15 coisas que fazem falta em Lisboa

Encontrámos lá fora coisas que queremos cá dentro para tornar Lisboa numa cidade ainda mais divertida
Um spa de cerveja? Na Islândia há
Um spa de cerveja? Na Islândia há
Por Luís Leal Miranda |
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Não morremos de inveja das outras cidades do mundo – até há coisas que só é possível fazer em Lisboa. Mas sabemos que a capital, que é tão bonita e instagramável, pode ser ainda melhor.

Nesta lista encontra 15 dos nossos maiores desejos para a cidade – coisas que outras cidades têm e que nós também queremos (um bar inspirado na série Black Mirror? Um festival num rooftop? A sério?). Empreendedores alfacinhas ansiosos por agitar o mercado que nos lêem: eis duas mãos cheias de ideias que bem vos podiam servir de inspiração.

Recomendado: 20 coisas que os turistas fazem e todos os lisboetas devem experimentar 

15 coisas que fazem falta em Lisboa

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Também queremos, gelados com luz

Gelado que brilha no escuro

Se por acaso faltar a luz no Scoop, em Londres, ninguém vai ter problemas em acabar a sobremesa.

Esta excentricidade gelada, uma espécie de Cornetto radioactivo, não é a única atracção da “Scoop, a Wonderful Ice Cream World”, exposição dedicada à sobremesa preferida de todas as pessoas que têm papilas gustativas e um coração. Nesta mostra organizada pela dupla de gastro-criativos Bompas & Parr é possível atravessar um nevoeiro com cheiro a baunilha – deve ser o mais próximo que conseguimos de inalar um pudim – e visitar o Conehenge, uma geladaria que serve apenas sabores extraordinários, como narciso (a planta), pepino ou pão com compota de laranja amarga. Há ainda uma parte de museu pura e dura – isto é, sem coisas para mastigar – onde podemos ver uma colecção de merchandising relacionado com gelados ou conhecer a história da Queen of Ices, uma cozinheira da época vitoriana que revolucionou o mundo das sobremesas geladas. O gelado que brilha no escuro é uma invenção exclusiva para esta exposição que pode ser visitada em Gasholders, Londres, até 30 de Setembro. Os seus criadores não revelam qual o ingrediente que o faz brilhar. Pelo sim, pelo não, o melhor é perguntar ao dentista quais os efeitos do urânio nos dentes desvitalizados.

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Também queremos - festival nas alturas

Um festival nas alturas

Isto é, um festival em terraços como o ROEF, em Amesterdão.

A subida do nível do mar é real e parece inevitável. Isso quer dizer que, daqui a umas dezenas de anos, ter uma casa à beira-mar no Furadouro não vai ser tão bom quanto parece. E que nada, vamos lá ver, vai ser tão bom como dantes. A cidade de Amesterdão, construída abaixo do nível do mar e dependente de um engenhoso sistema de diques e canais, vive há mais tempo com este drama. Por isso faz sentido que seja este o berço do ROEF, um festival que se passa uns metros acima do solo, sempre em terraços. Até o campismo – qualquer festival a sério tem de ter campismo – é no topo de um prédio. Para além das boas vistas para a cidade, o programa inclui concertos, performances, DJs, gastronomia e um simpósio dedicado exclusivamente à temática dos terraços: debate-se o futuro dos rooftops, as hortas no cocuruto dos edifícios e maneiras de capitalizar o topo dos prédios. O festival tem 20 “palcos” espalhados pela cidade noutros tantos hotéis, restaurantes e bares. Mas mais do que uma festa, o ROEF procura sensibilizar as pessoas para a utilização racional destes espaços urbanos. Um dado curioso: em Amesterdão apenas 2% dos terraços são utilizados. Por cá, o único festival de rooftops deve ser organizado por bandos de pombos.

+ Guia completo dos festivais de Verão

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Também queremos - loja monstros

Uma loja para monstros

Lisboa tem cada vez mais gente excêntrica cujos gostos devem ser satisfeitos. Ou não vão eles trepar a Torre de Belém num ataque de fúria.

Chama-se Hoxton Street Monster Supplies, fica em Londres e gaba-se de vender, desde 1818, artigos para os vivos, os mortos e os mortos-vivos. É um bom nicho de negócio, sobretudo porque o público-alvo inclui toda a gente que já viveu e até aquelas pessoas que estão mais para lá do que para cá. Nesta loja vende-se bolachas para dragões, compota de ranho, cera de ouvido em cubos, ratos petrificados, sal feito a partir de vários tipos de lágrimas ou pastilhas para tirar o mau hálito a zombies. Enfim, os essenciais para quem passa a vida a aterrorizar. Mas como já devem ter calculado, pela falta de seres míticos, vampiros, supervilões e répteis voadores no nosso dia-a-dia, esta loja é só fachada – a fachada para um projecto de literacia infantil liderado pelo escritor Nick Hornby. É um sítio onde os garotos vão para ter a sua imaginação tonificada, uma escola onde são encorajados a ler e a escrever histórias. Isso significa que o fio dental para monstros é apenas um cordel normal, e que o “jarro de luar”, indicado para lobisomens que não querem esperar até à próxima lua cheia, é apenas um minicandeeiro. As vendas destes adereços ajudam a financiar workshops, cursos e o acompanhamento de jovens criadores de monstros. Ou melhor, jovens contadores de histórias.

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spa cerveja

Um spa de cerveja

Quem é que não se sente mais bem disposto depois de umas imperiais? O Bjórböðin, na Islândia, leva essa ideia mais longe.

As propriedades relaxantes da cerveja são sobejamente conhecidas. Mas para um grupo de produtores de cerveja islandeses, a ideia de beber aquele líquido dourado ao final do dia não era suficiente. Foi aí que se lembraram de fazer umas termas de cerveja, a única maneira de nos fazer gostar de cerveja quente: dentro de umas barricas redondas de madeira é colocada uma espécie de cerveja não-fermentada – não é cerveja morta, é cerveja recém-nascida – em conjunto com água geotermal de fontes naturais, levedura (é rica em vitamina B, dizem) e óleos essenciais. Os efeitos desta mistura são uma pele reluzente e uma ligeira ruborização das faces, fenómeno que também se costuma verificar na cara de quem bebe umas cervejas a mais. À disposição dos banhistas há um sabonete de cerveja e uma torneira de cerveja fria, para quem quer ter cerveja dentro do corpo e à volta dele. Um tratamento no Bjórböðin Beer Spa, que fica ao lado de uma microprodutora de cerveja artesanal, demora 25 minutos e custa 65€ por pessoa. Não inclui, infelizmente, um banho de tremoços.

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Também queremos - robot almeida

Um robô-almeida

Isto é, um robô que limpa o lixo, como o Trashbot de Chicago

É aproveitar enquanto as máquinas não ganham consciência e começam a dominar o mundo, eliminando os humanos um a um – a começar por aqueles que já deixaram cair os telemóveis na sanita e os que acham que bater na TV ajuda a resolver problemas de transmissão. Nos EUA, a associação Chicago Rivers quer aproveitar enquanto estamos nas boas graças dos autómatos para limpar os rios. O Trashbot, o robô- -almeida, patrulha as águas do rio sorvendo todos os detritos que andam à superfície. É um projecto ainda em fase de testes, mas com resultados prometedores – o robô ainda não se afundou nem encalhou, o que são boas notícias. Esta espécie de drone telecomandado com consciência ambiental tem uma particularidade fascinante: quem faz a recolha do lixo – isto é, quem o comanda – somos nós. Ou seja, qualquer pessoa em qualquer parte do mundo pode participar na recolha do lixo: basta uma ligação à internet, um acesso ao site do Trashbot e podemos estar no sofá, de cuecas, a participar na limpeza do Chicago River. O lixo que anda por lá a boiar é suficiente para garantir horas de entretenimento. Em Lisboa, gostávamos de ver um robô em forma de tainha gigante a limpar o Tejo, ou um drone aspirador a apanhar cocós de cão nos passeios.

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Um bar inspirado no Black Mirror

A distopia televisiva preferida de todos nós deu origem a um bar em Londres. Mas o que é que uma série tem a ver com cocktails?

A  explicação é um pouco rebuscada. O recém-inaugurado The Grid é um cruzamento de um bar com uma escape room, que tem como objectivo criar uma experiência etilizada que vai beber (ah ha) influências à série de TV. Os participantes (ou clientes) são convidados a entrar numa empresa de inteligência artificial chamada Neosight. Lá dentro vão participar numa série de experiências que têm como objectivo ensinar as máquinas a pensar mais como os humanos. E é nesta posição de cobaia que se bebem cocktails futuristas, poções que deixam os convivas com a disposição certa para enganar as máquinas e escapar dali com vida. Os pormenores desta última parte não são revelados para não estragar a surpresa, mas está visto que uma pessoa não pode ir sossegada para os copos com os amigos sem dar por si num cenário pré-apocalíptico em que as máquinas estão prestes a dominar o mundo. Enfim. O The Grid é mais uma ideia dos inventores do bar temático dedicado à série “Breaking Bad” e do Bunyadi, um famosíssimo restaurante nudista. Cá por Lisboa torcemos por um bar de cocktails sofisticado que se inspire em “Nico d’Obra” ou “Duarte & Companhia”. 

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Um bailarico num porta-aviões

Como a Battle of The Big Bands no convés do Intrepid, em Nova Iorque.

Lisboa não é Nova Iorque. Certo. Não há nenhum porta-aviões nuclear atracado no Tejo. Tudo bem. E não há tradição de big bands em Portugal. De acordo. Mas vamos inspirarmo-nos nestas festas temáticas para criar uma coisa só nossa. Ideia: um concurso de bandas filarmónicas no casco de um dos submarinos da Marinha Portuguesa. Imaginem o Delfim e o Barracuda, nas margens de Lisboa, a servir de palco para um conjunto de músicos a interpretar o melhor de Mantovani. Sucesso garantido. A Battle of The Big Bands repete-se há três anos neste porta-aviões da guerra da Coreia entretanto transformado em museu – ali perto há ainda um Concorde e um vai-e-vem espacial visitáveis. Trata-se de um evento revivalista dos anos 40 com várias bandas a competir por um lugar entre as melhores do mundo a interpretar os standards daquela década. Os pés de chumbo são bem-vindos a este evento de dança hiper-específico, onde há lições para quem não nasceu nos anos 20 e gostava de saber dar os passos certos. Basta olhar para a quantidade de eventos de lindy hop que há em Lisba para perceber que este é um conceito vencedor na nossa cidade. Talvez nem um porta-aviões chegue para acomodar tanto bailarino.

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Um museu tripante como este

O Digital Art Museum do colectivo TeamLab abre este Verão e promete ser o sítio mais instagramável do mundo

Parece mesmo que o mundo da arte também se está a adaptar à cultura dos “shares” e dos “likes”. Veja-se o caso da última exposição de Bordalo II, em Lisboa, que se tornou um fenómeno nas redes sociais antes de ser um fenómeno de bilheteira. Obras de arte grandes e vistosas atraem público que quer acrescentar beleza e alta cultura ao seu feed pessoal. É por isso que a internet está louca de entusiasmo com o Mori Building Digital Art Museum TeamLab Borderless (nome completo, ufa) em Tóquio, que vai abrir este Verão. Por detrás desta extravagância digital multicolorida está um colectivo de artistas que se descrevem como “ultra-tecnologistas”, conhecidos pelas suas instalações interactivas de encher o olho. Neste museu, localizado na ilha de Odaiba, vão ter 10.000 metros quadrados para brincar. As primeiras imagens mostram uma série de paisagens criadas artificialmente que nos fazem lembrar um screen saver do Windows em ácidos; ou um videomapping feito por um gabinete criativo formado exclusivamente por extraterrestres. É o mais próximo, parece-nos, de visitar paisagens alienígenas sem sair deste planeta.

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Yoga galáctico

Não faltam por aí espaços de yoga. Mas e um yoga no espaço?

Parece que nos dias de hoje o yoga é a actividade física mais versátil do mundo. Existe yoga em miradouros, terraços e marquises. Yoga quente, yoga frio, yoga integral e yoga refinado. Uma pessoa caminha por Lisboa e, se se distrai um pouco, pode dar por si a fazer alongamentos numa sala cheia de desconhecidos a tentar conter os movimentos dos intestinos. Os londrinos levaram mais longe esta obsessão – levaram-na até ao espaço. Não é yoga em gravidade zero (fica a ideia!), mas sim uma nave espacial onde os praticantes podem estender os seus tapetes e distender os músculos. O evento chama-se Flow Yoga and Space Rave e organiza saudações ao Sol num aparelho que parece servir para dar umas voltas no sistema solar: uma sala decorada como o interior de uma nave que, na verdade, é a sede do cinema Mission to Mars, onde no resto dos dias se organizam sessões especiais de ficção científica. Em Lisboa gostávamos de ver yoga no Planetário ou aulas no 28 da Carris, onde o contorcionismo e a elasticidade dos nossos membros é constantemente posta à prova.

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Um evento aborrecido

Como a Boring Conference, em Londres, dedicada aos assuntos mais entediantes do mundo. É um sucesso de bilheteira.

Vamos admitir: somos doidos por secas. Nada como uma entusiástica palestra sobre um assunto prosaico. Um monólogo longo e hiper-específico acerca de um tema banal. E é exactamente isso que se passa na Boring Conference, um evento que celebra as coisas comuns e as pessoas apaixonadas pelo (aparentemente) aborrecido. O evento deste ano esgotou dias depois de o alinhamento ter sido anunciado, o que nos coloca uma questão interessante: se um evento que é propositadamente entediante se torna um sucesso, será que continua a ser uma seca? O alinhamento dos anos anteriores incluiu palestras sobre espirros, torradas, caixas registadoras, o som que fazem as máquinas de venda automáticas e uma esclarecedora conversa sobre códigos de barras. Este ano vão ser abordados assuntos igualmente fascinantes como as semelhanças entre os 198 hinos nacionais que existem no mundo e as formas de cozinhar refeições elaboradas usando apenas os electrodomésticos à disposição num quarto de hotel. Cada um dos 20 oradores tem 10 minutos para fazer a audiência bocejar de entusiasmo, numa espécie de Ted Talk do desânimo – uma Tédio Talk? A Boring Conference é uma ideia de um empregado de escritório chamado James Ward que toda a vida foi fascinado pelo banal: “Há coisas que são consideradas triviais e sem sentido, mas quando olhamos para elas de perto percebemos que, na verdade, são profundamente fascinantes”, justificou-se ao The Guardian.

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hortas terraços barcelona

Hortas nos terraços dos prédios

Em Barcelona, o Laboratório para a Justiça Ambiental quer dar um novo significado à expressão “o vizinho tem um raminho de salsa que dispense”?

Ou seja: o vizinho tem um jardim de cheiros que dispense?  Uma plantação de legumes que dê para uma sopa? O município de Barcelona decidiu começar a usar os terraços dos prédios da cidade para criar hortas urbanas uns metros acima do solo. A boa exposição solar é uma das justificações para a iniciativa, mas há razões mais interessantes por detrás deste ímpeto de agricultura urbícola: as hortas ajudam a fortalecer laços entre a comunidade, ajudam a combater o stress e são uma oportunidade para reduzir o sedentarismo junto da população mais velha. O Laboratório para a Justiça Ambiental de Barcelona, que lidera o plano, decidiu envolver nestas actividades os seus cidadãos “socialmente vulneráveis”. A saber: pessoas portadoras de deficiência, imigrantes, crianças e idosos. Neste projecto, mais do que o bem-estar das plantas, importa a saúde das pessoas que cuidam delas. Existem neste momento dois jardins no topo de dois prédios na capital da Catalunha, mas o projecto quer ser a semente de uma ideia que pode muito bem germinar por esse mundo fora. Em Lisboa, podíamos deixar de ser uns vaidosões com as nossas vistas de rio, os nossos sunsets e degustações de gin. E começar a usar os terraços para nos ajudarmos uns aos outros.

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Um cemitério muito cultural

Vamos dar vida a um cemitério com um nome tão sugestivo como o dos Prazeres? Vejamos Green-Wood.

Não é um sítio para onde uma pessoa se desloque com entusiasmo. Mas acabamos todos por passar por lá, nem que seja apenas uma e derradeira vez. Muitos deles são jardins encantadores, com o único senão de serem, também, plantações de pessoas. Em Nova Iorque, o cemitério de Green-Wood é local de romarias animadas para concertos, sessões de cinema e passeios de domingo. Os moradores não se queixam de esta necrópole com 180 anos ser um destino cultural de eleição. Esta Primavera tem havido concertos nas catacumbas – é dificil imaginar um sítio mais solene e silencioso – e cinema ao ar livre, mas mesmo quem não está a fim deste tipo de animação pode visitar o cemitério para admirar a arquitectura tumular: há mausoléus, capelas funerárias e esculturas dignas de museu. O cemitério organiza também os Death Cafés (ou “Cafés da Morte”), reuniões informais onde cientistas, filósofos, historiadores e artistas se juntam para discutir o fenómeno da morte. Isto é tudo muito giro, mas se por acaso começar um apocalipse zombie, o cemitério de Green-Wood deve ser dos piores sítios do mundo para se estar.

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Um túnel de vento

O Bodyflight, em Londres, promete recriar a experiência do pára-quedismo sem a parte do pára-quedas. E sem as quedas.

É daquelas palavras hifenizadas muito literais, muito práticas, como quebra-nozes ou conta-gotas: pára-quedas. O problema do pára- -quedismo é a possíbilidade de essa mochila salva-vidas (mais uma) não funcionar e o nosso corpo esfarelar-se com violência ao embater no solo. Felizmente, para todas as pessoas que querem conhecer as sensações da queda livre sem encarar de frente a morte, há túneis de vento verticais recreativos como o Bodyflight, em Londres. Um complexo sistema de motores e ventoinhas cria uma massa de ar ascendente a 290 km/h que permite a qualquer pessoa voar uns metros acima do chão. Cada aventureiro tem direito a dois voos de um minuto e quinze segundos, tempo mais do que suficiente para decidir se tem queda para o pára-quedismo (ah ah). O Bodyflight aproveita um engenho militar criado nos anos 50 para testes aerodinâmicos e transforma-o numa máquina que permite a qualquer ser humano atirar-se para o chão e falhar. Cada experiência fica a mais de 100€. É caro, mas respeita o céu enquanto território exclusivo das aves.

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Um campeonato do mundo do outro mundo

Isto é, de nações, enclaves ou territórios ocupados que não são reconhecidos pela FIFA. Alguém vai querer perder um Abecásia – Tibete?

No Campeonato do Mundo FIFA 32 países disputam entre si o título de melhor conjunto de pessoas a dar chutos numa bola. Mas há outros desafios, tão ou mais interessantes, que opõem países que têm problemas em ser reconhecidos como tal. Começa esta semana, em Londres, o Campeonato do Mundo da CONIFA, a Confederação de Associações de Futebol Independentes. Vão entrar em campo craques como Ruslan Shoniya, o melhor marcador da selecção da Abecásia, uma região no Norte da Geórgia cuja independência é apenas reconhecida pela Rússia e a Venezuela; e Tenzin Thardoe, o camisola 10 da equipa do Tibete, que nunca jogou futebol profissional. A mais recente edição deste campeonato disputa-se em Londres e coloca frente a frente 16 equipas que são, muito resumidamente, países dentro de outros países – imaginem uma matrioska de nações, mas em que a matrioska grande não reconhece a existência de uma mais pequena. “São gases”, dirá essa matrioska. O evento não justificou a criação de uma caderneta Panini, mas os objectivos da CONFIFA estão à margem do lucro. O que esta confederação quer é chamar a atenção para nações, identidades e grupos étnicos que estão esquecidos ou oprimidos.

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Um beer garden à séria

Uma mistura de esplanada, terraço e jardim para consumir bebidas fermentadas à base de cevada e lúpulo.

Em Lisboa somos abençoados com uma abundância tal de luz celeste que nos esquecemos de lhe dar valor. É por isso que devíamos inspirarmo-nos em projectos como o The Prince, um food hall de vários restaurantes que inclui o maior beer garden de Londres, cidade onde o Sol aparece com menos frequência. Atenção: um beer garden não é um jardim feito de cerveja, mas sim um lugar ao ar livre onde se podem degustar imperiais e seus derivados. É, por regra, um espaço aberto, com vegetação abundante. Em Lisboa temos muitas esplanadas, mas falta-nos ainda uma pérgula, um caramanchão ou uma estrutura forrada a aristolóquias para podermos dar-nos por realizados – aristolóquias são trepadeiras, não precisam de ir googlar. O The Prince abriu esta Primavera e respeita a tradição inglesa de beber um copo ao fim do dia; e a tradição ainda mais inglesa de chover, por isso tem um tecto amovível para que não se junte água à cerveja. Os beer garden, uma tradição com origem na Bavária, têm outra característica: bancos corridos e mesas compridas, para empernar com desconhecidos e debater quem é que fica com o último tremoço.

O melhor de Lisboa

Boa Bao
Fotografia: Manuel Manso
Restaurantes

Os melhores restaurantes em Lisboa

Os críticos da Time Out visitam os restaurantes anonimamente e pagam pelas suas refeições – o mesmo é dizer, como qualquer cliente – e, na melhor parte dos casos, repetem a visita antes de se pronunciarem. Acresce que nenhum restaurante é criticado antes de cumprir três meses de porta aberta e, por princípio, nenhum é aclamado com cinco estrelas ou despachado com apenas uma sem que um segundo crítico subscreva essa avaliação. 

Terreiro do paço
Fotografia: Arlindo Camacho
Coisas para fazer

52 atracções em Lisboa

Nota prévia: esta é uma lista que tem tudo para crescer em tamanho, não fosse Lisboa uma das melhores cidades do mundo e arredores. Não encare portanto estas paragens como um guia definitivo mas antes como um aperitivo para todas aquelas propostas que ficaram de fora (por agora) deste nosso menu. Opte por calçado confortável e venha daí.  

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