Dispensamos a temperatura da loja (o nome não é por acaso), mas queremos uma coisa destas em Lisboa. Uma banca ali no Parque Eduardo VII, por exemplo, aberta desde as 7h e com esplanada e take-away, parece-nos uma opção válida.

2
Uma piscina de bolas para adultos

Uma piscina de bolas para adultos

A criança que há dentro de nós sabe que esta é a melhor ideia de sempre. Vamos dar-lhe ouvidos de uma vez por todas. Em Londres, a agência de publicidade Pearlfisher criou o Jump In, uma sala com 81.000 bolas brancas onde adultos e crianças podem saltar à vontade – máximo de 30 pessoas, à borla, sob marcação.

A NOSSA SUGESTÃO
Já há um hostel com uma piscina com 70.000 bolas, mas nós queremos mais – mais bolas num espaço acessível a toda a gente.

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3
Brunch com bebidas alcoólicas

Brunch com bebidas alcoólicas

Já aqui dissemos que podemos estar a viver a era dourada do brunch em Lisboa, mas falta dar um passo evolutivo essencial – o brunch com cocktails. Ou melhor ainda: o brunch com cocktails à discrição. Nas grandes cidades europeias são comuns os brunches com “bottomless mimosas” isto é, quantidades ilimitadas dessa refrescante mistura de champanhe e sumo de laranja. Por cá temos de nos contentar com café, leite ou umas excentricidades alcoólicas pagas à parte. Até quando vamos tolerar isto?

A NOSSA SUGESTÃO
Esquecer aquela mania do brunch com sushi e ostras (a sério, ostras de manhã?) e substituir por um ou dois cocktails à discrição. Bloody Marys ou mimosas, se faz favor. Pode deixar o jarro.

4
O regresso em grande do minigolfe

O regresso em grande do minigolfe

Sim, sim, aquele desporto praticado pelas famílias durante o Verão quando o tempo não está bom para a praia. Em Portugal houve uma ligeira febre do minigolfe nos anos 80, nada de preocupante, nada que um ibuprofeno ou as modas não curassem. Mas lá fora começam a regressar os minicampos com as minibolas e os minitacos (uma recaída nesta febre causada pela nostalgia – condição imune a ibuprofenos). Em Londres, por exemplo, há campos de golfe pop-up que aparecem de vez em quando, circuitos temáticos como um dedicado a Moby Dick (Moby Golf), ou outro de inspiração jurássica (Jurassic Encounter). Mas o nosso preferido é o Swingers, um bar/ restaurante com pistas de minigolfe que não, nada tem a ver com aquele outro tipo de swing.

A NOSSA SUGESTÃO
Um campo de minigolfe inspirado nos Lusíadas perto da Praça do Império com uma pista em que é obrigatório passar a bola pelo olho de Camões. Quem conseguir não paga. É “à pala”. Topam?

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5
Uma discoteca que não perturba os vizinhos

Uma discoteca que não perturba os vizinhos

A lei do ruído: essa grande vilã da diversão e grande aliada do bom senso. Temos de aprender a viver com ela, mas também podemos contorná-la. As discotecas silenciosas são eventos onde uma pequena multidão se junta para dançar com auscultadores nos ouvidos. Dentro da discoteca é possível seleccionar vários canais, cada um correspondendo a um DJ diferente. Em Londres é um dos eventos de entrada mais cobiçada e as localizações são sempre originais: no início deste ano dançou-se em silêncio no Museu de História Natural.

A NOSSA SUGESTÃO
Já houve em 2007 uma Silent Disco em Lisboa durante o festival Creamfields, no Parque da Bela Vista. Queremos uma discoteca silenciosa de volta num espaço icónico da cidade. Pode ser no Oceanário, se não incomodar os peixes. O Castelo de São Jorge ou o Museu dos Coches são outras localizações espaçosas.

6
Uma praia fluvial como em Paris

Uma praia fluvial como em Paris

Informalmente já existe uma praia fluvial em Lisboa. Ou várias. Quem as inaugurou foram os turistas destemidos que, a braços com o calor, decidiram dar umas braçadas no Tejo. Por que não seguir o exemplo parisiense e fazer da beira-rio uma mini-estância balnear? Há 14 anos seguidos que, em Julho e Agosto, as margens do Sena se transformam numa praia. Areia, redes de vólei, repuxos e bancas de comida encurtam a distância entre a capital francesa e o mar.

A NOSSA SUGESTÃO
Reproduzir a ideia francesa no passeio da Ribeira das Naus, que já é a maior espreguiçadeira de Lisboa e tem espaço suficiente para montar toda a espécie de infra-estruturas de diversão estival.

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7
O bar da série Breaking Bad

O bar da série Breaking Bad

A série de culto Breaking Bad originou um bar temático em Londres, e não nos conformamos com o facto de não haver um irmão em Lisboa. Organizado pelo colectivo ABQ, o pop-up bar funciona numa autocaravana igual à da série, e permite que os visitantes "cozinhem" os seus própios cocktails. Não há metanfetaminas à disposição, mas há materiais de Química (lembra-se das aulas de laboratório na escola?) e ingredientes até dizer chega. A brincadeira custa 40€ por pessoa, por hora. Quantos cocktails consegue beber nesse espaço de tempo? 

A NOSSA SUGESTÃO
Gostamos da ideia da autocaravana. Sugerimos que se estacione uma algures ao pé do rio, para a vista bonita compensar a dor da saída quando o tempo chega ao fim.

8
Tours originais

Tours originais

O aumento do turismo nos últimos cinco anos trouxe muitas inovações, dos autocarros que andam no rio aos tuk-tuks conduzidos por homens vestidos de Camões. Mas fora isso, a história é sempre a mesma: Ulisses, os Mouros, o sismo de 1755, o Marquês de Pombal, o golo do Éder. Em Chicago e Budapeste há passeios dedicados exclusivamente à corrupção – uma actividade na qual não somos nenhuns amadores. Outro exemplo: em Londres são muito populares as tours da Bullshit London, uma empresa de turismo que nos leva a passear pela cidade e pela sua história. Um pormenor: tudo o que eles dizem é mentira. Sem querer, muitos condutores de tuk-tuks de Lisboa já começaram a seguir esta tendência.

A NOSSA SUGESTÃO
A vivenda de um ex-banqueiro, o apartamento de um antigo primeiro-ministro ou os corredores da Assembleia da República. Apoiamos uma Tour da Corrupção pela cidade de Lisboa a bordo de um carro emprestado por um assessor de um ministério qualquer, conduzido por um cavalheiro com imunidade diplomática.

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9
Biblioteca das Coisas

Biblioteca das Coisas

Os movimentos antidesperdício vieram para ficar. O Reino Unido, os EUA e o Canadá já a têm: chama-se Biblioteca das Coisas e funciona mesmo como uma biblioteca - com cartão de membro, requisição e prazo de entrega -, mas em vez de livros disponibiliza "coisas". A oferta vai desde ferramentas e electrodomésticos a tendas de campismo e fatos de mergulho. Para que possa pagar 10€ pelo empréstimo de uma rebarbadora em vez de comprar para usar uma só vez.

A NOSSA SUGESTÃO
A Library of Things de Londres é um caso de sucesso, pelo que convidamos os empreendedores a contactá-la e a requisitar uma formaçãozinha para poderem abrir uma casa irmã em Lisboa.

10
Um supermercado anti-desperdício

Um supermercado anti-desperdício

Chama-se The Sharehouse, e só existe (por enquanto) em Leeds, em Inglaterra. Neste original supermercado vende-se aquilo que não escoa nas outras lojas - desde produtos descontinuados a víveres já perto do fim do prazo de validade. Mas os preços não são fixos: os clientes fazem o donativo que considerarem correcto pelos produtos escolhidos. Também podem, em alternativa, trabalhar para o supermercado para pagar o que consomem.

A NOSSA SUGESTÃO
Lisboa já tem projectos antidesperdício, como a Fruta Feia ou a Re-Food, mas acreditamos que ter todo um armazém de produtos que de outra maneira seriam confrontados com a morte é uma excelente ideia a implementar na cidade.

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